Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Acolher

O Papa Francisco na sua recente visita a um campo de refugiados na Grécia voltou a desinstalar os governos e os cidadãos do mundo inteiro, crentes ou não na força do Espírito. Num gesto simbólico, ofereceu acolhimento no Vaticano a três famílias de refugiados. Alguns dirão, o que são doze pessoas? Uma gota no oceano de desespero que marca a vida de milhares de refugiados. Mas, simbolicamente, o Papa demonstrou que a resolução desta situação começa na vontade genuína em acolher.

Acolher significa juntar, reunir. E, cada vez é mais notório que, depois de tantas mortes em pleno mediterrâneo e de milhares de pessoas resgatadas, a Europa continua com dificuldade em demonstrar, na prática, que aceita recebe-las e não receia que façam parte das suas comunidades. Entre notícias e discursos, no fundo os responsáveis europeus temem contacto com estes refugiados, que associam ao terrorismo e aos atos violentos que ocorreram recentemente.

Encurralados em campos, vivendo entre um presente de horror e um futuro incerto, o mundo acaba por esquecer o quão urgente é cuidar, alimentar e proteger estas famílias, com dignidade.

O que faríamos se vivêssemos numa situação semelhante, no meio de bombas e extremismos, perante radicalismos religiosos ou políticos, receando pela vida dos filhos, sem esperança no futuro?

A humanidade é o que nos torna iguais a todos os outros, onde quer que vivam, seja qual for a língua que falam ou o credo que professam. O Papa não exigiu que escolhessem doze católicos, mas pediu ao governo de Atenas que selecionasse aleatoriamente doze pessoas de entre os refugiados.

Acolher não é apenas receber, mas ligar-se ao outro e com ele partilhar recursos. E essa é, por ventura, a principal dificuldade de todos os países que se dizem desenvolvidos. Olham e tratam os refugiados como estrangeiros, estranhos que não conhecem e defendem-se, como sempre, com a burocracia. Regulamentos e formulários, autorizações e carimbos tornam complexas e atrasam decisões, adiando o acolhimento e por vezes a própria sobrevivência, neste caso de famílias inteiras de refugiados.

O acolhimento não se faz com palavras mas com atos. "Mostra-me os teus atos e direi em que acreditas!"

Vivemos dias de luto pelos atentados, somos sensíveis ao terrorismo e tememos pela segurança dos nossos. Mas o que fazemos perante a morte de milhares de pessoas em pleno mediterrâneo? Divulgamos nas redes sociais as imagens do terror, como a daquele menino de três anos, morto, numa praia de areia branca, que chegou a ser utilizada numa campanha para prevenção da vigilância de menores em praias!

Também aí o Papa Francisco teve um gesto simbólico, juntamente com outros líderes religiosos, assinalou com flores o lugar onde tantos perderam a vida, em busca de paz e de segurança.

Na defesa da dignidade humana não há lugar a credos, ideologias ou burocracias, mas à gestão das necessidades de quem foge do terror. Algo que também já afligiu a Europa que agora se recusa a acolher.

Quantos europeus no século XX não precisaram fugir aos horrores da guerra, fossem os campos de concentração ou os conflitos religiosos!

A memória é curta e injusta! Já fomos vítimas do medo e da insegurança e agora encurralamos outras vítimas às portas da Europa.

Falta descobrir o sentido do acolhimento. Para tal são importantes gestos, atos, mesmo que simbólicos. Se cada governo ou cidadão europeu reagisse ao horror desta crise dos refugiados, de forma concreta e eficaz, até o terrorismo perderia força.

(artigo publicado no Açoriano Oriental de 19 de Abril 2016)

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D