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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Democracia em perigo

Está na ordem do dia o debate sobre se a Democracia corre perigo, não apenas em Portugal, mas um pouco por toda a Europa e, particularmente, nos Estados Unidos.

Este debate é muitas vezes atravessado pelo confronto com posições autoritárias, autocráticas, que parecem emergir de um passado, que se julgava “enterrado”, mas que reaparece, particularmente aceso, nas posições dos mais jovens.

Segundo algumas sondagens, os ideais proclamados pelas forças populistas radicais, do espetro político, colhem a adesão dos jovens do século XXI, nascidos em democracia, sem experiência de viver numa sociedade onde se limitava a liberdade de expressão, se discriminavam as mulheres, os diferentes na etnia ou na religião e se controlava a livre expressão dos jornalistas e da comunicação social.

De acordo com um recente estudo do European Policy Centre, os rapazes portugueses, com menos de 25 anos, votam cinco vezes mais do que as raparigas na extrema-direita, sendo uma das causas a frustração por estarem a perder o emprego estável e a independência financeira que constituem marcadores tradicionais de masculinidade. O sucesso das mulheres nas universidades e na vida económica e política (veja-se o número crescente de presidentes de câmara) parece incomodar alguns destes jovens.

Como consegue a extrema-direita colher estes apoios dos mais jovens?

Se pensarmos nas estratégias autoritárias, em diferentes contextos, há uma prática comum. Alimentam-se os egos feridos e o receio perante os “outros” que ocupam os lugares por mérito e trabalho. Desconfia-se dos que vêm de fora, os imigrantes, e desvalorizam-se as necessidades dos que recebem apoios do Estado. Recuperam-se velhos estigmas associados à cor da pele ou ao grupo étnico e transferem-se para esses “outros” todos os males de que padece a sociedade, sobretudo a insegurança.

Aos poucos vai-se abandonando o discurso que defende a inclusão, a integração, a paridade e a equidade.

O autoritarismo infiltra-se na sociedade, rompendo os laços de solidariedade, que constroem as comunidades, pondo em causa a pertinência das estratégias de combate à exclusão ou às desigualdades. Dessa forma, reforça atitudes individualistas, segregadoras e securitárias.

Numa sociedade individualista, o “mérito” é visto como um privilégio que apenas se reconhece em alguns.

Como se faz oposição ao autoritarismo?

As estratégias passam por: alimentar o sentido de comunidade; fomentar o encontro e o diálogo social; ouvir as pessoas, antes de decidir; manter as políticas públicas que reduzem as desigualdades e promovem os direitos de cidadania para todos; participar em atividades associativas, de voluntariado e de serviço público; defender o bem comum.

A democracia não se defende com a violência das armas, das palavras ou das atitudes. A democracia exige reconhecimento do outro, empatia e capacidade de trabalhar em conjunto.

Quem julgar que constrói uma sociedade democrática, insultando os adversários, ridicularizando os mais frágeis, está matando a democracia aos poucos, criando o terreno favorável para que tudo pareça um caos. E, nesse quadro, só o líder poderá salvar o povo, como demonstra a história de todos os ditadores. Nele se colocam todas as esperanças e até se desculpam as falhas de integridade e as inverdades.

A democracia está em perigo quando se abandonam os ideais de liberdade, igualdade e justiça e se deixa de acreditar no bem comum.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 17 de outubro 2025)

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