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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Consumir antes de pensar

O consumo pode substituir a razão e o bom senso.

E, as práticas comerciais que promovem esse consumo irresponsável são epidémicas, contagiando as sociedades capitalistas, os comerciantes sequiosos de lucros rápidos e os consumidores sequiosos de "oportunidades".

A "black friday" é mais um exemplo disso, incentivando o consumo de produtos, supostamente, com descontos excecionais.

Nascida nos Estados Unidos, o dia que se segue ao feriado da Ação de Graças, que reúne as famílias americanas, transformou-se num movimento de multidões, alienadas pela possibilidade de comprar barato, o que necessitam e, sobretudo, o que não lhes faz falta, mas que transformam em oportunidades.

Há quem compre o vestido de noiva, sem ter casamento marcado ou quem leve dois televisores pelo preço de um.

Neste dia do "São Consumo", há manifestações de irracionalidade em multidões de consumidores, empurrando-se junto às portas de centros comerciais, indiferentes ao outro, capazes de espezinhar alguém que tropece para poder alcançar, em primeiro lugar, um artigo em promoção.

Quem esfrega as mãos de contente são os comerciantes, que aproveitam para escoar produtos em armazém, perante consumidores alucinados pela ânsia de comprar, que apenas olham à percentagem de desconto.

Mas porquê chamar "negra" a esta sexta-feira do consumo!?

Segundo consta, esta designação vem da linguagem comercial que associa o prejuízo ao vermelho e o preto ao sucesso de vendas.

A seguir ao black friday segue-se o cyber monday, segunda-feira cibernauta, onde o consumo, com desconto, está à distância de um clique.

Uma obra recente de Nuccio Ordine, "a Utilidade do inútil", refere um texto de Séneca, que viveu quatro séculos A. Cristo, onde se lê que o nosso maior erro é julgar os homens, não por aquilo que são, mas por aquilo que tem vestido. Por isso, refere o filósofo, se alguém quer ser corretamente avaliado, afaste-se do seu património, das suas honras ou dos favores que lhe traz o dinheiro. Despoje-se até do seu corpo e olhe para a sua alma, o que ela é e qual o seu tamanho. Avalie então qual a sua grandeza!

A essência da dignidade humana está no livre arbítrio. Por isso, quando o ser humano perde essa capacidade, esquece o essencial, o espírito, que o torna numa criatura bela e livre.

É a gestão dessa liberdade que nos permite ser criaturas independentes ou escravos do consumo ou das aparências.

O pior de todo este processo é que associamos a felicidade e até o amor ao consumo ou ao poder que nos conferem os bens consumidos. Na realidade, quando nos despimos de tudo isso e nos despojamos do que o dinheiro comprou, o que fica? Que sentimentos nos reconfortam?

O consumo, sendo uma necessidade, exige consumidores conscientes, atentos ao que realmente importa. Ver na etiqueta, a origem, a composição ou o impacto ambiental do que consumimos, pode contribuir para essa tomada de consciência. Porque há produtos fabricados por empresas/países que não respeitam os direitos humanos, empregam crianças e destroem o meio ambiente.

Somos livres de escolher ou rejeitar esses produtos. Urge pensar antes de consumir.

 (publicado no jornal Açoriano Oriental de 26 novembro 2018)

A tentação de comprar

Em tempo de Natal é forte a preocupação com as compras, que se querem “boas”, “baratas” e “úteis”. Tarefa difícil, quando se quer limitar os gastos em tempos de aperto, como se o tempo de fartura alguma vez tivesse acontecido. O que havia, isso sim era uma menor oferta e uma menor possibilidade de escolha.

Longe vão os tempos em que no Natal era a época em que se renovava o guarda-roupa e as prendas cabiam num sapato ou numa meia. Hoje as ofertas querem-se grandes, caras e vistosas. As bonecas já não são vestidas pelas mães, que costuravam as roupinhas de acordo com a moda; vêm embaladas em caixas enormes, têm nome e interagem com a criança. Parecem recém-nascidos ou então crianças em idade das primeiras palavras, e até trazem incorporado um sistema que lhes permite dizer “mamã, gosto de ti”. Diga-se a propósito que estes bonecos falantes não dizem papá! Quem inventou o tal mecanismo de voz, por ventura achou que ninguém iria oferecer um tal brinquedo aos rapazes ou que estes nunca iriam brincar, aos pais e às mães, com as suas irmãs ou com as suas colegas.

Ao lado das bonecas, surge a prateleira dedicada aos rapazes, onde abundam os carros de combate, os bonecos de “wrestling” que a televisão promove, e outros brinquedos mecânicos, induzindo a ideia de que a capacidade de lutar e a arte de construir são atributos masculinos.

Não é fácil comprar brinquedos quando se pretende estimular diferentes capacidades nas crianças. Como contornar a velha divisão entre rapazes e raparigas, que põe de um lado o desporto e do outro o cuidado aos bebés, de um lado o carro e do outro o trem de cozinha?

Comprar, comprar, mesmo quando não se pode.

Enquanto são pequeninos, sempre se pode dizer: escreve ao Pai Natal que ele logo verá se pode ou não comprar. Mas quando se é crescido não é fácil dizer “não” perante tantas possibilidades de compra, sobretudo nas grandes superfícies comerciais.

Experimentam-se roupas, que não se podem comprar, calçam-se sapatos que não se vai chegar a usar, vive-se a fantasia de ter dentro dum provador e sonha-se com novas indumentárias, enquanto dura o passeio por entre expositores carregados de roupas brilhantes e se desfazem pilhas de roupa ordenadas por cores. Como não comprar aquela blusa “tão diferente”, que dezenas de pessoas transformarão em igual?

Uma reportagem recentemente publicada neste jornal aborda a pequena criminalidade que as grandes superfícies estimulam. Ao que consta, há mais casos de roubos por corte de alarmes, sobretudo feitos por adolescentes que não conseguem controlar a tentação de ter. Em alguns casos, apanhados em flagrante, e depois de chamados os pais para pagarem os danos, conclui-se que até vivem em famílias com algum poder de compra.

Então se não é o dinheiro que lhes falta, porque motivo se apropriam indevidamente destes bens? Faltam sentido de responsabilidade e capacidade para definir prioridades; faltam princípios que orientem as escolhas entre o que devem ou não fazer, entre o que está certo ou errado. E isso, não se compra, ensina-se, tarefa que cabe prioritariamente à família.

Apesar de nas ruas se ouvir cantar as mensagens de Natal,  que exaltam a paz e a simplicidade, tudo à volta são enfeites, são convites ao consumo e até apelos ao excesso, fazendo esquecer o sentido da festa que estamos a preparar.

Afinal porque se festeja o Natal?

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