Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

o bebé do ano

O ano acabou de nascer e, como é habitual, o telejornal noticiou o primeiro nascimento nas maternidades portuguesas, o primeiro bebé de 2020.

Portugal bem precisa de nascimentos. Em 2018 fomos o quarto país com a taxa de natalidade mais baixa da Europa. É certo que, nesse ano, registou-se uma aparente recuperação da natalidade, mas o número de nados-vivos por mulher em idade fértil não ultrapassou 1.41, longe dos 2.1 que garantem a substituição das gerações.

Nascem cada vez menos crianças, de mulheres cada vez mais velhas (entre 30 e 39 anos), ativas e, na maioria dos casos, vivendo em coabitação com o pai dos filhos (em 55,9% dos nascimentos).

Um filho deixou de ser uma fatalidade da natureza e é hoje uma escolha, um projeto familiar. Um projeto que, muito raramente, ultrapassa os dois filhos por mulher.

Porque não nascem mais crianças?

Há razões que explicam esta baixa fecundidade. Desde logo, o recurso a uma contraceção eficaz e a prática do planeamento familiar. Por outro lado, a alteração do papel social da mulher, cada vez menos doméstica e mais empenhada numa atividade profissional a tempo inteiro. Aliado a esses factos, na sociedade atual, a criança é alguém com direitos, que exige condições de vida e segurança. Por isso, a gravidez é pensada, planeada e até avaliada previamente, nos seus prós e contras.  Um filho altera os planos dos pais, quando estes querem conviver com amigos, viajar ou sair para se divertirem. Pode até condicionar a carreira e levar à recusa de novos desafios profissionais, incompatíveis com a responsabilidade de cuidar de alguém, a tempo inteiro.

Hoje, mais do que ontem, importa conciliar as vidas pessoais, profissionais e as necessidades da criança, particularmente nos primeiros anos. Outrora, muitas mães eram domésticas, cuidavam dos filhos a tempo inteiro. Hoje, a maioria trabalha fora de casa e nem sempre conta com o suporte familiar.

Infelizmente, do lado dos pais, homens, muitos continuam a viver no passado, dependentes de uma mulher que cuide da casa, das crianças, tenha ela ou não uma carreira profissional. Por isso, cedo surge, nas jovens mães, o cansaço e a frustração por não conseguirem tempo ou espaço para si, nem que seja para caminhar devagar, olhando as vitrines das lojas, quando regressam do trabalho a casa. A pressa de ir buscar o filho à creche, os horários, as obrigações espreitam a todo o instante. As necessidades da criança, as idas ao médico, as noites mal dormidas, acabam por desgastar a saúde da mulher e a qualidade da relação conjugal.

Ser pai ou mãe é muito mais do que ter um filho! É, ou devia ser sempre, um projeto planeado e partilhado a dois. Não se trata, apenas, de somar mais um elemento à família.

Um filho cria uma nova geometria na vida dos pais. Enquanto aprendem a cuidar, (re)descobrem o mundo através do olhar e do sentir dos mais novos.

O país e particularmente a Região Autónoma dos Açores precisam de crianças, mas acima e antes de mais, precisam de pais e de mães jovens, capazes de acolher as futuras gerações. Sem crianças as regiões envelhecem.

Por isso, há que criar condições (emprego, oportunidades, serviços de apoio parental) que cativem os casais jovens a escolher o nosso país e a nossa região para viver.

(texto publicado a 7 janeiro 2020, no jornal Açoriano Oriental)

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D