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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Palavra (marca) Açores e Desporto

A palavra Açores não tem género, feminino ou masculino. É mãe da açorianidade e lugar de afeto para quem aqui vive ou se reconhece açoriano ou açoriana.

Mas, a marca Açores é outra coisa, um selo de autenticidade atribuído a produtos, mercadorias e atividades económicas, que promovam os Açores como região de excelência. Nesse sentido, foi entendido que os clubes, participantes em campeonatos nacionais ou internacionais, contribuem para essa promoção e, por esse motivo, anualmente, é-lhes atribuído um apoio financeiro para que utilizem esta "marca" nas camisolas.

Os critérios estão definidos em resolução do Conselho do Governo (71/2016 de 1 abril). E, para além do destaque dado ao futebol e ao automobilismo, não há referências sobre montantes de valor diferente para praticantes homens ou mulheres. O artigo nº 2, alínea e) diz o seguinte: "Nos campeonatos nacionais das modalidades de Andebol, Basquetebol, Hóquei em Patins, Voleibol, Ténis de Mesa e Futsal só serão celebrados contratos, em cada modalidade, com o clube desportivo açoriano cuja equipa, quer ao nível masculino, quer ao nível feminino, participe no nível competitivo mais elevado e tenha obtido a melhor classificação na época desportiva anterior, independentemente da competição ser ou não de nível profissional".

A atribuição destes apoios rege-se por esta Resolução e é suposto cumprir com o Regime Jurídico dos Apoios ao Movimento Associativo (DLR 21/2015/A de 3 setembro) onde, inclusive, se prevê uma majoração do apoio mínimo anual para clubes que mantenham atividade formativa de atletas do sexo feminino (artigo 20º nº 6, alínea a).

Como explicar o texto da resolução do conselho do governo nº91/2018 de 2 de agosto, que diferencia os apoios às equipas com melhor classificação na época desportiva anterior, consoante serem praticadas por atletas femininas ou masculinos?

Há mesmo um clube, o Juncal, em ténis de mesa, que recebe 1600,34 euros para a equipa feminina, metade do valor atribuído à equipa masculina (3168,67 euros).

As equipas femininas de voleibol e basquetebol, cuja excelência e mérito ficaram demonstrados ao longo da temporada, recebem apoios equivalentes a 30% (38.408,10 euros) do valor atribuído às congéneres masculinas (126.520,80 euros). No total, e somando todas as modalidades, o governo decidiu investir em publicidade da "marca Açores", a ser impressa nas camisolas dos atletas de clubes açorianos, 1.852.359,61 euros, dos quais 4,2% a equipas femininas.

É absurdo, vergonhoso e inexplicável. Mesmo que se retire o milhão de euros, atribuído ao futebol da 1ª liga e o apoio destinado aos ralis, as atletas femininas recebem apenas 9,8% dos apoios atribuídos aos outros clubes desportivos, aparentemente, por não "contribuírem para a notoriedade dos Açores". Pergunta-se, como foi medido esse contributo?

 

Por falar de notoriedade, um atleta de doze anos, da ginástica desportiva, recentemente, foi medalha de ouro num campeonato mundial!

A justiça como a igualdade não são princípios naturais. Necessitam de ser instituídos, dependem de decisões políticas, que os reconheçam como valores.

Logo, a promoção dos Açores, associada à excelência desportiva, deve refletir esses valores, porque a palavra "Açores" é muito mais do que uma marca.

(texto pubicado no Açoriano Oriental de 7 Agosto 2018)

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