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14
Mar17

Sexismo

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Um eurodeputado polaco teve, infelizmente, direito à palavra no parlamento europeu para argumentar, de forma inaceitável, a favor da desigualdade salarial, que ainda hoje marca as relações laborais entre homens e mulheres.

Assumidamente de extrema-direita, Janusz Korwin-Mikke considerou justa essa desigualdade, porque, e cito: "as mulheres são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes". Recorde-se que essa diferença salarial, segundo o Eurostat era, em 2015, de 16,3% na EU28 e de 17,8% em Portugal.

Este foi mais um exemplo, radical, do que representa o pensamento sexista, que não atinge apenas políticos em fim de carreira, mas é veiculado em muitos outros meios, incluindo jovens, como aqueles que apoiaram este polaco aquando das eleições para a presidência da Polónia.

O sexismo é sinónimo de "dependência" e autoritarismo.

Só quem não conhece o valor da interdependência, assume posições sectárias e destorcidas. Só quem não conhece o sentido da democracia, o valor da cooperação ou da partilha, domina, agride e descrimina. Protagonistas de um mundo fechado, isolacionista, os sexistas vivem agarrados a fantasmas e centrados num ego falhado convencidos que são donos do mundo.

Infelizmente, o tema das desigualdades de género continua na agenda política e a violência sobre mulheres marca as relações, seja no namoro, no mundo das empresas, das famílias ou até da política, como ficou claro no parlamento europeu.

Um estudo recente da APAV (2016), realizado junto de jovens entre os 12 e os 18 anos, revela que 33% dos inquiridos consideraram que proibir a namorada de vestir determinada roupa ou mesmo de sair sozinha, assim como pegar no telemóvel do namorado sem lhe pedir autorização, não são considerados atos que desrespeitam a dignidade do outro.

Uma outra pesquisa, da autoria do Centro Interdisciplinar de Estudos do Género (CIEG) revelou que em 2015, 14,5% das mulheres empregadas foi alvo de assédio sexual no local de trabalho, vítimas de piadas ou comentários ofensivos sobre o corpo, a forma de vestir ou mesmo abordagens físicas indesejadas, incluindo aliciamento com dinheiro em troca de favores sexuais.

O respeito pelo outro aprende-se e impõe-se. Felizmente, o estudo do CIEG que compara dados de 2015 com 1995, revela uma clara evolução no número de mulheres que, em vez de "fazer de conta que não percebeu", reagiu negativamente ao assédio sexual, praticado sobretudo por chefias.

A passividade por parte das vítimas é "pasto" para a continuidade dos comportamentos abusivos.

Mas, reagir ativamente contra comportamentos sexistas, depende do valor que se atribui à dignidade, apenas possível num quadro democrático, em relações onde se respeita a individualidade do outro, seja a dois, na família, empresa ou organização política.

O sexismo, como todas as descriminações, atenta contra a dignidade humana.

E, só há uma forma de o combater: apostar na formação interior, capacitar os cidadãos para serem responsáveis pelo bem-estar dos outros e descobrir, na reciprocidade, o sentido da interdependência, que torna a sociedade melhor e mais justa.

Infelizmente, há quem se aproveite de viver em liberdade e até utilize eleições democráticas, para pôr em causa princípios, nos quais assenta a própria construção da União Europeia.

Não basta punir tais posições, contrárias aos direitos humanos, com uma coima.

As coimas penalizam o bolso, mas não mudam consciências nem destroem mentes sexistas. O sexismo só se combate pela educação, assente no valor da diversidade. Seja na família, na escola ou na empresa é urgente transformar indivíduos ego-centrados em cidadãos cooperantes.

Só na reciprocidade, se descobre e respeita a dignidade humana.

 (artigo publicado no jornal Açoriano Oriental de 7 de Março)

 

 

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