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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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28
Ago15

No outro lado

sentirailha

O segredo da comunicação sempre esteve na capacidade de saber se colocar no lugar do outro ou, como dizem os ingleses, calçar os seus sapatos, criando empatia.

O mesmo acontece quando se quer descobrir o mundo que nos rodeia e comunicar melhor com a realidade que nos habituamos a ver de um determinado prisma. Para que isso aconteça é fundamental sair de si, das suas certezas e das suas convicções e arriscar, experimentar, sobretudo aquilo que dizemos não gostar sem nunca ter provado.

Em tudo na vida há um outro lado, um ponto de observação onde nunca estivemos, uma faceta que sempre deixamos na sombra, um caminho que nunca nos atrevemos percorrer, que nos mostra a realidade de forma diferente, por ventura nos torna mais verdadeiros, sensíveis e tolerantes.

Quando se vive agarrado a uma imagem, a um tipo de discurso ou argumentação, que se construiu em função da família ou da profissão, para seduzir os eleitores ou agradar ao chefe, aos poucos acaba-se por calcar emoções, sentimentos e até a própria identidade se atrofia e se acomoda ao molde construído.

No meio de tantas obrigações e conveniências, vai se perdendo o verdadeiro prazer de sentir e nem a ouvir se permite que os outros derrubem o molde em que nos habituamos a viver. Antes que terminem de falar, há uma resposta armadilhada de argumentos para defender o edifício de certezas onde se esconde a verdade do que realmente somos e pensamos.

A vida não é um traço contínuo, mas um polígono facetado que precisa de se movimentar para se mostrar. Para quem vê e vive sempre do mesmo lado, a vida acaba por se tornar monótona e previsível. Mas quem lhe dá a volta e se posiciona de um outro lado, ela surge renovada, diferente, capaz de surpreender e de renovar energias.

Há um outro lado na rua, uma outra estrada para chegar ao destino, uma outra forma de lidar com os colegas ou com os filhos. Há mais cores na paleta e sensações novas para quem põe as mãos diretamente na terra ou na massa.

"Sempre foi assim e assim há-de ser", "quem está mal que se mude" são frases típicas de quem vive dentro de uma muralha de certezas, incapaz de olhar o horizonte, preso dentro de si mesmo.

Afinal custa tão pouco ser feliz! Basta abrir uma frecha nesse muro e olhar o outro lado, fechar os olhos e sentir o aroma das ervas que se pisam sem querer, tocar a face de um rosto e deixar que a emoção faça vibrar as cordas do interior e liberte a tensão que carregam.

Há um outro lado por detrás desse espelho onde todos os dias se reflete o rosto de quem se julga feio ou velho, de quem se incomoda com a ruga ou a mancha na pele. No outro lado, contam os olhos e não as rugas, fazem falta as mãos e não as unhas pintadas, ouve-se com o coração e não com os telemóveis, perde-se a noção das horas e o tempo é o que dele fazemos.

Nesse outro lado, a felicidade é sinónimo de liberdade, desconstrução das ilusões e do faz de conta; não há lugar para "isso é conveniente", "fica bem" ou é "politicamente correto".

Há uma esquizofrenia saudável quando se tem consciência que a vida tem muitos lados, e as rotinas mais não fazem do que esconder outras formas de ser.

Ser permeável à diversidade, olhar a realidade de um outro lado e ser capaz de se pôr nos "sapatos de outros" faz tocar a verdade e aproximar a essência do que é ser livre e feliz.

(artigo publicado no Açoriano Oriental, a 25 Agosto 2015)

 

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