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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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02
Mai18

Trabalho para todos

sentirailha

"As pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de ganhar a vida através de um trabalho livremente escolhido ou aceite num mercado de trabalho aberto" (Convenção para os Direitos das Pessoas com Deficiência - artigo 27º).

O texto da Convenção, aprovado em 2007 pelas Nações Unidas, foi ratificado pelo governo português em 2009 (Resoluções nº56 e 57/2009 de 30 de julho).

Mas o que fizemos das orientações, reconhecidas, que incentivam a integração e a inclusão das pessoas com deficiência, em particular, no mercado de trabalho?

A resposta é, muito pouco.

Mas se acreditamos no sentido das leis que aprovamos, há que tomar consciência porque não as concretizamos. Governos, autarquias, mas também escolas, empresas, famílias e cada um de nós, esquecem, excluem e rotulam, todos os dias, pessoas diferentes, sem ter a preocupação de as conhecer.

Segundo dados das Nações Unidas, nos países europeus, 50 a 70% das pessoas com deficiência, em idade adulta, estão no desemprego. E, na maioria dos países, incluindo Portugal, a taxa de desemprego, nestes casos, é duas ou três vezes superior à das pessoas que não têm deficiência.

Falar de pessoas com deficiência significa um leque muito variado de limitações, desde físicas a sensoriais, de natureza mental ou relacional. Infelizmente, como refere a página da Associação Salvador (www.associacaosalvador.com) menos de 2% das pessoas, que mencionam no seu currículo vitae serem possuidoras de uma deficiência, são chamadas para entrevistas de emprego.

O mundo do trabalho fecha as portas a cidadãos, cujo potencial desconhece. E, essa é a primeira medida a tomar: consciencializar. Nesse sentido, saúdo a iniciativa da autarquia da Lagoa, com a organização de ações, durante o mês de abril, sobre o autismo.

É preciso conhecer os cidadãos portadores de deficiência, o seu grau de autonomia e capacidade, as competências, que não revelam numa entrevista, mas demonstram na prática, em condições adequadas às suas limitações.

Veja-se o exemplo dos autistas, cujo leque de perturbações pode ser muito amplo, mas cujas capacidades de organização, atenção ao detalhe e precisão podem ser excecionais. Empresas de sucesso como a Specialisterne (Dinamarca) ou a Green Bridge Growers (E.U. América) empregam mais de 70% de pessoas portadores de Perturbações do Espectro do Autismo (PEA).

Porque não nos Açores? Porque não com as empresas públicas ou privadas da região?

As empresas que abrem portas à inclusão de pessoas portadoras de deficiência não são alternativas menores, mas demonstram um sentido de responsabilidade social e consciência de quem não se fica pelas aparências, mas descobre, em todos os cidadãos, uma mais valia para a concretização dos seus objetivos.

Segundo o fundador da Specialisterne, empresa do ramo da informática, os cidadãos com PEA apenas necessitam de um ambiente calmo, que seja respeitada a sua rotina e lhes sejam dadas orientações precisas.

Em dia do trabalhador, urge tomar consciência do que fazemos (ou não) pelos cidadãos portadores de deficiência, que querem entrar no mercado de emprego e a quem se aponta, como alternativa, o recurso aos apoios sociais.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 1 maio 2018) 

 

 

25
Nov09

Diferentes

sentirailha

 

A descoberta do genoma humano revelou uma matriz comum da humanidade e em nenhuma das suas componentes foi encontrada uma causa directa para a diferenciação do que designamos por raças.
Na realidade, os fenotipos ou traços físicos, como são, por exemplo, a cor da pele, o formato do rosto, a estatura, o tipo de cabelo, não são estruturantes do ser humano mas o resultado de um longo processo, de milhões de anos, de adaptação ao meio.
O que nos distingue, enquanto pessoas, comunidades, são os percursos de vida, o contexto étnico, social, económico ou outro, que nos identificam. São as línguas que não partilhamos, os costumes ou as tradições que nos enraízam numa comunidade ou os artefactos que nos habituamos a ver como parte do universo construído que nos rodeia.
O que nos distingue nunca nos deveria separar.
Infelizmente, evitamos os deficientes, recusamos a partilha com quem não compreendemos e resistimos perante a integração da diversidade na escola ou no bairro onde moramos. Como se a diferença estivesse no outro e não na relação que com ele se estabelece. Como se o problema do surdo fosse dele e não dos ouvintes que não falam a língua gestual ou o isolamento dos deficientes motores não estivesse relacionado com as barreiras arquitectónicas que alguns municípios teimam em não alterar.
Levamos séculos, julgando que o mundo acabava no horizonte do mar.
Só quando os navegadores trouxeram objectos e o testemunho de que havia mais mundos, tomamos consciência de que existiam outros povos, que alguns se apressaram em considerar inferiores, primitivos.  
Passados tantos anos, as comunidades do ocidente são tudo menos homogéneas. A diferença não vem de fora, mas estrutura as cidades, as famílias, o mundo do trabalho e as escolas. As línguas são hoje partilhadas e o mundo perdeu as suas fronteiras na internet.
A cidadania implica reconhecer a diversidade, não como um problema mas uma fonte de enriquecimento, que alarga as fronteiras do conhecimento e relativiza a normalidade que alguns julgam ser ou representar.
Afinal não são os outros que são diferentes, mas o modo como os tratamos.
Porque a diferença, quando isola ou discrimina, somos nós que a fazemos.
 
 (publicado no Açoriano Oriental, 16 de Novembro 2009)

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