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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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10
Abr16

Novo Mundo

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Mudam-se os tempos e os Estados Unidos continuam a ser designados de "novo mundo", terra de oportunidades e de tecnologias, onde o consumo é uma centralidade e um produto turístico e a história se conta por décadas.

Nesse país, quando entramos num espaço, designado como museu ou arquivo, facilmente somos surpreendidos com documentos e peças que nos são contemporâneos ou seja que tem 50 ou 60 anos de vida.

Esta contemporaneidade com o passado é ainda mais significativa quando conversamos com quem emigrou nessa época e ouvimos o testemunho vivo de uma história que ainda é presente. Sejam filhos de emigrantes da vaga dos anos vinte ou dos anos sessenta, do século passado, a história deste país ainda está na memória e marca o quotidiano de muitas gerações. É possível ouvir histórias sobre o encerramento das fábricas, que outrora empregaram muitos dos que emigraram à procura de trabalho. Não é difícil ouvir contar histórias de vida sofridas, de trabalho árduo na tecelagem ou na confecção, de quem fugiu à pobreza e ao isolamento, em busca de uma vida melhor ou para se juntar à família emigrada.

Em terras da América do Norte, particularmente nos estados onde os portugueses se instalaram, sente-se a importância destas comunidades estrangeiras que construíram e constroem a vida económica desta nação que quer continuar a ser nova, comparada com uma Europa onde a História se conta por séculos.

Talvez porque as comunidades emigradas nos E.U.A se sentem parte dessa história recente, as questões ligadas à deportação e ao controlo dos estrangeiros são vividas de uma forma ambígua e tem um impacto político muito significativo. Mesmo que muitos não queiram assumir, os nomes de família são reveladores das ascendências europeias, seja de Portugal, Itália, Irlanda ou outro país. Alguns desses nomes foram transformados, reconstruídos, mas não apagam pequenos ou grandes detalhes que se manifestam na comida, nas tradições familiares e até na vida económica. Daí que a relação da América, enquanto país, com a diversidade cultural seja ambígua e, por vezes conflituosa. Se, por um lado, vai diluindo a expressão das línguas estrangeiras, por outro reconhece a sua necessidade como instrumento de integração e comunicação. Se, por um lado, aceita a diversidade cultural, ao mesmo tempo impõe barreiras e elimina por via legal os que considera indesejáveis. Este é aliás um dos temas centrais do debate dos candidatos presidenciais, sobre quem deve viver neste país, o mesmo é dizer, por exemplo quem pode ter acesso ao emprego ou aos serviços de saúde.

Fica no ar uma outra questão, por ventura ainda mais relevante:

Afinal o que é ser americano? Até que ponto ser americano não é assumir a diversidade cultural como um traço estruturante da identidade nacional?

Esta não é certamente uma questão meramente legal, que se pode responder com base numa triagem entre os que devem ficar e os que devem abandonar o país. Esta é uma questão política, que não se resolve com leis que eliminam os indesejáveis, sem que isso signifique uma reflexão sobre os que ficam e sobretudo sobre os valores que suportam a sociedade que se deseja.

A vida em sociedade enriquece-se com a diversidade cultural, um valor da cidadania posto em causa, quando associado ao medo e ao terror dos extremismos, como se o diferente fosse o outro e a diferença não fizesse parte da história de cada um.

(artigo publicado no Açoriano Oriental de 5 de Abril 2016)

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