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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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A violência das palavras

O dia 25 de Novembro foi internacionalmente consagrado à eliminação da violência contra as mulheres. Dirão alguns, mas porquê as mulheres? A violência deve ser eliminada, independentemente de quem é vítima.

Não há dúvida. Mas, a violência sobre as mulheres surge, infelizmente, entrelaçada em relações culturalmente aceites e até socialmente enquadradas. Expressões como “o meu marido não quer que eu trabalhe”; “o meu namorado não gosta que eu corte o cabelo”; “eu não vou estudar para a Universidade, porque o meu noivo é muito ciumento e não ia aguentar viver longe de mim”, não são tiradas de uma qualquer telenovela, são reais. Em todas, surge uma mulher submissa que se verga perante a vontade de um companheiro, mesmo que isso não signifique ser vítima de maus-tratos físicos.

A violência sobre as mulheres não tem só o rosto da pancada, pode estar disfarçada em palavras.

Palavras que se atiram como pedras, insultos que se dizem aos gritos ou em surdina, em tom de escárnio ou desprezo, humilhações que são como pés que esmagam a vontade de viver e sobretudo, amarfanham a dignidade do outro.

A violência sobre as mulheres acontece em muitos meios familiares, não apenas naqueles casos onde se bate, mas em muitas outras situações onde há mulheres que são vítimas do esquecimento; precisam de descansar e trabalham pela noite dentro, suspiram por um momento de prazer mas passam o tempo cuidando dos outros, atentas às suas necessidades de conforto. Mulheres que são exploradas no mundo do trabalho, abusadas por companheiros e até maltratadas por filhos, mas que vivem caladas num quotidiano sofrido, aparentando uma disponibilidade permanente.

Há mulheres que referem não ter tempo para o cabeleireiro e, quando vão, em vez de um elogio ouvem o recado do marido: “para que foste gastar esse dinheiro, se não ficas mais bonita por isso!” Aos poucos vão deixando de gostar de si próprias.

Estas também são mulheres vítimas de violência. Não porque alguém as maltrata fisicamente, mas porque ninguém reconhece que também elas têm direitos.

A violência destrói qualquer relação, seja conjugal ou outra, porque é uma linguagem que destrói o outro, feita de ódios, ciúmes, vingança ou brutalidade. Ninguém pode dizer que ama, destruindo o outro.

Infelizmente, as estatísticas referem que morrem mulheres por maus-tratos todos os anos. Em 2006 segundo um estudo revelado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, morreram 39 mulheres em Portugal na sequência de maus-tratos e 43 foram vítimas de agressões graves ou tentativas de homicídio. Casos reais vividos “portas adentro” de muitas casas.

Como evitar!? Como deixar de ser vítima ou denunciar, quando se perdeu a capacidade de reagir?

Em primeiro lugar não compactuando com a violência! Eliminando ou rejeitando qualquer tipo de discurso ou comportamento que mine as relações, como é o ciúme, a desconfiança permanente, o controlo e o autoritarismo. A paz e a harmonia numa relação não se conseguem sem confiança, liberdade e respeito mútuo.

Não só as pancadas magoam, as palavras conseguem ser mais duras e cruéis, porque deixam marcas nas relações e ensombram a alegria de viver.

Em ano dedicado à promoção da igualdade de oportunidades, porque não apelar para a Eliminação da Violência das Palavras que destroem a dignidade das mulheres!

(publicado no Açoriano Oriental a 19 de Novembro 2007)

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