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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Humanizar a humanidade

É uma contradição e uma realidade. É preciso humanizar a humanidade! Relembrar e reavivar a essência dos Direitos Humanos, a dignidade, esquecida e ultrapassada por outros interesses, bem mais materialistas e individualistas.

Dotados de inteligência, os seres humanos julgaram, erradamente, que isso lhes bastaria para garantir a felicidade.

Enquanto homo, duas vezes, sapiens, esqueceram que a evolução, o desenvolvimento, dependem de uma outra dimensão, fundamental, a afetividade. Só pela afetividade e emotividade, conseguimos recordar, fazer memória, sentir e compreender.

Não basta sermos inteligentes! Se não tivermos em conta os afetos, corremos o risco de desumanização, sobretudo, perante os avanços da tecnologia dotada de inteligência artificial. Em que sociedade esperamos viver, quando tudo se basear num qualquer algoritmo, que calcula a melhor resposta, antecipa as músicas que gostamos de ouvir ou determina o diagnóstico que nos levou à urgência do hospital?

Sem afetividade, a inteligência pode destruir, artificializar a existência e instrumentalizar as relações.

O que nos distingue dos outros seres vivos não é apenas o facto de sermos animais dotados de inteligência ou racionalidade, mas pessoas de afetos e emoções, que precisam de proximidade, intimidade e sensibilidade para serem felizes e usam essa afetividade com inteligência.

São os afetos que nos ligam aos outros, é no cuidar que manifestamos atenção, carinho e capacidade de compreensão da diversidade do mundo que nos rodeia.

A vida não pode ser gerida apenas por critérios económicos, custos e ganhos, perdas e lucros. O ser humano é muito mais do que esta contabilidade, sobretudo, quando descobre que há prendas caras que não valem tanto quanto um abraço sentido, afetos que não se obtém nas amizades virtuais.

Razão e afeto são as bases da humanidade. Quando as dissociamos, desumanizamos. Ora porque escondemos as emoções e tratamos a vida a partir de uma folha de cálculo, ora porque não sabemos priorizar e exageramos na exteriorização de emoções, de forma desajustada.

Se tudo for racionalizado, não faz sentido ter idosos dependentes em casa, perder tempo a brincar com os filhos ou sentar-se diante do mar, só para ouvir o marulhar das ondas. Mas se exagerarmos nas emoções, também corremos o risco de tratar os idosos como incapazes, trazer ao colo crianças que sabem andar ou chorar por tudo e por nada, sem compreender a realidade ou descortinar soluções para os problemas que nos afligem.

Precisamos de descobrir o valor do cuidar, para aprender a gerir os afetos com inteligência. Mas, atenção! Cuidar, nada tem de feminino, como alguns ainda teimam em julgar.

Cuidar é ser Humano, o mesmo é dizer feminino e masculino ao mesmo tempo. É ser capaz de associar a sensibilidade e a atenção ao outro, consideradas competências de mulher, com a força da decisão e o poder de influência, traços vistos como masculinos.

Para integrarmos essas facetas há que educar rapazes e raparigas na arte de cuidar, e deixar de dizer que "um homem não chora" ou que "o poder não fica bem à mulher".

Precisamos de cuidar do bem comum, com afeto e inteligência, se queremos defender a humanidade e não mais dizer que é necessário a humanizar.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 10 dez 2019; dia internacional de aniversário da Declaração dos Direitos Humanos).

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