Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Santos Populares

Estamos em junho, mês de santos populares, figuras da igreja que se tornaram patronos de festas profanas, onde se enaltece a fertilidade, o amor, a alegria e, sobretudo, se reforça o sentido de comunidade.

As festas dos santos populares, seja o Santo António, São João ou até São Pedro, estão ligadas ao universo da fertilidade. No Santo António são os casamentos, já que o santo é tido por favorecer a felicidade conjugal e ser uma boa influência como casamenteiro, no encontro de namorados ou namoradas, outrora sonhados para serem companheiros de uma vida, hoje para ficarem juntos "enquanto durar o amor". No São João são as "sortes" e o culto do sol, ainda hoje presente na tradição das fogueiras. O São Pedro, menos conhecido em matéria de amor, vê a sua influência ligada às chuvas que ajudam a fertilidade das terras.

Longe vão esses tempos, em que se pedia a intervenção dos santos, para que tudo desse certo. Alguns desses "negócios" misturavam a religiosidade com interesses bem mais terrenos, por exemplo o dote e as propriedades do pretendente.

Afinal, qual é o segredo de Santo António para encontrar um namorado a quem lhe pede? Será o ar de Junho e os dias de sol, ou não serão antes os arraiais e as festas?

Outrora estas eram as únicas oportunidades para o convívio dos solteiros. Entre bailaricos e barraquinhas de comes e bebes, sempre se acabava por encontrar alguém e uma conversa animada acabava por ser o início de uma relação.

O santo até pode ter dado uma ajudinha, mas certamente que essa conversa, os sorrisos e uma empatia imediata, fizeram o milagre.

O casamento é um encontro, um começo de um história a dois. Mas não há santo ou milagre que possa garantir que dure, se não houver diálogo, uma ponta de surpresa diária que faça descobrir quem somos através da relação com o outro. Viver em conjugalidade é certamente uma forma de se conhecer e, compreendendo alguém diferente, descobrir o mundo.

Não há histórias de casais que durem, se o mais importante está num casamento, que junta nomes, bens ou famílias.

Não há santo que valha quando falha a compreensão. Não há almas gémeas! O que conta são duas pessoas diferentes que descobrem, diariamente, que são mais felizes e mais fortes por estarem juntas.

Por estranho que pareça, vivemos numa das regiões do país onde se casa mais, mas também onde é maior e crescente o número de divórcios. Em 2013 por cada 100 casamentos celebrados nos Açores, registaram-se 80 divórcios. Porque falham tantos casamentos?

Casar é criar um "nós", juntando dois "eu" na partilha de um quotidiano comum, nem sempre fácil ou favorável. Quando o casamento não é vivido como se fosse "uma cruz que se carrega", a relação criada nesse "nós casal" supera todas as dificuldades ou contrariedades.

Pode haver quem acredite que foi o destino que os juntou, mas é bom não esquecer que uma relação só dura, enquanto for uma escolha pessoal e diária. Por muito que peçam a Santo António ou até a São Pedro, não há casamento que dure se o mais importante for acasalar. Não há santo que valha, se os casais se esquecerem de falar, partilhar e amar.

Por muito que as sortes de São João ditem o futuro, o melhor é estar atento, porque a sorte é uma oportunidade e o amor uma faísca, centelha que se liberta da fogueira e poe em brasa o coração!

A arte está em mantê-lo aceso, apesar do vento e da tempestade, quando tudo parece acabar, o amor é um tição que teima em não se apagar.

(texto publicado no Açoriano Oriental de 14 Junho 2016)

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D