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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Desinteresse

Eis a designação de uma doença grave que atinge, por vezes, de forma intensa e prolongada, uma parte dos cidadãos. Diria que não escolhe idades, mas é sobretudo manifestada pelos mais jovens.

"Não me interessa, não me apetece, hoje não! Quem sabe, amanhã!?"

O desinteresse é um sentimento, supostamente neutro, que corrói a motivação, o espírito empreendedor, a vontade e toda e qualquer força interior que permite ao ser humano ser proactivo, lutador e capaz de enfrentar as mínimas ou as máximas dificuldades.

Esta forma de se afastar, desistir, que leva muitas vezes ao isolamento, cria um vazio, quando não é mesmo uma barreira, que parece intransponível para quem procura motivar, agitar esse marasmo. Nada parece funcionar. Que o digam os pais que organizam um passeio e o filho adolescente recusa-se a ir, ou os professores que mudam a estratégia na sala de aula e, mesmo assim, não convencem os alunos a participar, ou ainda, os próprios jovens que organizam atividades e recebem um redondo não, dos adultos que não veem qualquer interesse em fazer diferente o que sempre foi assim.

O desinteresse é o pai da desmotivação, do marasmo e da estagnação. Tudo o que concorre para que não haja mudança, desenvolvimento e transformação.

Por tudo isso, é importante combater o desinteresse.

Não é preciso fazer o pino ou inventar a roda, porque não basta inovar nas respostas. É preciso, antes de mais, compreender a origem da desmotivação.

O desinteresse leva ao isolamento e esse é um sinal de alerta, quando alguém perdeu ou deliberadamente rompeu a relação com o outro. Não se sente útil, nem necessário. Não vê qual o seu contributo, qual a diferença que a sua participação pode fazer. Por isso, julga que estar ou não estar presente, não faz qualquer diferença.

O desinteresse toma conta dessa apatia e cria rotinas centradas no próprio, onde os outros são, aparentemente, dispensáveis.

Por isso, antes de inventar viagens, passeios, estratégias para mobilizar quem nunca quer participar, o mais importante é ouvir, escutar e valorizar a pessoa que cada um é, o contributo que cada um pode dar.

O mundo não muda apenas porque há políticos preocupados com o desenvolvimento e organizações internacionais a negociar a paz ou a concretizar projetos inovadores.

O mundo precisa de cada um de nós para construir uma humanidade melhor, tal como a praia precisa de milhões de grãos de areia.

Cada um de nós é como um grão de areia, ou se quiserem, um grão minúsculo de fermento, que pode, em conjugação com os outros, transformar a massa, mudar a paisagem, fazer a diferença.

Se não reconhecermos esse poder, se não acreditarmos na força que cada pessoa tem, nada nos irá motivar, não há interesse em participar, o mesmo é dizer, não há razões para nos ligarmos aos outros.

Combater o desinteresse é descobrir o prazer de estar ligado à natureza, ao mundo, aos outros que nos rodeiam e, ligados, contribuir para transformar, intervir, participar.

Há que estar alerta, porque o desinteresse favorece as dependências, nomeadamente a dos videojogos, recentemente reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, como perturbação mental.

O desinteresse enterra o ser humano em si próprio e destrói a dimensão que o faz ser pessoa, ou seja, ser relacional por natureza. Precisamos todos uns dos outros e sem cada um de nós, sem o pequeno contributo que cada um dá, o mundo seria bem mais pobre.

(texto publicado no Açoriano Oriental de 23 janeiro 2018)

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