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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Olhar azul

Se pudéssemos fotografar a vida de uma pessoa, talvez a imagem fosse semelhante ao traço de luz de uma foto noturna tirada quando dezenas de veículos circulam a grande velocidade. Entre os muitos traços de luz, cada vida é apenas um, mais ou menos intenso, que a certa altura se apaga, enquanto outros avançam.

É efémera a luz de uma vida, mas quem dela beneficia sabe o quanto significa em termos de força, presença, orientação.

Quando esse traço de luz se apaga, fica um sabor amargo de ter de continuar a viagem sem poder partilhar essa força anímica, mas com a plena certeza de a trazer gravada no coração, na mente, em memórias que não se apagam, num sorriso que não se esquece e num olhar tranquilo, um olhar azul.

 

Nos teus olhos, aprendi o que era amar,

E a ter força para caminhar.

No teu olhar, descobri a firmeza e a doçura,

De que precisava para viver e lidar com a dificuldade em avançar.

Há poucos olhos como os teus,

Onde a força se mistura com a ternura,

Onde a certeza se transforma em apoio,

E a repreensão é sempre ajuda.

Há poucos olhares como os teus,

Onde não há violência, mas chamadas de atenção,

Onde não há agressão, mas compreensão.

Nos teus olhos, aprendi a ser filha e a ser mulher,

A ser mãe e amiga,

Porque nunca me recusaste uma bênção ou uma palavra,

Estavas ali, sempre, para me ouvir com esses olhos,

Atentos ao que te dizia, seguindo o meu pensamento como guia.

No teu olhar azul, deixaste-me mergulhar,

Todas as vezes que me senti sozinha e perdida,

Foste o meu horizonte, a minha meta, o meu porto refúgio.

No teu olhar, aprendi a nadar,

Primeiro a medo, depois segura que nunca me deixarias afogar,

Mesmo que por vezes me largasses,

E me deixasses afundar,

E sentisse que, estando tu ali, eu me podia abandonar.

No teu olhar azul,

Aprendi a ser, a crescer e a dar,

Porque nunca fechaste essa porta, esse teu mar.

Nunca me disseste, não podes, mas me fizeste pensar.

Como eu gostava que nunca se apagasse esse olhar,

Que me enche a alma de ternura e força,

E me faz avançar.

Obrigada, olhar azul.

 

(Em memória do meu pai de olhar azul, José Manuel Lalanda Gonçalves)

(publicado no Açoriano Oriental de 30 Janeiro 2012)

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