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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Misericórdia

O Papa Francisco inaugurou o ano da Misericórdia, abrindo uma "porta", símbolo de transição, ao mesmo tempo abertura e acolhimento.

Pelas portas se entra e sai, se procura refúgio, mas também se parte para o mundo.

De um lado o calor e o conforto, do outro, o frio e o vento.

De um lado, o mundo privado, onde se partilham alegrias e dores, lugar de abraços sentidos e atenção aos que vivem debaixo do mesmo teto. Do outro, o resto do mundo, onde cada um vive para si e passa ao lado, sabe-se lá, de quem!, anónimos cruzando caminhos, num espaço comum, que nem aos vizinhos de andar dizem bom dia.

Pela porta das nossas vidas, deixamos passar uns quantos e barramos a entrada a tantos outros. Dividimos o mundo em "nós" e "eles"; para nos sentirmos seguros, ignoramos quem não conhecemos.

Com esta simbologia da porta, o Papa Francisco mostra-nos como a misericórdia é, antes de mais, uma atitude que desinstala, derruba o comodismo e faz descobrir o mundo dos que não conhecemos, que vivem na sombra ou são rotulados de "indesejados".

Ao contrário do que habitualmente se pensa ou diz, "ter misericórdia" não significa "ter pena" ou "dó". Enquanto estas atitudes distanciam e afastam quem incomoda, a misericórdia é sinal de abertura e acolhimento.

Aliás, essa é a etimologia da palavra misericórdia. De origem latina, conjuga miseratio, que significa compaixão, e cordis, sinónimo de coração. Logo, ter misericórdia significa ter um coração compassivo.

E, ter um coração compassivo é compreender o outro, na sua dor ou alegria; reconhecer as suas dificuldades ou angústias e ser capaz de se colocar no seu lugar.

Quem não tem um coração compassivo, fecha-se em si mesmo, tranca as portas da sua vida e procura conforto nos que lhe afagam o ego e o fazem sentir importante, longe desses outros, meros estranhos, diferentes.

Ter misericórdia é abrir as portas do egoísmo e, sobretudo, do egocentrismo, que faz ver o mundo em função de nós próprios, imunes aos problemas alheios, indiferentes aos seus pontos de vista.

Ter misericórdia é deixar franquear as portas das nossas vidas, aceitar o estranho e aprender com a diferença.

Diferenças à parte, descobrir o que nos une é um ato de misericórdia.

Por isso, a misericórdia aproxima os desavindos e cimenta a construção da paz, ao mesmo tempo que promove uma consciência critica, perante as injustiças, incluindo aquelas que são justificadas por leis.

Conjugar esforços, para derrubar as barreiras da indiferença e do preconceito, é um ato de misericórdia.

Não se trata de ter pena, dó e muito menos fazer um favor ou ceder. A misericórdia é um dever de cidadania, que abre portas à diferença e torna o mundo menos desigual, menos injusto.

Nas palavras do Papa Francisco "um coração duro, arreigado à lei e à disciplina, não permite ver a misericórdia".

Um coração agarrado ao formalismo e à letra não é capaz de compaixão. Insensível, não admite opiniões contrárias e muito menos aceita falhas ou incumprimentos. Vive preso a códigos de acesso, que guardam a sua vida por detrás de fechaduras com segredo, deslumbrado com o poder que essa pretensa segurança lhe confere.

Abrir a porta da misericórdia é humanizar a lei, libertar-se das teias da indiferença e aprender a olhar o mundo, e os outros, com os olhos do coração!

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental a 12 Janeiro 2016). 

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