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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Paz interior

A Paz é um valor absoluto, expressão máxima da felicidade, do entendimento entre os seres humanos ou povos.

Pela Paz já se assinaram tratados e se fizeram cimeiras, mas nada que fosse realmente eficaz, porque se fecham acordos de consenso, mas mantêm-se interesses que conflituam.

A Paz não se conquista com leis, tratados ou cimeiras. De nada serve apelar à paz entre os povos, se esta não existir na vida de cada pessoa ou país.

A paz interior é a base do entendimento e isso significa paz de espírito, o mesmo é dizer, viver com consciência do que realmente é importante, prioritário e essencial.

É preciso ser coerente. Por exemplo, quando se diz "deem a cana e não o peixe", aponta-se o dedo a quem tem interesse em receber o peixe, pronto a comer, e nunca se reconhece que, muitas vezes, quem dá esse peixe também procura ganhos, prestígio e poder.

Enquanto os governos ou as pessoas não agirem em consciência, reconhecendo a incoerência entre o seu discurso e a sua ação, a paz não passará de uma palavra bonita.

Como referiu no Parlamento Europeu o Dalai Lama, "para uma vida feliz, devemos dar valor ao factor humano, à harmonia e à paz de espírito", e não aos "valores materiais".

É na coerência entre palavra e comportamento que se descobre e se alcança a paz interior.

Não basta falar de liberdade, respeito, confiança ou solidariedade e depois mascarar o comportamento de gestos de conveniência, oportunismo, evitando beliscar interesses, que minam a coerência do discurso.

É preciso romper com a paz podre e agitar as consciências e a acomodação. Enquanto o Dalai Lama apontava o dedo ao silêncio comprometido da Europa na sua relação com a China, o Papa Francisco visitava os cuidados intensivos de neonatologia e os cuidados paliativos de um hospital. A sua presença, não programada, representou um sinal concreto, de que não basta falar de proximidade é preciso chegar-se aos outros. Não basta dizer "coragem", é preciso ouvir o desespero de quem sofre.

A paz interior não é amorfa, indiferente ou alienada. Não se consegue afastando quem incomoda, mas pelo contrário é fruto da sensibilidade de quem não é indiferente ao sofrimento humano.

Estar em paz com a sua consciência significa sentir-se em harmonia, diante da humanidade e da natureza, ter a noção clara do essencial e da essência da vida. E, entre erros e recomeços, nortear a sua ação pelo respeito do ser humano. Porque a pessoa não é um valor transacionável, não está cotado nas bolsas nem pode ser objeto de troca, venda ou empréstimo.

O mundo, dito desenvolvido, não terá paz, enquanto alimentar guerras noutros países ou ficar indiferente perante as injustiças, a discriminação e o sofrimento humano. Tal como ninguém conseguirá viver em harmonia, se estiver em conflito com os outros.

Para haver Paz é preciso ter coragem para "baixar a guarda" e ser o primeiro a estender a mão.

Dificilmente se consegue a paz sem diálogo e isso significa descer do pódio da arrogância e reconhecer os erros, como sugeriu o Dalai Lama à Europa, a propósito da indiferença dos europeus perante os direitos do povo tibetano.

Não reconhecer os erros engrossa as paredes do ego, engorda a falsidade e faz diminuir a honestidade e a paz interior.

E não havendo paz individual, dificilmente haverá paz coletiva.

A Paz só transforma o mundo, se primeiro transformar o ser humano.

 (artigo publicado no Açoriano Oriental, Setembro 2016)

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