Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Dias de balanço

Era dia de balanço no armazém e o meu avô só chegava à hora do jantar. Nesse dia, 31, o inventário dos stocks tinha de ser feito, para se poder abrir um novo livro de contabilidade no ano seguinte.

Fazer o balanço era a principal tarefa, fosse no armazém ou nas nossas vidas, sobretudo durante a missa de Tedeum, que se rezava na capela de Santa Bárbara, atualmente integrada no Museu Carlos Machado.

Envoltos no cheiro a incenso e nos cânticos de Natal, sentia-se um misto de alegria e tristeza, de angústia e curiosidade.

Afinal, sempre que chegamos a esse dia que, sendo igual aos outros, encerra um ano, somos levados a pensar em tudo o que de mais significativo aconteceu, o que ganhamos e perdemos, o que fizemos ou deixamos por fazer.  

Pensar no novo ano traz um gosto agridoce à boca! Que bom, poder renovar os votos, reposicionar os objetivos! Mas, será que é desta que se irão concretizar? Estaremos todos cá para os ver acontecer?

A oração da serenidade, de Reinhold Niebuhr é um bom lema para enfrentar a angustia do novo ano: "Concedei-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras."

Se todos nós, em particular os dirigentes políticos, seguíssemos esta máxima, muitos conflitos e impasses seriam evitados.

Mas, falta serenidade, discernimento e, sobretudo, sabedoria.

Uma sabedoria que não vem nos livros, nem nos tratados, que não se confunde com "esperteza" ou "velhacaria", mas que é capaz de distinguir o que se pode mudar do que se deve respeitar, o que deve ser um objetivo imediato, daquele que exige tempo e distanciamento para se concretizar.

Dias de balanço, é tempo para pormos em cima da mesa o existente, o que ficou deste ano que termina, e o saldo que transportamos para o próximo.

Talvez seja melhor dar baixa do que está estragado e que não vale a pena aproveitar, limpar o lixo e deitar fora o supérfluo. Afinal, o que é mais importante? Que projetos vale a pena retomar ou começar?

Lembro uma história, que me contavam em criança, de uma jovem que estava sempre a começar novos trabalhos de mãos. Uma toalha bordada a ponto matiz foi posta de lado, para iniciar um naperon de renda, que também a aborreceu; logo depois iniciou um quadro a ponto de cruz, que teve a mesma sorte. Sempre que perdia o entusiasmo por um trabalho iniciado, abandonava-o. Aproximava-se o dia do casamento e amontoava-se um enxoval inacabado, que a mãe foi entregar a outros para que o terminassem.

Por vezes levamos a vida assim, num pega e larga, entre paixões e desilusões, entusiasmos e desinteresses.

Fazer o balanço é reconhecer o caminho trilhado e identificar os becos, que nos obrigaram a recuar e fizeram perder tempo. É retomar projetos válidos, que ficaram "na cesta" por falta de esforço e capacidade de sofrer. Nada se conclui, se apenas investimos quando nos dá prazer ou achamos a tarefa fácil. Os resultados vem, quando, passando essa fase de enamoramento, ultrapassamos dificuldades, barreiras e acreditamos no sentido que queremos dar à vida.

Dias de Balanço é também tempo para avaliar o que fomos capazes de fazer da pessoa que somos e de nada serve regozijarmo-nos por termos deixado tantos talentos enterrados à espera de melhores dias: "hoje não, amanhã? Talvez!!"

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas!

Quando erguermos o copo à meia-noite do dia 31, vale a pena desejar Serenidade, Coragem e Sabedoria para 2018!

(texto publicao no jornal Açoriano Oriental de 27 dezembro 2017)

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D