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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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16
Dez09

O coro

sentirailha

 

Fazer a experiência de cantar num coro é ter a oportunidade de descobrir o sentido de comunidade, partilha e aprender a valorizar o contributo do indivíduo para o bem comum.
Num coro, há várias pessoas, várias vozes, com timbres diferentes, normalmente organizadas em grupos, que interpretam as músicas em registos diferentes que se harmonizam.
Num coro há potencialidades individuais. Certamente que cada um tem uma voz bonita, forte, mas isso não significa que valha mais ou menos do que a do outro que também integra a mesma comunidade de vozes. São todas importantes. E, são todas necessárias para a harmonia musical.
Por isso, o facto de alguém ser soprano ou tenor, as vozes feminina e masculina que atingem os sons mais agudos, e que por isso interpretam o que costumamos chamar de primeira voz, não significa que esteja em primeiro lugar. Ser primeira voz num coro não é estar à frente dos da segunda, mas sim, interpretar a mesma peça de música num outro registo vocal.
Uma das regras básicas de quem canta num coro ou mesmo para quem participa numa orquestra, numa filarmónica ou numa banda musical, é a de que o instrumento que cada um interpreta, e a voz também é um instrumento, não se ouça acima dos outros.
Ninguém deveria participar num conjunto para se ouvir a si mesmo, mas para contribuir para a harmonia de um som colectivo. Por isso, os talentos individuais são importantes, quando se fundem e enriquecem o talento colectivo.
Até mesmo o solista, quando interpreta um determinado trecho musical, valoriza o bem colectivo. Se assim não fizer, estraga a interpretação colectiva, desafina, perde o ritmo e prejudica o resultado final.
Um coro é semelhante a uma comunidade/sociedade.
Cada cidadão vale por si, é dotado de qualidades, competências, mas se as não puser ao serviço do bem comum, e procurar valorizar o colectivo, a sua participação individualista, centrada sobre si mesmo, destrói a harmonia do colectivo e, ao invés de a qualificar, estraga o resultado final.
Sem solidariedade não se constrói uma comunidade e sem valorizar a participação de cada um e de todos, dificilmente se consegue unidade.
(publicado no Açoriano Oriental de 30 Novembro 2009)

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