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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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12
Fev10

Sobreviver

sentirailha

 

 

É difícil imaginar como se pode sobreviver a uma catástrofe que mata milhares de pessoas, que deixa inúmeras crianças sem pais e fragiliza a vida de tantas famílias. Que fazer numa cidade em ruínas, onde se perdeu o traço das ruas e se desconhece como obter comida? Como sobreviver sem violar as regras do respeito pelo bem comum ou usar da força? Aguardar pacientemente é deixar-se morrer, esperar que alguém responda aos pedidos de ajuda, pode ser desistir de viver.
O que mais aflige, quando se vêem as reportagens sobre o pós-sismo no Haiti, para além da fragilidade humana, da instabilidade da existência, é a importância que a organização social assume na regulação do quotidiano. O simples traçado de uma rua estrutura o comportamento de quem nela tem de circular. Após o sismo, amontoam-se paredes caídas, desaparece a história construída das aldeias e o desespero toma conta dos esfomeados. Tudo se transforma num bem de primeira necessidade. A posse de uma caixa de velas ou de duas garrafas de água pode ser motivo para lutas sangrentas.
Quando falha a organização e se perde o sentido das regras sociais, o caos instala-se e apenas funciona o “salve-se quem puder”. Os mais fracos são esquecidos e espezinhados e vale a astúcia e a violência, daqueles que tudo fazem para chegar em primeiro lugar.
Sobreviver em tais condições é uma prova de resistência à capacidade do ser humano em sofrer, lutar e se reerguer.
As notícias anunciam que uma pessoa foi resgatada com vida de entre os escombros. Alguém que sobreviveu debaixo de muros caídos, apenas porque bebeu água ou teve acesso à prateleira de um supermercado destruído.
Imagino a força de espírito de quem se manteve sem comunicar durante tantos dias; de quem deve ter visto a morte como a saída mais provável para a condição em que se encontrava e, mesmo assim, acreditou que valia a pena lutar; de quem encontrou a calma e não sucumbiu ao desespero do abandono, à angústia de estar perdido entre ruínas, imaginando, quem sabe, um mundo totalmente devastado.
Sobreviver não é só manter vivo o corpo, mas acreditar, ter fé, manter vivo o espírito e não se anular no sofrimento ou na fragilidade humana.

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