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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Liberdade, igualdade e fraternidade

Divisa associada à revolução francesa, que reúne três princípios fundamentais da vida em sociedade. Liberdade, igualdade e fraternidade são valores que norteiam as democracias ocidentais e fundamentam muitos dos movimentos cívicos em prol dos direitos humanos.

Mas é precisamente no país que inspirou o mundo com estes princípios que, recentemente, foram tomadas medidas contra as minorias mais desfavorecidas, a começar pelos ciganos, que visam abranger todos os cidadãos que “incomodam”, por serem imigrantes e estorvarem a sociedade francesa, brilhante e “glamorosa”, onde parece não haver lugar para sem-abrigo, mendigos, indigentes ou simplesmente para quem não interessa ao país.

O governo francês decretou a expulsão de milhares de ciganos, comunidades inteiras obrigadas a regressar às suas origens. Se não fora o facto de ter sido o presidente do Governo francês a decretar tal medida, dir-se-ia que a proposta partiu dos radicais de direita, que nunca esconderam a xenofobia e o racismo com que encaram as minorias étnicas.

Como pode um país, que se afirma defensor da liberdade, igualdade e fraternidade, pretender eliminar cidadãos, cuja cultura itinerante e fortemente estudada por antropólogos franceses, sempre foi marcada pelo enraizamento temporário e uma actividade económica ambulante?

Como pode um país que se construiu, também, com a ajuda de muitos imigrantes, incluindo portugueses, enxotar aqueles que não conseguiram atingir níveis médios de rendimento e sofrem as consequências de terem aceitado trabalhar sem condições nem garantias; que ocupam os lugares que os franceses rejeitam e vivem em alojamentos de periferia, para onde sempre foram empurrados os que não interessava misturar?

Que cidadania é essa onde os direitos são privilégios de alguns?

Vivemos numa aldeia global e é hipócrita aceitar os imigrantes enquanto trabalham sem condições de segurança e depois recusar-lhes o direito e o apoio à integração, quando perdem o emprego ou a saúde!

Até o Papa reprovou a expulsão dos ciganos e apelou ao acolhimento.

Liberdade significa diversidade. Não é compatível com arrogância, ou silenciamento das vozes contrárias.

A igualdade não anula as diferenças, mas reconhece a humanidade que dignifica o ser humano, qualquer que ele seja, em contexto de integração ou excluído dos padrões ditos normais.

Um país que nega a diversidade que o caracteriza, recusa o direito à integração e escolhe quem pode ser cidadão de direito, não conhece o significado da palavra fraternidade.

Sarkozy associou os ciganos à criminalidade, expulsou comunidades inteiras, porque, supostamente, alguns dos seus membros ameaçavam a segurança do país e prepara-se para “limpar” o país de outros imigrantes, a pretexto de estar a proteger os seus compatriotas. E há franceses que aplaudem, voltando a cara para não ver como vivem esses imigrantes, nem reconhecer como lhes é negado o acesso ao trabalho, ao mercado da habitação ou ao crédito bancário e como são discriminados nas escolas. Esses sim são factores que podem estar na origem da criminalidade.

Liberdade, igualdade e fraternidade, uma divisa esvaziada de sentido por políticos que desrespeitam os direitos humanos.

(publicado no Açoriano Oriental a 13 Setembro 2010)

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