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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Politiquices à parte, a verdadeira política

Politiquice é o que fazem aqueles que tudo agitam mas que nada decidem; é o que se diz num murmúrio, no maldizer e nas análises demagógicas, onde tudo se critica só porque foram outros a fazer e nada faz sentido, porque foram outros a planear.

A verdadeira política faz-se de análises objectivas e de reflexões sensatas, pondera todos os factores, tem em conta a história e os actores que a vão construindo. A política que transforma e responde às necessidades dos cidadãos, nunca é estática, mas sendo crítica não destrói o passado, antes sabe analisá-lo para melhor definir estratégias; contextualizando, procura linhas de força e reconhece pontos fracos.

Não basta dizer, “deviam ter feito isso e, se não o fizeram agora é tarde, não é possível remediar”, porque a política do “bota abaixo” é sempre sinónimo de retrocesso. Apregoando fazer melhor, a politiquice faz o discurso da destruição para então renovar, como se a história tivesse de ser reescrita de cada vez que mudam os actores.

As mudanças só são eficazes se reabilitarem e, sem condenar as opções anteriores, forem sinónimo de esperança e renovação. Corrigir trajectórias não é refazer caminhos, mas reanalisar o mapa. Por isso, quando se ouvem os políticos do maldizer “atirar a tudo o que mexe”, raramente se entende o que fariam se tivessem sido eles a decidir. Dizem que está mal, que nada se aproveita, mas não assumem uma solução alternativa.

A politiquice não constrói um pensamento estruturado, não revela valores, princípios estruturantes, só alimenta comentários, conversas de café, um diz que diz que congrega descontentes e, sobretudo, faz coro com as lamentações dos que choram a perda de privilégios injustos.

A politiquice é sempre uma opinião redutora que não esclarece. Funciona rasteira e por isso pode ser baixa, desonesta e até ofensiva. Mas com tudo e por tudo isso, consegue agitar, confundir e baralhar. Não raras vezes, quem faz da sua actuação política uma forma de politiquice apenas quer derrubar um outro ou “eles”, porque não são da mesma cor e não fazem parte do nosso grupo, moram no bairro vizinho ou defendem uma associação rival. Para os politiqueiros, peritos em politiquices, os nossos são sempre os melhores, mesmo quando jogam mal e cometem faltas.

Na política verdadeira o discurso tem outro nível, acolhe todas as opiniões válidas e analisa os contraditórios; alimenta-se de valores e constrói pensamentos estruturantes. Atentos ao mundo, os verdadeiros políticos são capazes de admitir os erros cometidos e as orientações menos ajustadas; vivem permanentemente inquietos, em busca de explicações e de razões, e cultivam a arte da reflexão que fundamenta as escolhas mais acertadas.

A politiquice não constrói futuro, nem abre caminhos novos, antes cria atalhos, becos sem saída, onde tudo parece ficar encurralado. Nada se resolve, mas enquanto as pessoas não se apercebem que o que afirmam não faz sentido, criam a ilusão de um caminho possível, apontando em permanência os defeitos e os desajustes da estrada que pisam.

A verdadeira política tem uma visão prospectiva, sem deixar de ser vigilante do presente, aponta estratégias que dão forma ao futuro.

Politiquices à parte, é preciso discernir a verdadeira política e os políticos de verdade, aqueles que estruturam e consolidam o futuro e não se alimentam das aparências do presente.

(publicado no Açoriano Oriental a 14 de Janeiro 2008)

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