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06
Mai10

A verdade dos números

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É recorrente os políticos utilizarem números para suportarem afirmações. Uma percentagem que aumenta ou um indicador que diminui podem ser a confirmação de uma boa política ou, pelo contrário, a demonstração da sua ineficácia.

Mas, por vezes, ouvimos referências a números que são uma mera manipulação, ao serviço de um discurso mal construído e até, de alguma forma, pouco honesto. Recentemente, a presidente do PSD referiu-se às verbas que a Região recebeu nos últimos anos da União Europeia, que considerou uma dádiva anual de 5000 euros por açoriano, tentando dessa forma provocar um sentimento de injustiça e desconfiança perante o modo como esses fundos foram utilizados.

Esta não é certamente a forma mais correcta de medir o impacto de um apoio financeiro que se destinou ao investimento em infra-estruturas e se transformou, por exemplo, em ampliação dos portos de diferentes ilhas, na construção de novas escolas ou na melhoria das estradas, que todos os dias beneficiam a vida de milhares de pessoas.

Não faz sentido tentar por em causa o modo como a Região utilizou estes fundos europeus e não assumir a importância do Fundo Social Europeu, que assegura o funcionamento da maioria das escolas de ensino profissional, sem as quais, dificilmente, muitos jovens açorianos teriam acesso a empregos qualificados.

Os números servem para elucidar, confirmar e medir um fenómeno, mas também deviam servir para nos fazer pensar. Quando são mal utilizados, servem para justificar críticas infundadas, particularmente como as que se fazem à segurança social, quando se comenta a forma como se ajudam, monetariamente, famílias carenciadas, pessoas com dificuldades de inserção no mercado de trabalho ou idosos que nunca descontaram para a reforma.

Influenciados pelos tempos difíceis que o país e a região atravessam, marcados pelo desemprego e a baixa do poder de compra, com muita frequência se ouvem comentários negativos aos números do rendimento social de inserção. Porque se conhece uma família que recebe o equivalente a um salário mínimo, mesmo que se trate de uma mãe com cinco filhos, fala-se desta prestação social como um apoio imerecido, que fomenta a preguiça. Não esqueçamos que o montante de referência para a definição deste apoio é de 180 euros mês por pessoa e, em muitos casos, são sobretudo as crianças quem mais beneficia desta ajuda.

Mas, se queremos usar os números, não podemos generalizar as situações que conhecemos, nem repetir cem vezes o que ouvimos dizer sobre a vizinha do lado que beneficia deste ou de outros apoios.

Se queremos números, então fixemos estas médias: o RSI representa, na Região Açores, nove euros por dia por família ajudada ou dois euros e meio por dia por beneficiário. Por outro lado, o montante que o nosso país despende com esta prestação equivale a uma contribuição de quatro euros por mês, de cada um de nós.

Os números só falam verdade quando os utilizamos de forma verdadeira.

(publicado no Açoriano Oriental a 2 Maio 2010)

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