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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

28
Jul10

Estacionar junto à secretária

sentirailha

Muitos automobilistas, se pudessem, estacionavam o carro ao lado da mesa do escritório, repartição ou gabinete onde trabalham ou onde necessitam de ir tratar de um assunto.

Pensar em andar a pé, mais do que dez ou vinte passos, parece uma exigência excessiva para quem faz do carro as suas pernas.

Até podem ter de dar duas e três voltas antes de encontrar um lugar, mas desprezam todos aqueles que estiverem longe do local onde pretendem ir. Se calhar até podiam deixar o carro em casa, mas pensam, sempre, que vão demorar menos tempo se levarem o carro, nem que seja para percorrer cem metros.

Alguns condutores até são ultrapassados por peões que caminham nos passeios, num passo normal, enquanto eles fazem fila, presos no engarrafamento, vendo os semáforos mudar de verde para vermelho, sem que consigam avançar.

Um automobilista, atrasado e ansioso por chegar ao emprego ou que não quer ficar longe de determinado local, é capaz, por comodismo, de estacionar em qualquer sítio, bloqueando a saída de uma garagem, impedindo os outros carros, saltando passeios, entrando por zonas ajardinadas e não se inibindo de ocupar áreas reservadas aos peões.

Nessas horas, o carro invade o espaço e o condutor apenas se preocupa consigo; não há barreiras, sinais de proibição e, sobretudo, não há civismo e falta bom senso.

Infelizmente, essa é a mentalidade de muitos dos nossos condutores, que urge mudar e reeducar.

Poderíamos falar das alterações climáticas, dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, do ruído, da desumanização que o excesso de veículos impõe nos meios urbanos, como justificações para reduzir o número de viaturas que circula nas cidades, mas basta considerar a falta de saúde e os problemas da obesidade para realçar a importância do hábito de andar.

Não basta plantar umas árvores nos passeios para dizer que se é amigo da natureza ou que se promove o equilíbrio entre o construído e os espaços verdes. É fundamental revalorizar o ambiente; é preciso ouvir as histórias que o património natural e construído tem para contar, reencontrar o gosto pelas deslocações a pé ou de bicicleta e transformar os locais de convívio em espaços animados. E isso significa utilizar os veículos a motor de forma moderada e, preferencialmente, em grupo.

Promover a melhoria da qualidade de vida dos habitantes da nossa terra implica, forçosamente, reaprender a andar e a gerir o recurso ao transporte motorizado. Significa libertar praças e zonas ajardinadas da presença de automóveis e reforçar os locais de convívio e lazer.

Por exemplo, não faz qualquer sentido o estacionamento nos passeios em torno da igreja Matriz de Ponta Delgada, mesmo que alguns possam justificar que, nessa hora, participam em actos religiosos. Há pelo menos três parques a menos de cinquenta metros e se alguém tem dificuldades motoras, bastaria deixar essa pessoa à porta e estacionar a viatura noutro local. Também não se percebe porque motivo se passou a estacionar em frente ao Liceu ou ainda se o faz no largo, outrora jardim, junto à Igreja dos Jesuítas. Em qualquer dos casos há parques próximos.

O comodismo e o facilitismo, dos responsáveis políticos e dos cidadãos em geral, dificilmente construirão uma sociedade mais saudável.

(publicado no Açoriano Oriental, 26 Julho 2010)

29
Jul09

Circular na Rua dos Mercadores

sentirailha

 

Não passo de carro na rua dos Mercadores. Não é proibido, nenhum sinal de trânsito o impede, mas o bom senso e, sobretudo, o respeito pelo trabalho dos calceteiros que durante semanas construíram e embelezaram o piso daquela via, impede-me de o fazer.
A rua dos Mercadores foi certamente uma das mais importantes no comércio da cidade, no tempo em que esta actividade acontecia em torno da igreja Matriz.
Mais tarde, apesar da extensão dos comerciantes a norte e sobretudo a poente do centro da cidade, a rua manteve um conjunto de lojas, algumas das quais já abandonaram esta via.
Recentemente a Rua foi calcetada, julgava eu e imagino muitos mais, para ser devolvida aos peões. Sem passeios, poderia ser um incentivo à fixação de novas empresas, nomeadamente do ramo da restauração, instalando esplanadas e espaços de convívio.
Infelizmente, o executivo municipal entendeu que a via deveria manter-se aberta ao trânsito, não apenas para descargas e em horário limitado, mas a qualquer hora do dia.
Os carros atravessam o espaço, por vezes em velocidade excessiva, cabendo ao peão estar atento ao som, isso se não for surdo, para evitar um atropelamento.
Não faz sentido. A joga de mármore que forma os desenhos geométricos da calçada começa a revelar marcas de poluição e pneus das viaturas, sem respeito pelo trabalho aturado de quem lapidou pedra a pedra aquela calçada.
Apesar de sermos tentados a levar o carro para todo o lado, é urgente libertar a nossa cidade da pressão que as viaturas impõem, aumentando o ruído, a poluição, quantas vezes formando verdadeiras barreiras à mobilidade dos cegos, dos deficientes motores ou, simplesmente, dos mais pequenos que viajam em carrinhos de bebé ou pela mão dos seus pais.
Até pode ser permitido, mas os habitantes de Ponta Delgada deveriam evitar passar nesta rua histórica com viaturas motorizadas, a não ser os moradores ou em situação de descarga, como ocorre em outras vias pedonais.
A Rua dos Mercadores deveria ser transformada num novo espaço de convívio urbano, já que se trata de uma via onde a história da cidade se conta nos seus bonitos edifícios.
(publicado no Açoriano Oriental de 27 de Julho 2009)

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