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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Igualdade

Está prestes a terminar o ano que a Europa dedicou à Promoção da Igualdade de Oportunidades para Todos, apesar deste ser um tema de reflexão e debate para uma década ou até mais.

A palavra igualdade assusta, gera controvérsia e até pode ser polémica. Dizer que se vai tratar todos como iguais provoca reacções e vozes contrárias. Como dirão alguns, é bonito falar de igualdade, mas infelizmente “há uns que são mais iguais do que outros”.

A igualdade nunca pode ser entendida como semelhança absoluta. Falar de igualdade é reconhecer um princípio de garantia de acesso. Acesso igual em termos de direitos e oportunidades, ou seja, igualdade perante a lei, na dignidade e no respeito pela individualidade.

Não é difícil apontar as diferenças que nos fazem viver afastados uns dos outros, basta pensar nas zonas de residência, na escolha das escolas, dos restaurantes ou espaços de férias. Afirmamo-nos como diferentes pelo emprego, pelo género ou pela idade, pela classe a que supostamente pertencemos, pelo grau de conhecimentos ou simplesmente pelo valor dos bens que adquirimos. Por isso, não é difícil encontrar diferenças.

Infelizmente, esquecemos o facto de todos nascermos e morrermos de forma idêntica, como seres humanos, dotados de um nome, de uma identidade e de uma vida finita. Perante a morte somos todos iguais.

Consagrar um ano à promoção da igualdade não fez mudar o mundo. No entanto, espera-se que tenha sido um alerta para diferentes formas de desigualdade, nomeadamente as de género, lembrando por exemplo, que ainda hoje, há empresas que recompensam os pais, homens, por não faltarem ao emprego para ir ao médico ou à escola dos filhos.

A igualdade não é uma questão de resposta meramente jurídica, nem se resume ao princípio consagrado em tratados ou cartas universais. Estamos perante um valor em que se acredita ou não. Um valor que deve condicionar atitudes, decisões e comportamentos.

Também não é um princípio transitório que se pode esquecer passado um ano de reflexão. Podemos até eliminar barreiras e alterar a legislação, mas enquanto não abandonarmos os preconceitos, as desconfianças ou falsas generalizações dificilmente aceitaremos as diferenças, ou ajudaremos a sociedade a reconhecer e a aprovar medidas que favoreçam a igualdade de acesso e de oportunidades.

A igualdade começa na forma como olhamos os outros, em particular, aqueles que são diferentes ou se quisermos, aqueles que são menos iguais. Aprende-se, educa-se. Tal como qualquer outro valor, é inspirador de comportamentos e deve enformar o modo como se educam os mais novos, ensinando-os a distinguir sem hierarquizar; a reconhecer limitações sem discriminar, promovendo a tolerância, o acolhimento e a cooperação.  

Viver a igualdade é utopia, não por ser inacessível, mas por ser uma construção permanente, um desafio que desinstala e desassossega.

Mas, apesar de utópico, há um caminho para chegar à igualdade: reconhecer e aprender a descobrir a riqueza da diferença.

(publicado no Açoriano Oriental no dia 17 de Dezembro 2007)

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