Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Valha-me Santa Bárbara!

Há riscos azuis que iluminam o céu! Depois, sente-se o ressoar do trovão, como se o céu estivesse a se desmoronar por cima das nossas cabeças!

Valha-me Santa Bárbara! Dirão uns. Que Deus nos proteja! Dirão outros!

Não faltam invocações de proteção na cultura cristã, santos que protegem em todas as situações, cultos que curam todos os males e defendem de todos os perigos, assim acreditam aqueles que usam amuletos, imagens sagradas ao peito ou medalhinhas na carteira.

Por influência de outros credos e culturas, há quem use patas de coelho, espanta-espíritos ou faça tatuagens no corpo, em busca dessa proteção.

Todas estas práticas provam o quão frágil é o ser humano e o quanto precisamos de proteção para as dificuldades da vida, porque se, por um lado, o corpo se adapta, nem sempre possui as defesas necessárias para enfrentar as novas agressões, que a própria humanidade cria, no ar poluído, nos alimentos, criados à base de produtos químicos, na falta de recursos naturais e em tantas outras realidades que causam doenças, mais ou menos conhecidas.

A nossa história está marcada por essas lutas. A lepra, a tuberculose, o ébola, são exemplos de doenças que mataram milhares de seres humanos, num tempo em que se desconhecia a vacina ou a proteção adequada. Hoje, felizmente, são doenças vencidas, para as quais existem vacinas.

O mesmo acontece com outras, que fazem parte do plano de vacinação das crianças, como a Difteria, o Tétano, a Poliomielite, a Hepatite B ou a Meningite.

Alguém se atreveria a considerar desnecessária essa proteção? Infelizmente há quem não acredite na eficácia da vacinação, apesar da comprovada redução da mortalidade e da morbilidade que dela resultaram, fruto do melhor conhecimento da Ciência sobre essas doenças.

Estamos a atravessar mais um tempo de incerteza, por ainda não dominarmos o vírus da Covid19 e não termos nenhum Santo que possamos invocar. Enquanto a vacina não for disponibilizada, resta-nos usar as máscaras e higienizar as mãos.

As máscaras são hoje um objeto de uso diário, que não penduramos ao peito, mas usamos nas malas, nos bolsos, nos espelhos do carro, pendurado junto com a bandeira do Espírito Santo ou o Terço.

Alguns, cansados de as utilizar, colocam-nas nos cotovelos, debaixo do queixo ou levam-nas com o saco das compras. É o único “amuleto” disponível para nos proteger de um vírus que paira, que nos distancia dos outros, enquanto esperamos, pacientemente, que os cientistas encontrem a resposta adequada, a vacina testada e comprovadamente eficaz.

Entretanto, não podemos descurar o recurso às outras vacinas, que têm protegido várias gerações de doenças incapacitantes, até da gripe sazonal, que pode matar os mais vulneráveis, os idosos. Infelizmente há quem duvide disso, até profissionais de saúde!

O ser humano é frágil, vulnerável e, desde sempre, precisou de se proteger para enfrentar as intempéries, as agressões e os riscos. O conhecimento aprofundado dessas fragilidades, chama-se ciência. Uma ciência, que se quer inspirada por valores humanistas, de defesa do bem comum.

Deus fala aos homens através do bem comum. E recusar as descobertas científicas que melhoram a qualidade da vida humana e previnem doenças é, por ventura, não ouvir a voz de Deus.

Valha-nos a Ciência, valha-nos Deus!

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 15 setembro 2020)

Sorrir com os olhos

Só lhes vemos os olhos, tristes, alegres ou preocupados, e reparamos nas rugas, no sobrolho, mais ou menos fechado, ou até nas lágrimas que brilham no olhar.

Os rostos escondidos pelo uso das máscaras ficaram menos reconhecíveis.

“Desculpa, não te reconheci! - Bom dia!”

O fole do pano acompanha a pronúncia das palavras, mas esconde os sorrisos, os trejeitos da boca, até os gestos menos educados, como por a língua de fora! Ninguém vê!

No mercado, o vendedor reconhece uma vantagem nesta obrigação sanitária: os clientes já não têm a tentação de provar as uvas, petiscar nas cerejas ou provar antes de comprar! Já nas lojas de estética, o desalento é evidente: deixaram de se vender os batons, os cremes de maquilhagem, que dão às peles um ar bronzeado ou retocado. Agora, só mesmo os olhos requerem um cuidado especial.

A retrosaria não tem mãos (panos) a medir! Vendem-se metros de tecido e de elástico para confecionar máscaras, a combinar com a indumentária ou com a profissão. Máscaras em forma de bico de pato ou com fole, com “ventiladores” ou até com uma inserção de plástico, para que se possa visualizar a boca.

E esse é um dado importante.

Parecendo que não, parte da nossa comunicação passa pela leitura labial, sobretudo, quando o outro fala numa língua diferente. Somos levados a olhar o movimento dos lábios para melhor entender. Para além disso, é mais do que evidente que o uso das máscaras reduz o volume da voz, cria uma barreira ao entendimento, particularmente quando alguém pretende segredar ou falar, sem que outros o entendam.

Não está sendo fácil comunicar sem poder recorrer aos movimentos da boca, sem conseguir vislumbrar se, quem nos ouve, está ou não de acordo com a nossa opinião. Falta-nos uma parte importante do rosto.

Esta situação permite-nos avaliar como, nas culturas onde as mulheres são obrigadas a cobrir o rosto, isso restringe a liberdade feminina em termos de expressão no espaço público. A liberdade de falar, não se reduz à expressão do pensamento por palavras, mas implica o recurso à linguagem não verbal.

Resta-nos os olhos para podermos sorrir! Brilhantes ou baços, mais ou menos fechados, mais ou menos descaídos por força da pressão exercida pelas sobrancelhas.

Resta-nos a alegria interior ou o desespero!

Mas, dirão alguns, está em causa a segurança, a saúde!

Não sabemos é se a forma como utilizamos esse EPI (equipamento de proteção individual) será muito saudável!? Desde logo, porque só devemos usar máscara, no máximo durante quatro horas, já que isso nos obriga a sentir o odor do nosso corpo e a respirar o anidrido carbono que dele emana.

Para além disso, apesar de conscientes dos motivos que nos obrigam a este sacrifício, nem sempre estamos certos da sua eficácia, porque muitos de nós falham no protocolo a seguir quanto ao bom uso da máscara: não tocar com as mãos, descartar pelos elásticos, deitar fora diariamente as de papel, higienizar a 60 graus as de pano!

Com máscara ou não, precisamos de reforçar a nossa segurança interior e combater o medo, a dúvida e, se calhar, a inércia que muitos ganharam com a quarentena. A pior sequela desta pandemia pode ser o medo. E, um povo sem força anímica, nunca mais recupera!

A vida está aí, à nossa espera, lá fora!

Com força interior, vamos sorrir mais com os olhos!

Texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 9 de junho 2020

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2019
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2018
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2017
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2016
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2015
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2014
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2013
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2012
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2011
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2010
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2009
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2008
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2007
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D