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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Paralímpicos

Difícil na vida, não é conseguir, mas fazê-lo apesar das limitações, das dificuldades, dos medos e da falta de apoios.

Difícil na vida, não é atingir uma meta, mas superar-se, sem se entregar às limitações e chegar onde ninguém julgaria possível.

Quem me ouça talvez esteja a pensar o mesmo que eu, ou seja, nos jogos paralímpicos.

Não importa a imagem física, a deficiência, a limitação do corpo ou a descrença dos outros. Importa a motivação de cada um dos atletas, paralímpicos, que chegaram aos Jogos porque acreditaram em si.

Há casos em que não conseguimos descortinar a deficiência que levou um determinado atleta a esta competição, esquecendo-nos das inúmeras patologias mentais, do foro neurológico, que são também limitações na vida de muitas pessoas. Desde o autismo à paralisia, da trissomia vinte e um às doenças degenerativas, há muitas pessoas que até podem não aparentar deficiência física, mas que tem que se superar todos os dias, perante o mundo que se julga normal.

Ao ver estas provas, sensibilizou-me a existência dos guias que participam nas corridas dos cegos. São atletas com forte espírito de solidariedade e altruismo, que correm em paralelo aos atletas paralímpicos, mas que não podem chegar à meta antes destes.

Vejo as provas de atletas sem pernas ou sem braços que se superam em atividades, como a natação, a corrida em cadeiras de roda ou os jogos de equipa e penso nos jovens, que estão prestes a iniciar um novo ano letivo.

Será que também eles observam o exemplo dos atletas paralímpicos? Quantos destes jovens, "sem problemas" reclamam porque tem de andar uns quinhentos metros entre as suas casas e a escola ou então, arranjam desculpas, das mais esfarrapadas, para não fazer a aula de educação física!

Preferem adotar uma posição confortável, acordando tarde e a más horas, dependendo quase sempre dos pais para irem de carro, muitos sem terem tomado o pequeno almoço. "Não tive tempo!!!!. Estão sempre muito cansados, sem vontade para sair da sombra.

Paremos para pensar sobre estas atitudes, de jovens e menos jovens. Que sentido de vida revelam? Aonde nos pode conduzir essa fuga diária perante novas experiências, sobretudo aquelas que revelam ou mostram as nossas limitações? Ai, mas eu não gosto de falar em público; não me apetece sair do sofá.... não gosto de fazer ginástica, não estou para apanhar chuva, só para te acompanhar !!!!

Não fazemos essas experiências, para não sentir desconforto, para não ter de lutar contra medos, receios ou fantasmas que povoam as nossas mentes. E com isso tornamo-nos medíocres, desperdiçamos momentos únicos na vida, que nos permitiriam conhecer outras pessoas e, sobretudo, descobrir quem realmente somos e porque ficamos agarrados ao que nos impede de viver verdadeiramente.

Permitam-me que cite um autor indiano, Krishnamurti, quando ele diz que "o homem ignorante não é aquele a quem falta educação, mas aquele que se desconhece a si mesmo".

Para nos superáramos, e sermos capazes de nos libertarmos dos medos, vergonhas e receios que nos impedem de avançar e de lutar, é fundamental que nos conheçamos e saibamos aceitar, capacidades e limitações. E isso significa que quando mais nos conhecermos e soubermos aquilo que queremos ser ou podemos ser, menos iremos desperdiçar tempo, vida e sobretudo esforço em aparentarmos o que não somos.

Ver os jogos paralímpicos desperta em nós o amor genuíno pelo ser humano e, ao mesmo tempo, faz-nos olhar para nós, e recorda-nos que o dedo apontado da discriminação, de que muitas dessas pessoas são alvo, deixa outros dedos da mão apontados para nós mesmos.

A todos que são professores ou alunos, um bom ano!

(texto apresentado na rubrica "Sentir a Ilha" do programa "Entre Palavras" da Radio Atlantida com Graça Moniz  - 11Set16)

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