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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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08
Jan08

Do lado do não fumador

sentirailha

Para quem não é fumador, nunca foi e não gosta de fumar, a nova legislação em vigor desde o dia 1 de Janeiro, proibindo os fumadores de permanecerem em espaços fechados, sejam restaurantes, lojas ou outros estabelecimentos, não deixa de ser uma grande vantagem. Menos poluídos, esses espaços irão tornar-se mais agradáveis.

Sem ter de respirar o fumo dos cigarros, charutos ou cigarrilhas, a roupa vai poder manter o cheiro a perfume. Acabaram-se os casacos tresandando a tabaco, o cabelo cheirando a fumo e aquele ardor nos olhos.

Para quem não é fumador, nada melhor do que poder respirar um ar menos poluído.

Mas, se com esta nova lei melhora o ambiente dos que não fumam, o mesmo não parece acontecer para os próprios fumadores. Confinados a espaços exíguos ou rodeando uma coluna com cinzeiros num canto de uma sala de bagagens, os fumadores e as fumadoras parecem condenados a se intoxicarem uns aos outros, envoltos numa coluna de fumo, agarrados a um cigarro que levam à boca de forma rápida e ansiosa, até o consumir. “Foram duas horas de viagem sem fumar”, “uma reunião inteira sem poder pegar num cigarro, quase que nem conseguia pensar”.

Apesar da melhoria evidente do ambiente, as novas exigências legais ao empurrarem os fumadores para recantos, varandas e esplanadas podem vir a contribuir para o aumento dos índices de ansiedade e até dos conflitos entre fumadores e não fumadores. Na hora do café, uns afastam-se e outros ficam junto ao balcão; na hora da conversa, quando o jantar já não é mais do que troca de opiniões, a interrupção acontece, porque o cigarro apetece, até para descomprimir da discussão. Lá se vai o fio à meada, porque o levantar da mesa arrefece a troca de argumentos e tudo parece deixar de fazer sentido quando o fumador regressa, aliviado e pronto para recomeçar no ponto em que tinha deixado o assunto.

Até que todos se habituem a este novo enquadramento legal, vão acontecer muitos momentos de tensão, discussões e até algumas gripes; fumar na varanda em pleno inverno, em alguns casos, à chuva, ao frio ou com neve, não deve ser nada agradável.

A lei protege o cidadão mas acaba por excluir aqueles que, apesar dos alertas inscritos em letras garrafais sobre os maços de cigarros, insistem em fumar, provavelmente porque necessitam de o fazer.

As empresas que vendem programas ou planos terapêuticos visando o abandono desta dependência aproveitam para intensificar as campanhas que prometem a “libertação” do tabaco ou pelo menos a redução do consumo.

Todo este esforço em reduzir o consumo para promover a saúde faz pensar porque não existe um quadro legal e uma atitude anti-consumo, tão intensa e veemente, no que diz respeito ao álcool? Faz algum sentido que a venda de tabaco esteja condicionada a um distribuidor bloqueado e tenha passado a ser interdita a menores de 18 anos e, em relação às bebidas alcoólicas, qualquer adolescente com 16 anos possa consumir em bares e ter livre acesso às bebidas de elevado teor alcoólico que se acumulam nas prateleiras dos supermercados?

O cigarro pode matar e o cancro é sem dúvida uma doença que se agrava com esta dependência, mas o consumo excessivo de álcool não é menos negativo para a saúde, incluindo também o cancro, e tem efeitos extremos nos mais jovens.

Se fomos capazes de criar um dia sem tabaco, colocar avisos sobre os maços e agora decretar a interdição de consumo em espaços fechados, para quando a criação de um dia “sem álcool”? Talvez fosse um bom princípio!

 (publicado no Açoriano Oriental de 7 de Janeiro 2008)

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