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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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18
Fev10

Da fartura às cinzas

sentirailha

O Carnaval é um tempo “gordo”, de fartura e fritos, de excessos e comportamentos desmedidos.

Um tempo de máscaras onde se podem esconder as verdadeiras identidades, para fazer de conta que se é mulher, sendo homem, que se é palhaço, quando habitualmente até nem se encara as dificuldades com humor.
O Carnaval é tudo isto e muito mais. Um tempo para a comunidade abrir os seus armários de segredos e libertar os seus fantasmas. Uma catarse necessária, que antecede um outro tempo, para os cristãos de introspecção, meditação e penitência, a Quaresma.
Se o Carnaval é um tempo de fartura, de exaltação dos prazeres mundanos, a quarta-feira que lhe segue tem sentido contrário. O Dia das cinzas, ritual que os católicos simbolizam com a imposição de um sinal de cinza, confronta o ser humano com o efémero da vida. Afinal, viver é apropriar-se de um tempo limitado, onde contam menos os bens que se acumulam para si, do que o bem que se faz aos outros.
Entre o Carnaval e a Quaresma, o calendário marca uma transição entre a fartura e a pobreza, entre o brilho das lantejoulas e o cinzento do quotidiano. Para alguns, essa transição nunca é sentida, porque vivem sempre no disfarce da máscara, falseando a vida com exageros, escondendo as dificuldades sob uma aparência de sucesso. Também há quem não consiga aproveitar o espírito de brincadeira que o carnaval proporciona, demasiado afogado em tristezas e dificuldades, incapaz de encarar a vida com optimismo.
O Carnaval e a Quaresma são dois tempos fortes do calendário onde a comunidade revela duas faces distintas, agora mais foliona, depois mais recolhida. No exagero ou na simplicidade, com disfarces ou confrontados com a realidade, Carnaval e Quaresma são tempos de revelação.
Neste tempo de folia, os açorianos aproveitam para se dar a conhecer, dançando, teatralizando a vida em sociedade, batalhando com água ou com confetis. Depois, cansados da festa, regressam a casa, finda a terça-feira gorda, para enfrentar o quotidiano, desta vez sem máscaras, e reencontrar a alegria na partilha dos afectos e nas pequenas vitórias diárias, sempre que se ultrapassam dificuldades.

(publicado no Açoriano Oriental de 15 Fevereiro 2010)

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