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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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As Sufragistas

Nem sempre a História soube reconhecer o mérito de quem lutou, com a própria vida, para que outros tivessem direitos consagrados em lei, particularmente, quando essas lutas foram e são protagonizadas por mulheres.

Recordo ouvir dizer "tem um ar sufragista", para rotular uma mulher que punha em causa o estereótipo da esposa submissa, dedicada aos outros, que se apaga para que a família tenha conforto e comida na mesa.

Longe dessa imagem de mulher fria e distante, as sufragistas recordam uma página da história europeia, de luta por um estado de direito, com base no sufrágio universal, prenúncio de muitas outras reivindicações, em diferentes países, por sociedades mais igualitárias e justas.

Infelizmente, a luta pela igualdade de género continua a fazer sentido no séc. XXI, quando governos, como no Brasil, pretendem combater a "ideologia de género" e pintar o país de azul e cor de rosa, o mesmo é dizer, institucionalizar a separação de papéis, funções e direitos em função do sexo.

Nunca é demais recordar que a igualdade de género é uma face da democracia. Não se trata de reivindicar direitos para as mulheres, mas alterar a relação entre homens e mulheres, seja no mundo da casa ou do trabalho, da política ou das profissões, denunciando a desigualdade de poder, a violência ou a exploração.

Mas porque é tão difícil afirmar a democracia?

A história das mulheres que lutaram, nas primeiras décadas do século XX, pelo sufrágio universal é bem demonstrativo dessa dificuldade*.

Não se trata apenas de mudar a lei, mas de transformar a própria estrutura da sociedade, formas de pensar, significados associados ao que é ser homem ou mulher, papéis atribuídos, tarefas tidas por serem próprias do feminino ou do masculino, inculcadas no pensamento e no comportamento desde a infância, condicionando escolhas, limitando relações e, sobretudo, formatando o exercício do poder.

Falar de igualdade de género, não é apenas, pretender mudar a sociedade, mas transformar a sua forma de pensar. Não se trata de defender uma minoria que, na realidade não existe, já que o mundo se divide em partes, quase iguais, de homens e mulheres. Mas fazer um exercício de democracia, enquanto partilha de opiniões, construção de soluções na partilha do poder, diálogo e reconhecimento da diferença.

Sem extremismos, estão em causa direitos humanos e o reconhecimento de que o mundo é melhor quando todos temos acesso à palavra e podemos, em cooperação, construir uma sociedade mais justa e livre.

Porque é de liberdade que se trata.

Se a igualdade de género é uma face da democracia, sem sombra de dúvida que é, também, uma expressão da liberdade de ser, estar e participar.

Num mundo cada vez mais global, onde as tecnologias da comunicação abrem estradas de descoberta, nascer mulher não deveria ser uma condenação, como infelizmente ainda acontece, quando as mulheres são reduzidas à sua função reprodutiva, objeto de exploração ou discriminação.

A luta pelo sufrágio universal marcou o século XX, mas outros desafios se colocam no século XXI, em defesa da dignidade e de uma sociedade plural.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 8 janeiro 2019)

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