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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

18
Mar17

Um Tempo para meditar!

sentirailha

A nossa ilha de São Miguel ecoa vozes masculinas que rezam cantando a Avé Maria. Não é habitual ouvir os homens rezar o terço. Se entrarmos num templo católico ou mesmo durante a preparação das festas do Espírito Santo, sempre que alguém levanta um terço, são as mulheres quem primeiro responde, são as vozes femininas que se ouvem rezar.

Mas, a tradição dos romeiros, nascida do medo dos sismos e do receio que fossem os erros dos homens a sua causa, transformou esta prática numa manifestação religiosa marcadamente masculina.

Pouco importa! Estes grupos de homens, cujas vidas são sobretudo dedicadas à terra, à fábrica, ao escritório ou até mesmo são estudantes, retiram um tempo para rezar, pensar e viver de modo diferente.

A romaria é, sobretudo, uma experiência de fraternidade e de simplicidade.

Podemos não perceber ou até mesmo discordar, podemos até questionar se tal experiência terá ou não impacto na vida espiritual dos que nela participam mas, o certo é que, todos nós precisamos de fazer "pausas" na agitação do nosso quotidiano.

Abrir um parêntesis no texto corrido das nossas vidas.

Um parêntesis de silêncio, de afastamento do barulho e da agitação. E como é difícil fazer tal coisa!

Ainda muito recentemente tive a oportunidade de assistir a uma sessão sobre Mindfulness, uma prática de meditação que começa por nos fazer concentrar na nossa própria respiração, neste movimento constante de entrada e saída do ar nos nossos pulmões.

Aconselho-vos a fazer essa experiência. Fechar os olhos e concentrar-se na sua própria respiração.

Passados poucos segundos, tenho quase a certeza, a vossa mente terá disparado para tudo quanto é pensamento, imagem, ou então irá prestar atenção aos sons da rua. Ainda não acabamos de fechar os olhos e a inquietação reaparece, "se calhar não fechei a luz da sala ou deixei a panela a ferver".

A nossa mente está sempre cheia de sons, ruídos, distrações, pensamentos que nos levam para todo o lado e que, muitas vezes, nos inquietam, angustiam.

Meditar, orar, parar, só é possível se começarmos por fazer silêncio e formos capazes de olhar para nós e para a vida que cada um de nós leva, boa ou má, com serenidade, sem a preocupação de a resolver.

Fazer uma pausa na vida, como os romeiros, interromper a vida laboral ou simplesmente respirar com calma, é necessário e importante.

Mas, uma pausa, que seja de minutos, só é eficaz se a nossa mente for capaz de parar de julgar, se deixarmos de olhar a nossa vida ou a vida dos outros, opinando sobre o que está bem ou mal, porque eu devia ter feito ..., ou ela nunca mais vai conseguir....

Para podermos parar e reencontrar sentido em tudo o que nos acontece, é preciso começar por aceitar essa realidade.

Não é fácil, talvez seja a parte mais difícil de quem procura fazer o tal parêntesis na vida: aceitar essa vida, as circunstâncias, seja uma doença ou uma condição, seja uma pessoa ou uma situação.

Aceitar não é desistir de lutar e de vencer, mas perceber como fazê-lo. É ser capaz de olhar à distância os problemas e perceber como enfrentá-los melhor. É calar a voz da revolta, da raiva ou da paixão e olhar as pessoas com quem me relaciono ou as situações em que vivo, de forma mais serena e verdadeira.

É este o grande efeito da meditação.

Não é preciso usar palavras, orações feitas ou mergulhar a cabeça em leituras difíceis.

O mais importante é fazer silêncio interior.

Começar, quem sabe, como sugere a prática do mindfulness, por concentrar-se na respiração e ser capaz de sentir o momento, o agora. Não interessa o que tenho de fazer mais logo, amanhã ou nesta próxima semana.

O mais importante sou eu agora, neste momento, e ser capaz de gostar de mim, assim, como sou, esta pessoa que viveu até agora, e que tem dentro de si capacidades e limitações, mas que eu aceito.

Meditar, fazer uma romaria, é abrir um parêntesis no tempo agitado da vida, parar as rotinas, distanciar-se do barulho e concentrar-se em si próprio, para melhor se conhecer e saber lidar com essa mesma vida.

Neste tempo que antecede a primavera, e onde já se começa a ver despontar a vida, nas flores, nas árvores, nos pássaros que chilreiam pela manhã, é bom tirar um tempo para serenar e sentir. Sentir a pessoa que somos, sentir a ilha onde vivemos.

(texto lido na rubrica Sentir a Ilha, integrada no programa de Graça Moniz "Entre palavras", do dia 12 Março 2017)

13
Nov07

Lugar à reflexão

sentirailha

O tempo foge, os dias passam a correr e, quando damos por nós, o fim-de-semana já passou.

Esta experiência subjectiva do tempo é cada vez mais premente. Não porque as horas tenham deixado de ter sessenta minutos ou os dias vinte e quatro horas, mas simplesmente, porque o modo como se ocupam essas parcelas de tempo é cada vez mais marcado pela pressa de chegar, pelos números a produzir, pelo volume excessivo de trabalho e de tarefas a desenvolver. A esta intensidade de trabalho, acresce-se os tempos dedicados a ver televisão, para alguns quase como uma obrigação, porque há séries ou episódios de uma telenovela que não se querem perder.

Fica pouco tempo para visitar a família ou os amigos, até porque há hoje mais espectáculos, sessões de cinema e espaços comerciais abertos até tarde, preenchendo a vida quotidiana de forma muito mais alargada.

Mas então o que falta para que os dias não fujam e as semanas não voem!?

Faltam tempos de meditação e reflexão, encontros calmos com os amigos, onde fluem aquelas conversas profundas que fazem ver e pensar, que ajudam a ponderar e amadurecer decisões e nos permitem emitir opiniões.

Quando se pára para reflectir e, sobretudo, se conversa com quem tem experiência da vida, ganha-se em sabedoria. Um minuto parece uma hora e uma hora, um dia, porque é a qualidade do que fazemos e a intensidade do que vivemos, que faz sentir o tempo, a ponto de podermos dizer ao fim do dia, valeu a pena ter vivido. Ir até ao fundo do que pensamos, não viver pela rama, mas de forma enraizada, qualificar a comunicação, sendo sinceros e não superficiais nas emoções, curiosos no olhar e não indiferentes, transforma o tempo em percurso vivido. Pressas, precipitações, superficialidades são tempo desperdiçado, lugares vazios sem história.

A vida pode ser curta, mas é certamente muito mais interessante quando pode ser útil. E, para que isso aconteça, não basta existir é preciso viver cada dia de forma intensa – como se fosse o último -, o que não significa forçosamente, passar o tempo todo a trabalhar e a produzir mas encontrar sentido em tudo o que se faz, reservando tempos para os outros e tempo para si próprio.

A vida até pode ser complicada, enredada e confusa, mas quando se medita e se faz dos acontecimentos lugares de análise e de paragem, encontra-se um fio condutor no meio desse emaranhado de fios que tecem as confusões, os conflitos ou a desorganização.

Meditar, reflectir, ou por ventura, rezar para aqueles que acreditam e têm uma vivência de fé, são tempos de purificação e relaxamento, que deixam entrar o silencio no meio dos ruídos e fazem penetrar a luz no meio da escuridão, abrindo caminhos no deserto.

Meditar, reflectir, é hoje uma necessidade de todas as organizações humanas, seja na família, numa empresa ou em qualquer outra instituição.

Meditar abre horizontes de interligação entre os homens.

Debater os assuntos que preocupam um casal, uma família, grupo ou mesmo que perturbam a vida de uma comunidade é ter consciência de que, quando as relações falham não se deve procurar um remédio sem antes conhecer o mal de que padecem. Meditar pode ser o princípio, quando se procura entender os erros, as fragilidades que provocam esse mal-estar, descobrindo, ao mesmo tempo, os pontos de força que estruturam a vida.

É preciso reflectir esse tempo que passa a correr, em silêncio ou por palavras escritas, ao som de uma boa música ou do marulhar das águas do mar.

Dar lugar à reflexão é marcar encontro com a paz.

(publicado no Açoriano Oriental a 12 de Novembro 2007)

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