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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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01
Fev10

A tradição já não é o que era

sentirailha

Esta é uma daquelas expressões que merece reflexão.

Se a tradição significa transmissão, quando se conclui que esta já não é o que era, falhou a passagem de testemunho ou os conteúdos culturais foram sendo adulterados, alterados ou até destruídos.
A tradição enraíza, conta a história de um povo, situa-nos numa cultura e, quando partilhada, identifica-nos como membros de um comunidade.
O Carnaval é, no contexto do calendário tradicional, um tempo de transição importante que, à semelhança do mês das almas, liga o mundo dos vivos ao dos mortos, e significa fertilidade, renovação. Tradicionalmente, este é um tempo de inversão e de excessos.
Nos Açores, faz-se a crítica social de forma teatralizada, nos bailinhos na Terceira; exagera-se o consumo dos fritos, com malassadas ou rosas do Egipto de S.Miguel; e, de alguma forma, desrespeitam-se regras e afastam-se males de forma simbólica, atirando bombinhas e estalidos, agredindo com água na “batalha das limas” ou “assaltando” a casa dos amigos, mascarados com outras identidades.
Na terça-feira de Carnaval, a avenida marginal em Ponta Delgada transforma-se num campo de batalha. Uma tradição que, outrora, já foi uma guerra de flores e que em outras comunidades se faz com farinha ou até com tomates.
Para melhor proteger esta festa, o trânsito deveria ser fechado nesta artéria da cidade durante as horas em que os “guerreiros da água” procuram alvos nos passeios ou em cima dos camiões. Permitir que alguns automobilistas circulem para observar as lutas gera confusão, aumenta o risco de acidentes e pode levar a que a batalha de brincadeira provoque danos em viaturas.
Nos últimos anos, a autarquia de Ponta Delgada tem subsidiado os grupos que batalham em camiões. Um apoio que ajuda a manter o espectáculo das lutas, mas que devia ser regulamentado, para que não se perca o espírito de brincadeira e faz-de-conta que caracteriza o Carnaval.
As tradições são cultura oral, por isso, aprendem-se com os mais velhos. Mas, quando o poder político tem de apoiar uma tradição* para que esta não se perca, esse apoio deve garantir a preservação da herança cultural, sob pena de essa tradição deixar de ser o que é, um traço da identidade de um povo.
(publicado no Açoriano Oriental de 1 de Fevereiro 2010) 
* Ao que parece, a Câmara de Ponta Delgada impôs a não utilização de limas por parte dos camiões que "subsidia", ao que parece, para evitar danos sobre viaturas! Porque não se fecha o trânsito e se limita o estacionamento durante a "batalha" e se deixa que a tradição aconteça? O custo da parafina é elevado e quem sabe a autarquia podia apoiar para que os jovens pudessem manter esta tradição, que até pode ser um cartaz turístico. Se assim não for, não tardará muito teremos de deixar a designação "batalha das limas" e passar a designar "batalha dos sacos".
 

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