Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Nos 50 anos da democracia

O país votou e de forma mais expressiva, um sinal positivo da democracia, valor inestimável, que Portugal conhece há cinquenta anos.

E, é porque vivemos em democracia que foi possível ouvir, nesta última campanha eleitoral, discursos radicais de direita, inspirados em velhas e bolorentas páginas da história. Houve quem propusesse retrocessos no texto da Constituição, o encerramento de fronteiras, a escolha dos imigrantes, a penalização moral e social da livre expressão da orientação de género, a recuperação de um quadro tradicional da família, preferencialmente, numerosa, onde a mãe seja doméstica e o pai provedor; uma família perfeita, onde não se fale dos conflitos individuais.  Um país “orgulhosamente só” que exalte a pátria, como valor absoluto de autossuficiência e onde os pobres sejam controlados, fiscalizados pelo poder público, por técnicos que, atrás de uma secretária, atribuem apoios, a quem merecer receber.

Esta é, por ventura uma caricatura, mas quem leia os programas eleitorais dos partidos que se posicionam mais à direita no quadro político atual, irá encontrar medidas que visam o que uns chamaram de “limpeza”, imbuídos de uma roupagem moral de “intocáveis”, face a todos esses que, na ótica desses partidos, “poluem” o país:  os pobres, as prostitutas, os imigrantes e a comunidade cigana, todos aqueles “outros” que “incomodam” e que terão, se quiserem viver neste país, de sujeitar-se a ser “como eles”, filhos da terra, herdeiros de uma nacionalidade.

Quando estamos a completar 50 anos de libertação de um regime autoritário e ditatorial, quando mais de três gerações puderam nascer sem medo, com acesso à escola e a um sistema de saúde público; quando ser mulher deixou de ser uma menoridade, mas condição de partilha de oportunidades e direitos, o país é confrontado com discursos que põem em causa a construção de uma sociedade paritária, solidária e aberta à diversidade cultural. 

O poder que humaniza é compreensivo, empático, procura identificar causas e encontrar soluções a partir dos contextos. Estes “novos” discursos, advogam o regresso à justiça individual, a redução do dever de solidariedade, o afastamento estrutural entre os que mais têm e os que menos possuem e promovem o agravamento do fosso social e económico, que fará regressar mendicidade, ignorância e falta de oportunidades!

O país acordou, no dia 11 de março, diante de um futuro incerto.

A história, que vier a ser escrita, irá contar este tempo e, talvez nessa altura, se possa entender o que aconteceu às gerações que, nascendo em democracia, se cansaram do que esta representa. Porque em democracia, todos os dias, temos de lutar, afirmar direitos, estar atentos a abusos de poder, vigilantes no cumprimento dos princípios da liberdade e da responsabilidade social. Será que as gerações de abril esqueceram de dizer aos filhos, o que representou a transição para a democracia? Será que alguns educaram as novas gerações, mais qualificadas do que eles, fazendo crer que a construção do país e o poder deveriam estar nas mãos, apenas, de alguns? Será que lhes prometeram o paraíso, sem lhes fazer crer que as ilusões devem dar lugar à realidade e a compreensão dos problemas deve partir da realidade vivida pelas pessoas?

O país votou e, agora, depois de arrefecer a pancada, Portugal terá de saber mostrar a si mesmo e ao mundo, o que realmente importa, quando se festeja 50 anos de democracia e liberdade.

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 12 março 2024) 

 "Onde é que você estava no 25 de Abril?"

 "Onde é que você estava no 25 de Abril?"

 

Esta célebre pergunta nasceu de um programa de entrevistas do escritor Baptista-Bastos, no final da década de noventa. Uma pergunta que toca, sobretudo, os que tiveram o privilégio de viver este dia histórico, que mudou a vida da sociedade portuguesa, não só pelo derrube do regime político, mas pela abertura ao mundo e a afirmação dos valores da democracia.

Onde estava eu no 25 de abril?

Era uma adolescente, que pouco ou nada sabia de política, mas que se questionava, por exemplo, porque motivo tinha de frequentar o Liceu Antero de Quental, rodeada apenas de raparigas, separadas dos rapazes por um corredor, controlado por uma funcionária? Porquê as raparigas da minha idade não ambicionavam o futuro passando pela universidade, mas viviam preocupadas com os namoros e o casamento?

As entradas e saídas do Liceu faziam-se por dois portões, um para cada grupo de género. Ao toque do fim das aulas, os rapazes lá estavam, plantados no passeio em frente ao portão das raparigas, para as verem sair.

Assim era o meu tempo de escola, quando a 25 de abril de 74, fomos avisados ao toque da sineta que habitualmente nos chamava para dentro das salas, para regressarmos a casa, porque tinha havido uma revolução em Lisboa.

Para os mais velhos, que frequentavam os últimos anos do liceu, alguns deles ativistas na clandestinidade, este acontecimento fazia sentido. Rapidamente se solidarizaram com os acontecimentos, que chegavam por rádio às ilhas, desfasados no tempo e distorcidos na objetividade dos factos.

Mesmo não tendo tido plena consciência do que representava, recordo a novidade das canções que passaram a tocar na rádio, onde se falava de liberdade e igualdade.

No liceu, eram frequentes as Reuniões Gerais de Alunos (RGA’s) que juntavam os estudantes no ginásio, para ouvirem falar de liberdade de expressão, revolução e afirmação dos direitos, contra as hierarquias autocráticas. Caía um véu de ignorância e subserviência, que acomodava os subalternos na condição de submissos e obedientes. Afinal, havia uma outra forma de estar, direito à palavra, inclusive, podíamos passar a conviver com os colegas rapazes. Deixava de fazer sentido, a separação entre géneros no Liceu e muitas outras limitações que eram impostos às raparigas, cujo futuro profissional e académico, era bem mais limitado.

O final da década de setenta trouxe uma aceleração na vida dos portugueses, confrontados com um mundo de novidades que, nos Açores, tiveram na chegada da televisão uma das principais formas de descoberta.  O mundo era muito maior, as possibilidades de ser, imensas; os direitos humanos, uma realidade desconhecida e a possibilidade de se fazer ouvir, uma oportunidade nunca antes vivida.

Onde é que você estava no 25 de Abril?

Se tivermos em conta os dados do último recenseamento (2021), 55,3% da população portuguesa tem hoje menos de 50 anos, logo, nasceu pouco antes ou mesmo depois 1974. E se considerarmos todos aqueles que eram crianças ou jovens adolescentes como eu, apenas 17% da população terá memórias vividas deste dia histórico.

Hoje, talvez não seja tão importante saber onde estávamos em abril de 74, mas o que fizemos do que nos trouxe o regime democrático?

Como ensinamos as gerações mais novas o sentido da liberdade? Que justiça social defendemos e que igualdade de oportunidades concretizamos?

texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 25 abril 2023

 

Livre

O sentimento de liberdade é subjetivo, interior, imaterial. Mas, nesse quadro de referencias tão pessoais, tudo é relativo. Livre em relação a quê, a quem? Livre de quê ou de quem?

Dificilmente o ser humano se liberta de algo, sem logo a seguir se ligar a outra realidade, seja pessoa, hábito ou ideal.

Libertei-me do tabaco, mas agora não consigo passar sem umas pastilhas elásticas. Libertei-me do emprego, mas preciso de um horário para me organizar.

Realmente o que nos torna livres não é estarmos desligados dos outros ou do mundo, porque ninguém consegue ser livre sozinho. Nem tão pouco a liberdade se concretiza porque não temos compromissos, como poderá pensar o reformado que voluntariamente antecipou a sua saída do mundo do trabalho. Não tardou muito, comprometeu-se com outras realidades. Dirá que o fez sem ser por obrigação, desses compromissos não depende a sua sobrevivência, mas são compromissos na mesma. Alguém, na associação onde é voluntário, no curso que resolveu frequentar, passou a contar com ele, e isso compromete, é uma obrigação e a demonstração do seu sentido de responsabilidade cívica.

Livre mas ligado, talvez essa seja a fórmula humana de viver feliz.

Ligado aos outros, por afetos, por projetos. Ligado ao mundo, na procura de respostas e/ou de soluções. Ligado aos que ajudamos, de forma espontânea ou por sentido do dever.

Ninguém é livre, se estiver desligado, sozinho ou isolado.

Duvido que a liberdade acabe onde começa a liberdade do outro! Dessa forma não haveria sobreposição de espaços, de vidas e a minha liberdade seria mensurável.

A liberdade é sempre relacional, constrói-se sempre com um outro, por isso, nunca acaba nem começa, entrecruza-se. Mas perde-se, isso sim, quando destrói o outro, quando dessa relação resulta sofrimento, violência, desrespeito pela dignidade, humilhação. E quem assim age, deixa de ser uma pessoa livre, porque destruindo o outro, destrói-se a si mesmo, magoando a dignidade de alguém, perde a sua própria dignidade.

Aprender a gerir o livre arbítrio, como refere o código penal, é saber escolher e não poder fazer o que apetece, como se o mundo começasse e acabasse em mim.

Porque a liberdade faz-se com os outros, como o ser pessoa também.

Ser livre é procurar a dignidade, a humanidade no outro e, com isso, sentir-se mais digno e mais humano.

Livre para pensar, refletir o mundo e devolver imagens que possam ajudar alguém, que faça pensar ou "sair da caixa", como agora se diz. Porque não é livre quem se fecha num mundo acabado, sem futuro, sem horizonte, por medo, para se defender do confronto de ideias ou opiniões.

Não é livre quem apenas se preocupa com as aparências e as circunstâncias, quem passa a vida no jogo de cintura, sem dar conta que anda à roda sobre si mesmo e pouco ou nada consegue avançar.

Só é livre por dentro quem é capaz de se comprometer e de construir, sem ficar dependente ou se apoderar da obra que constrói. A liberdade abre o espírito à diferença e, tal como no Pentecostes, desbloqueia amarras, abrindo os porões ou portões do medo e da angústia.

Ninguém é livre se ficar encerrado num mundo de conveniências, sem se atrever abrir as portas do pensar e do sentir.

Tal como a ilha se liberta na espuma do mar, o ser humano é pelo espírito que descobre o mundo que o rodeia.

(texto publicado no Açoriano Oriental, 19 Maio 2015)

As palavras libertam

A palavra é um instrumento com força de libertação, que confere cidadania e transforma um indivíduo em pessoa. Livre, a palavra incomoda os ditadores e todos aqueles que se acham donos do poder que os lugares lhes conferem. Quando não conseguem calar as vozes inconvenientes, recorrem à censura, mais ou menos declarada, feita com lápis azul ou regras que silenciam palavras incómodas.

A palavra tem força, porque carrega dentro de si um significado literal e a realidade que nomeia. É um revelador dos estados de alma, que veicula a intensidade das emoções e dos afectos, e pode ser utilizada como instrumento de pressão e persuasão, unindo ou separando as pessoas.

A palavra tem tal força que, retirar esse direito a alguém constitui uma forma de condenação ou penalização.

A palavra, dita ou escrita, liberta. Por isso, se há diferença que marca os tempos do antes e do depois de Abril de 1974 é o ganho em liberdade de expressão. Uma liberdade visível no modo como hoje se aborda a diversidade de pensamentos, se consideram as minorias sociais, se encara a multiculturalidade e se promove o direito à escola para todos.

Porque a palavra liberta, falar de cidadania é assumir, entre outros, o direito de criticar, denunciar, reivindicar e reclamar. Ninguém tem o dever de calar a injustiça ou a violência de que é vítima. Os tempos em que se engoliam as palavras e se apaziguavam conflitos abafando as vozes contrárias, têm de ser enterrados.

A palavra liberta. Liberta o homem e a mulher dos seus receios, equívocos e preconceitos, quantas vezes enraizados em falta de informação ou incapacidade de questionar e pedir esclarecimentos. Uma palavra não dita é uma dúvida que se avoluma.

Nos tempos que correm, apesar de vivermos com liberdade de expressão e de não precisarmos de esconder sentidos nas entrelinhas para passar uma mensagem, corremos outros riscos, particularmente o de esquecermos a força das palavras. Quando deixamos que os meios tecnológicos ocupem o tempo que deveríamos reservar à conversa, à tertúlia ou a um serão em família; quando mutilamos a língua escrita, para a fazermos encaixar em curtas mensagens electrónicas e sms de telemóvel, é a palavra que está em risco.

As palavras fazem parte do património cultural, que descobrimos desde o nascimento e que nos torna membros de um povo. Através delas mergulhamos no conhecimento. Com elas, descodificamos o mundo, assumimos uma identidade e um sotaque.

As palavras são sínteses de sentido, espelhos da alma onde o ser humano se revê. Janelas de conhecimento que se abrem, por exemplo, em relato de viagem, resultado de investigação, notícia ou texto de opinião.

Escrever palavras é um exercício de liberdade e os jornais são uma das suas expressões mais significativas. Por isso, registo e congratulo-me com a passagem dos 175 anos, recentemente festejados, do Açoriano Oriental. Um jornal que atravessou três séculos de história, divulgando palavras que libertam.

(publicado no Açoriano Oriental de 26 de Abril 2010)

Interrupção "democrática"

Fui forçada a interromper a publicação de artigos de opinião no Açoriano Oriental por ser candidata a Presidente da Assembleia Municipal, pelo Partido Socialista, nas próximas eleições autárquicas de 11 de Outubro, p.f.

Porque entendo que a directiva da Entidade Reguladora da Comunicação Social não promove a democracia nem a transparência, entendi fazê-lo em texto que foi publicado pelo AO no dia 16 de Agosto, véspera da entrega das listas no Tribunal, por parte da candidatura a que pertenço.

Apesar deste impedimento, vou manter a coluna no blog, porque a escrita sobre a realidade que me rodeia é um direito que me assiste como cidadã.

 

 

De acordo com a directiva 2/2009 da Entidade Reguladora da Comunicação Social, os órgãos de comunicação social poderão suspender a colaboração de quem seja candidato nos próximos actos eleitorais.
De acordo com a mesma directiva, tal decisão deveu-se a queixas e pretende proporcionar “igualdade de oportunidades de acção e propaganda das candidaturas durante as campanhas eleitorais".
Como candidata a Presidente da Assembleia Municipal de Ponta Delgada pelo Partido Socialista sou obrigada a afastar-me e suspender a colaboração semanal que mantenho com o Açoriano Oriental, sem interrupções, há cinco anos, período durante o qual fui candidata em três actos eleitorais.
Porque estimo aqueles que são leitores habituais, devo-lhes uma explicação e partilho a minha opinião sobre esta orientação, que considero inapropriada e não defende, como pretende, a igualdade e a transparência. Inapropriada porque, acima de tudo, as crónicas ou textos de opinião são da responsabilidade dos seus autores, convidados a participar em nome individual e nunca para representar um partido, mesmo quando participam em listas eleitorais.
Aceitar ser candidato numa eleição é um acto de cidadania, que não deveria limitar a participação cívica, tal como entendo ser a colaboração com a comunicação social. Há mais conteúdos para além das campanhas! Há mais opiniões para além das que versam a actividade político-partidária. E mesmo nesse contexto, por ventura, a opinião de quem é candidato será mais frontal e verdadeira do que a de outros que, não o sendo, assinam colunas declaradamente tendenciosas e posicionadas do ponto de vista partidário.
Não vejo como a opinião pública dos cidadãos que participam como efectivos ou suplentes numa lista eleitoral e que são “colaboradores regulares em espaços de opinião” possa influenciar mais do que a que manifestam outros, militantes ou simpatizantes de partidos, mas não candidatos, que escrevem deliberadamente sobre a actividade política.
Diz ainda a directiva da ERC que assim se pretende minimizar a “visibilidade acrescida” que os órgãos de comunicação social conferem aos candidatos. Não acredito que o prestígio ou a notoriedade de uma pessoa se possa construir em um ou dois meses de escritos antes de uma eleição.
E que dizer do impacto na visibilidade, seja no elogio ou na difamação, que perpassa nos comentários dos “não candidatos”?
Não acredito na democracia que se constrói com controlo da liberdade de expressão, nem concebo a justiça de “regra e esquadro”, que mede os caracteres ou as palavras ditas a favor ou contra.
Quem decreta a suspensão da escrita ou da voz dos que se assumem com transparência, deveria antes recear a hipocrisia dos que se escondem detrás das palavras.
(publicado no Açoriano Oriental de 16 de Agosto 2009)

 

Liberdade e responsabilidade

 

 Portugal conhece e experimenta há trinta e cinco anos o gosto da liberdade, o poder da participação e a necessidade de desenvolvimento, durante demasiado tempo limitadas.

A liberdade cria espaço interior, solta as amarras do medo e revoga o princípio que associava a felicidade à ignorância. “Mais vale não saber”, “mais vale não conhecer. Assim sofre-se menos”.

Como podia um país crescer quando a escola não era para todos? Como podia o país enriquecer quando amealhar significava guardar as economias debaixo do colchão ou emigrar para outras terras, mesmo que isso significasse trabalho pouco qualificado?

Eram outros tempos, onde a desigualdade social era uma característica inerente à relação entre géneros, gerações e estratos sociais. Perante as dificuldades, caberia aqueles que tivessem mais estudos, mais dinheiro e mais poder, encontrar a solução, nem que esta fosse marcadamente injusta e exigisse um esforço acrescido dos mais fragilizados.

Os tempos que correm são marcadamente difíceis para muitos. No entanto, longe vão os tempos em que dependeria das decisões de um qualquer messias político a solução para os actuais problemas das famílias e das empresas. Hoje essa responsabilidade é de todos. A liberdade que ganhamos com a democracia exige de todos um sentido de responsabilidade, a começar na forma como lidamos com as situações de dificuldade quotidianas.

Esperar que a crise se dissolva como um nó nas mãos de um experiente economista ou decisor, sem aproveitar para rever o caminho que percorremos é recusar admitir que erramos sempre que não apostamos na escolarização dos nossos filhos; é não querer assumir falta de visão quando não se investe na formação e qualificação profissional; e não reconhecer como errada e votada ao insucesso a estratégia que prefere a quantidade à qualidade.

Vivemos em democracia há 35 anos, no entanto, por vezes parece que não mudamos traços do passado, que nos fizeram subservientes e acomodados a vidas remediadas e simplórias, num país onde o analfabetismo não chocava, o ensino profissional era uma miragem e a qualidade um atributo raro.

Hoje, dificilmente aceitamos esse quadro que nos impediu de crescer. Mas, ao que parece, alguns ainda não compreenderam que a liberdade ou as liberdades que o regime democrático trouxe a este país são exigências de responsabilidade, são imperativos de cidadania que envolvem todos e cada um. Não depende apenas do poder instituído a resolução das nossas maiores dificuldades, não depende do carácter obrigatório, a escolarização dos nossos filhos, nem pode ser apenas um cumprir de calendário a formação que se exige de cada pessoa, para que se possa apostar na melhoria da qualidade do serviço que presta.

Infelizmente, ainda agora se ouvem vozes, entre as quais a de jovens que nasceram no pós 74, que recuperam a figura de um qualquer Salazar como salvador da crise, como terá questionado um jovem açoriano na sessão do Parlamento Jovem que decorreu na Assembleia da República.

Por ventura incapaz de reconhecer a sua própria responsabilidade, quem apela ao regresso de um ditador só pode ser alguém que não foi ensinado ou não aprendeu a ser responsável, a ser autónomo e a saber lutar pelos seus direitos, mas sobretudo, pela sua quota parte de participação activa na construção do futuro de todos.

(publicado no Açoriano Oriental de 27 Abril 2009)

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D