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Menor esperança média de vida nos Açores

Recentemente, o parlamento açoriano votou uma anteproposta de lei que visa reduzir a idade da reforma nos Açores para 64 anos e dois meses, com o fundamento de que, na região, a esperança média de vida (EMV) à nascença é menor (79,2 anos) do que no todo nacional (81,2 anos). São cerca de três anos a menos, segundo dados do INE para 2024.  Mas, essa diferença não existiria se não fossem os homens açorianos, cuja EMV foi de 74,6 anos, enquanto as mulheres atingiram 81,4 anos. Por curiosidade, a esperança média de vida (HM) nos Estados Unidos da América, em 2022, era apenas de 77,5 anos, quando nos Açores, nesse ano, era de 78 anos (HM).

Retomemos os dados de 2024. Na região, os homens viveram, em média, menos quase sete anos do que as mulheres e isso significa, como aliás vem acontecendo há muitos anos e não só na região, os homens morrem mais cedo. É uma triste evidência estatística.

A questão que importa colocar é saber porquê? Porque morrem os homens mais cedo? Como evitar que tal aconteça? O que fazer para que possamos todos viver mais tempo e viver tempo de qualidade?

Certamente que as causas dessa desigual esperança média de vida não se resolvem antecipando a idade da reforma, “naturalizando” uma desigualdade estrutural, ligada à própria saúde dos açorianos.

Quais as principais causas da mortalidade do sexo masculino nos Açores?

Olhemos, apenas, alguns dados, referentes a 2021 (INE), sobre causas de morte. Os Açores registam uma % maior (27,9) do que a nível nacional (22,1) nas mortes por “tumores malignos”, sobretudo no sexo masculino (32,9%), dez pontos acima das mulheres (22,5%), com particular incidência nos “tumores da traqueia, brônquios e pulmão”. O abuso de álcool, sendo menos relevante, causa cinco vezes mais mortes nos homens açorianos, como também são duas vezes mais frequentes as mortes por “doença pulmonar obstrutiva crónica”. São problemas de saúde graves que, infelizmente, registam maior incidência nos Açores, em particular nos homens.

O que é que a Região faz para reduzir o consumo excessivo do álcool e do tabaco? Que programas estão pensados para a prevenção dos tumores malignos, que mais afetam os homens?

Quais as medidas adotadas para reduzir os acidentes de trabalho, de viação ou mesmo as mortes autoinfligidas que afetam, maioritariamente, a população masculina?

A morte não acontece mais cedo apenas por “fatalidade” ou por se ter nascido nos Açores, é o resultado de um percurso de vida menos saudável, riscos desnecessários, maus hábitos alimentares e falta de exercício físico, que geram doenças crónicas e antecipam o fim, antes de tempo.

As mulheres não estão isentas de problemas. Os dados também revelam que, por viverem mais tempo do que os homens, não significa muitas vezes que vivam com mais qualidade. Mas, as mulheres parecem evidenciar maior necessidade de manter a condição física. Consomem menos tabaco e menos álcool, aderem às caminhadas, frequentam ginásios, seguem programas de promoção do exercício físico em canais de Youtube ou na televisão. E isso faz toda a diferença!

Ao pretender reduzir a idade da reforma, será que Região está a enfrentar as causas da menor esperança média de vida dos açorianos?  Ou não serão antes necessárias ações de prevenção e combate dos problemas de saúde, que condicionam e explicam a menor duração de vida, particularmente dos homens?

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 21 março 2025) 

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