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17
Mai10

Santidade

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No espírito da fé cristã, somos todos vocacionados a ser santos.

Santos não são apenas os que a tradição nos habituou a ver nos altares.

A santidade é um desafio de outrora e de hoje, que se coloca a todo o ser humano. Sinónimo da procura permanente da perfeição, a santidade dignifica o ser humano e é um espelho do que há de melhor em cada pessoa.

Mas onde estão esses santos, quem são? Porque não fazemos estátuas das suas figuras ou não se editam livros sobre as suas histórias de vida?

Na maioria dos casos, as marcas destes santos ficaram no anonimato das suas existências. Morreram em campos de concentração, foram vítimas da prepotência de regimes autocráticos, condenados a uma cadeira eléctrica sem conseguirem provar a sua inocência, escravizados em roças ou explorações agrícolas, condenados a trabalhos pesados ou explorados em redes de tráfico humano. Esses homens e mulheres são santos sem nome, que santificaram o mundo por onde andaram, sem nunca cederem, no seu interior, à força de quem os maltratava ou perante as dificuldades que tiveram de enfrentar.

Na visão mais tradicional, os santos são mediadores de pedidos ou de graças, entidades protectoras com benefícios específicos. E os outros!? Exemplos de dedicação, que ninguém ouve reclamarem, perante os cuidados diários que prestam a um doente acamado ou a um deficiente profundo. Pessoas que trabalham, sem desistir, nos bastidores da vida de outros.

Como classificar aqueles que partilham os seus rendimentos com os mais pobres ou patrocinam os estudos de jovens carenciados?

São, certamente, os santos dos nossos dias. Aqueles que lutam por ideais de justiça. Talvez não estejam nos altares, mas são santos, aqueles que ainda hoje morrem nas prisões por não cederem nos seus princípios éticos ou são perseguidos por defenderem direitos humanos ou lutarem por regimes democráticos. E tantos outros, onde quer que estejam, que lutam por um mundo melhor.

A santidade transparece na vida exemplar de quem nunca foi corrupto e sempre condenou procedimentos ilegais, mesmo que isso tenha custado o emprego, ser afastado ou marginalizado.      

Santos são referências humanas, com histórias de vida exemplares, onde transpira coragem e luta interior, para quem a doença ou adversidade não são barreiras, mas trampolins; gente capaz de ajudar no meio da guerra ou perante catástrofes naturais. Sinais de esperança e optimismo que se erguem no meio dos desesperados; braço forte que levanta quem está caído.

Buscar a santidade não é utopia, mas a procura permanente da perfeição que transforma o ser humano e concretiza o projecto de uma vida. Afinal, cada um de nós tem uma missão, um contributo que é um rasto da sua presença. Um traço de luz que alguns reconhecem, mas que muitos ignoram.

Quantos santos e santas são anónimos na multidão, cujo exemplo continua a tocar a vida de muitos outros, com traços de santidade.

(publicado no Açoriano Oriental a 10 Maio 2010)

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