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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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18
Ago11

Falta fazer o fato!

sentirailha

Andava um homem pela rua, de olhos postos no chão, quando deparou com um botão metido entre as pedras da calçada. Era um botão escuro de quatro furos, desses que outrora se colocavam nas braguilhas. Sorte! Dizem as vozes do povo. Mas o que fazer com este botão!? Já agora, pensou de imediato o homem, vou fazer um fato. É a melhor forma de o aproveitar.

Esta historieta é bem o retrato do despesismo a que muitos terão de por fim, se quiserem viver em tempos de austeridade. Compram uma peça, pode ser de vestuário ou um pequeno móvel, até pode ser uma torneira porque avariou a da cozinha, e logo a seguir proclamam a frase fatal: já agora! Já agora, levo também as calças ou a gravata a condizer; aproveito o preço e compro o espelho que talvez fique bem sobre o móvel; ou então, renovo por completo o lava loiças.

Quando não se tem uma ideia clara do que se quer e do que pode comprar, acaba-se sempre por gastar mais do que a conta. Muitas vezes fica-se com o objecto na mão, sem saber onde colocar! São uns brincos demasiado vistosos que não combinam com a roupa e “pedem um vestido novo”; é um projecto de museu, qual obra-de-arte adquirida em regime de franchising, que não se enquadra no lugar que, supostamente lhe estava reservado, por não ter sido pensado como edifício, integrado nesse espaço.

Em qualquer dos casos, sejam os brincos ou a obra-de-arte, a única forma de corrigir a mão é gastar mais dinheiro: compra-se um vestido ou procura-se um terreno, compatível com a compra desajustada.

Esta tentação de gastar para justificar um erro é fatal nas finanças de uma casa, de uma empresa, de uma autarquia ou de um governo e revela falta de planeamento e de objectivos claros.

Dizem os entendidos que, quando se vai às compras, se deve levar uma lista de necessidades e que nunca se deve ir ao supermercado com o estômago vazio, pois a tentação de comprar alimentos desnecessários e pouco saudáveis é maior.

Noutros domínios, todos devíamos agir do mesmo modo. Ninguém deveria sair de casa para fazer compras sem ter consciência das suas necessidades e das suas prioridades. Porque, não faltam objectos que gostaríamos de ter, mas é fundamental perguntar-se, será que preciso? Poderei dar-lhe a devida utilização e rentabilidade?

Mas se às pessoas se exige ponderação e bom-senso, o mesmo deve ser aplicado aos governantes, do poder local, regional ou nacional. Porque não basta falar de crise e de austeridade, é preciso pensar o impacto futuro das decisões que se tomam no presente. E, nesse domínio, há investimentos que não têm pernas para andar e, pelo contrário, há despesas que, na realidade, são investimentos que se tornam reprodutíveis, criadores de riqueza e de mudanças positivas.

Todos temos de aprender a ser bons gestores nestes tempos de austeridade, cortando nos excessos, sem por em causa a qualidade; ponderando investimentos, tendo sempre em atenção que o impacto não deve ser medido, apenas, olhando o presente, “poupei uns trocos”, mas tendo em conta o futuro, a sustentabilidade desse investimento, “vou poder fazer mais com menos”.

Se a vida é feita de oportunidades, uma oportunidade só é uma encruzilhada de sucesso, quando sabemos que rumo queremos dar à vida.

(publicado no Açoriano Oriental a 15 Agosto 2011).

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