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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Degustar

As férias são um tempo para degustar.

Degustar é um verbo com tempo, que se diz devagar, saboreando cada sílaba, de olhos fechados, com todos os sentidos.

Degustar o ar que se respira, no meio das árvores, o silêncio pontuado com o chilrear dos pássaros, mas também a refeição extraordinária, onde se descobrem novos sabores e sensações.

Há quem tenha pressa, demasiada pressa, de cumprir uma agenda nas férias e, no fim, quando chega o dia de regressar ao trabalho, está mais cansado do que relaxado. São jantaradas, excessos de bebida, noitadas vazias de diálogo, onde o barulho apaga as palavras e a intimidade. E, acaba-se por não ter tempo para degustar o tempo.

Porque, degustar é uma experiência com tempo, onde os segundos deixam marcas, memórias, imagens que a mente reencontra, sempre que fechamos os olhos e recordamos como foi bom aquele momento.

O século XX trouxe a novidade do "fast food", do "pronto a vestir" ou "pronto a comer", do "fast track" ou da via verde e, todas essas "facilidades", criadas para reduzir o tempo, queimar etapas, transformaram as pessoas em consumidores acelerados.

Só se consegue degustar quando se dá valor à experiência de fazer, conhecer e aprender, porque é preciso tempo para se viver novas experiências. O mundo não é uma pista de fórmula um, mas um emaranhado de trilhos à espera de nós. E, de cada vez que nos metemos por um, somos apenas um ponto no universo, ligado por emoções, diálogos e histórias. Antes de nós, gerações de construtores e descobridores, depois de nós tantas outras virão. Mas, entretanto, porque somos nós, agora, quem tem o privilégio de estar vivo e desfrutar do mundo, há uma imensidão de cuidados a ter.

A natureza exige de nós cuidados, proteção, reserva. Não é eterna, como julgávamos, mas continua a ser intensa nas riquezas que nos oferece. Para isso, há que desacelerar a voracidade do imobiliário, acordar a insensatez dos descrentes nas alterações climáticas e ter consciência dos impactos que as muitas tecnologias geram no ecossistema.

O mundo precisa de paz, todos nós sabemos. Mas, há muito que essa paz não se consegue só porque alguém levanta uma bandeira branca. A paz exige atenção ao outro, às necessidades dos países mais pobres, aos direitos dos seres humanos que aí habitam, à integridade dos que se dispõem a trabalhar e que são usados, para satisfazer interesses económicos.

O mundo, cada um de nós, precisa de redescobrir as sensações da paz, que se vivem nos atos solidários, na cooperação, na proteção da natureza e do ser humano, na escuta das suas vozes e necessidades.

Degustar é imergir num mundo de sons e sabores, fechar os olhos e sentir os pés enraizarem-se no solo, como se fossemos apenas mais uma espécie neste universo que nos rodeia. E, depois, abrir os olhos e descobrir as plantas que nascem, as folhas que se desenrolam na árvore à procura de luz, a flor que vai dar lugar ao fruto, nessa árvore que há meses andamos a cuidar e que julgávamos seca.

Degustar é viver com sentido, com todos os sentidos, e ser grato pela vida, pelo sol, pela luz e pela água.

As férias são um tempo excelente para pararmos de encher a agenda e deixarmo-nos tomar pelo prazer de degustar a vida, em cada momento, ao segundo.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 6 agosto 2019) 

Tempo de férias

O Verão está aí, o mar e o sol convidam ao descanso! As crianças, libertas da escola e dos "deveres" reclamam o direito à brincadeira, ao lazer, ao convívio descomprometido.

Este é o tempo de férias, um período que exige às famílias reorganização do quotidiano, nem sempre fácil, quando os pais não tem dias de descanso coincidentes com as férias dos filhos. Para algumas crianças, isso significa ficar mais tempo com os avós, o que não deixa de ser importante para sedimentar a relação com a geração mais velha.

Para outros pais, a opção passa por colocar os filhos em campos de férias, centros de atividades de verão ou outras iniciativas de ocupação dos tempos livres, e desta forma proporcionar outras experiências de aprendizagem e diversão.

As férias não são para serem passadas a dormir, mesmo que o sono também seja uma forma para retemperar forças. É importante transformar esse tempo de descanso, em memória agradável, depois recordada, revisitada, quando vier, de novo, o tempo das aulas e do trabalho.

Este é um tempo para cada um fazer o que gosta, mas é também um tempo para se reencontrar, consigo e com os outros. Por isso, os pais que trabalham, deviam poder reservar, pelo menos, uma semana, para estarem juntos com os filhos. Uma semana em que possam sentir, partilhar e descobrir o que cada um é, fora das rotinas do dia a dia. Juntos nas idas à praia, nos almoços ao ar livre, nos passeios à descoberta de recantos da ilha, nos jogos de cartas ou nas conversa de fim de dia, depois de um grelhado feito por quem, habitualmente, não cozinha.

Tudo são bons pretextos para juntar e fazer família.

Quando privamos uma criança ou um adolescente destas experiências comuns, estamos a comprometer a sua identificação familiar. A família não é um nome que se carrega ou um teto debaixo do qual se dorme. Ser família implica interagir e dar tempo para se descobrir, na relação com o outro.

A falta destas relações significativas conduz ao egoísmo e acaba por autocentrar cada membro da família no seu próprio mundo, desligado dos outros, indiferente às suas necessidades. Enfiados nos horários, separados por telemóveis e televisões instaladas nos quartos, estas famílias não sabem aproveitar o tempo de férias. Os pais, confrontados com este tempo acrescido de convívio, rapidamente ficam saturados: o que faço às crianças, onde as vou colocar? Isto das férias escolares é muito tempo, a escola devia começar mais cedo! Alguns até programam viagens, mas sem os filhos, para não atrapalhar!

O Verão é um tempo diferente, a natureza canta, os pássaros chilreiam contentes e, logo cedo, a luz do dia convida à atividade!

Este é o tempo de organizar, limpar, sem a preocupação de produzir. Até a terra agrícola pede descanso, desde que não lhe falte a água para fazer crescer o que foi plantado na primavera.

Assim acontece com as pessoas. Precisamos de uma pausa, uma paragem, para podermos apreciar o que temos, quem somos e sentirmos com mais intensidade os outros com quem vivemos.

Este é o tempo para nos encontrarmos, acolhermos e apreciarmos a presença dos outros, escutando as suas histórias e aventuras.

Férias, um tempo saboroso, que nos convida a fazer e a viver em família.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 10 julho 2018)

 

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