Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Em véspera de Natal

A tradição mantém-se. Para muitos talvez tenha perdido sentido, mas a beleza dos vasos de ervilhaca, derramando uma chuva de fios brancos, ou dos pequenos prados de trigo verdejante, continua a marcar presença na decoração de Natal de muitas famílias.

Contrastando com as luzes que piscam, as árvores de plástico e os enfeites cobertos de areias cintilantes, a ervilhaca e o trigo transportam-nos para outro tempo e revelam um Natal com outro sentido.

Este é o Natal simples, dos que aguardam com esperança a renovação e reconhecem humildade e simplicidade na gruta de Belém.

Reza a tradição que as sementes devem ser postas em água a 8 de Dezembro, festa de Nossa Senhora da Conceição, e na terra no dia 13, dia de Santa Luzia. Uma tradição que terá vindo com os povoadores, já que acontece no Algarve, onde também estas sementeiras enfeitam os altarinhos dedicados ao menino Jesus.

Rodear o presépio ou o altar do Menino, de tangerinas e pequenos canteiros de ervilhaca, trigo, ou até de alpista e outros grãos germinados, era prenúncio de quem esperava boas colheitas e fartura de pão, no ano seguinte.

Em torno da imagem, que simboliza o renascimento, a esperança e um novo tempo, a tradição das pequenas sementeiras mostra-nos um povo consciente da incerteza e da vulnerabilidade da vida. Nada está garantido! Mas, quando há entrega e os gestos de simplicidade são genuínos, tudo ganha sentido, até os acontecimentos menos bons e os desejos não concretizados.

O Natal não é tempo de fachadas ou faz-de-conta, mas de reencontros sinceros, profundos.

Por detrás dos brilhos e das luzes cintilantes, há um cheiro a cedro e a luz de uma vela que ilumina o rosto de uma criança, aquecida pelo bafo de um burro e de uma vaca, como nos conta a história popular.

Um Deus feito homem mudou a humanidade e, ainda agora, reúne famílias em torno do presépio, que se deve a São Francisco quando, no século XIII, utilizou esta representação para falar do nascimento de Jesus.

Um acontecimento, vivido há mais de dois mil anos, transformou a gruta de Belém num espaço doméstico, que se reconstrói em milhares de casas e terras, fazendo memória desse momento que, segundo os textos, levou Maria e José a refugiarem-se num estábulo, quando se dirigiam a Nazaré para que Jesus aí nascesse e fosse depois registado, em Jerusalém.

Para as religiões monoteístas, Jerusalém é muito mais do que um lugar na história sagrada, é uma referencia para os cristãos, que reconheceram o Messias, mas também para os judeus, que ainda o esperam, ou os muçulmanos que acreditam no Deus do profeta e muitos outros, que ainda agora procuram entender a mensagem de Belém.

A decisão da ONU, ao manter Jerusalém separada dos conflitos entre Israel e Palestina, faz parte do plano de pacificação entre estes territórios, que são vítimas de uma história política onde se misturam credos e lugares de culto.

A paz não se decreta, constrói-se. E essa construção é um edifício frágil, que pode levar anos, décadas, a montar e ser destruída num sopro.

Foi isso que o presidente dos Estados Unidos fez, ao decidir reconhecer Jerusalém como capital de Israel. À distância, sem respeitar a história da Palestina, Trump assoprou um braseiro, supostamente, para cumprir uma promessa eleitoral.

A paz é uma ciência (paciência) que só os humildes de coração conseguem decifrar, inacessível a quem vive ofuscado com o brilho dourado do poder.

Natal é tempo de procurarmos o essencial, no cheiro do cedro, num prato de ervilhaca ou no brilho de uma vela; entender a paz e reconciliar a fragilidade do ser humano com a força da esperança.

(texto publcado no jornal Açoriano Oriental de 12 Dezembro 2017)

À luz da vela

O rosto do meu menino Jesus brilha à luz de uma vela, entre as imagens de Nossa Senhora e São José. Aconchegado numa cama de palhinhas, que todos os anos refaço para o deitar, parece contente debaixo do teto feito de galhos que o vento arrancou às árvores.

Este é o momento que dá sentido ao meu Natal, sempre igual nas imagens, guardadas em papel de jornal, mas sempre diferente na história que me conta sobre o ano que passou e me faz recordar, agradecer, bons e os maus momentos.

Por muito que alguns teimem em reduzir este tempo ao consumo e exagero, seja alimentar ou decorativo, o presépio continua a ser o único espaço que permanece fiel à mensagem de simplicidade e renovação que representa o Natal.

Natal, palavra mágica, que muitos nem lhe conhecem a origem, mas que torna as pessoas diferentes, mais generosas e alegres.

Levanto os olhos para esse menino luz, que reflete o calor da vela, que brilha no meio da ervilhaca e do trigo, e recordo em mim a criança que fui e que sou no fundo de mim mesma. Afinal, todos nós somos, agora e hoje, parte do que já fomos. E, nada melhor do que este tempo para renovar em nós essa infância simples, generosa e imaginativa.

Mesmo aqueles que dizem não acreditar no Deus menino, esperam que este tempo faça milagres de amor.

São inúmeras as iniciativas de angariação de géneros alimentares para pessoas carenciadas; os jornais falam de famílias separadas e fragilizadas, que sonham viver o Natal à volta de uma mesa. Os peditórios alertam para a realidade da pobreza infantil, das crianças que nunca tiveram a visita do velhinho de barbas, que parece assustar alguns meninos, quando os pais insistem numa fotografia tirada ao colo desse avô dos presentes.

Natal! Há no ar um sentimento misto de felicidade e angústia. Se por momentos parecem felizes com toda essa azáfama, há quem fique angustiado sem conseguir gerir, ao mesmo tempo, o excesso do consumo e o apelo de tantas campanhas para ajudar.

Parece que fazemos questão de guardar tudo para este tempo. Numa única semana por ano, fazem-se limpezas, enfeitam-se as casas com brilho e luzes, junta-se a família e lembram-se os amigos, com prendas e refeições de festa. Nesta semana somos mais amigos de ajudar quem não conhecemos, ao mesmo tempo que somos mais facilmente tentados pelo exagero do supérfluo, solidários com uma mão, gastamos com a outra. Não admira que fiquemos cansados, alguns até exaustos, quando terminam as festas e a vida volta à normal rotina de todo o ano, sem brilho nem fartura, de novo diante dos papéis de jornal que irão proteger as imagens do presépio.

Paro um pouco diante do presépio e volto a olhar esse rosto que acorda com o piscar da vela que brilha.

Ali, quieto, o menino Deus ocupa o centro da gruta, recorda o essencial, que não muda, apesar do brilho das árvores e do movimento nas lojas cheias de clientes.

Afinal tudo se resume a esta mensagem de simplicidade: o amor nasce sempre num lugar simples, no coração mais humilde, onde não haja luxos ou exageros, mas onde se sinta o calor do acolhimento.

Fecho os olhos e continuo a ver aquele rosto brilhar à luz da vela.

Afinal o Natal está dentro de cada pessoa, quando muitos o procuram comprar.

Nesse lugar a que chamamos coração, onde guardamos o melhor de nós mesmos, é aí que melhor se sente o significado deste tempo.

A todos, desejo um santo Natal.

Boas Festas!

 

(texto publicado no Açoriano Oriental de 15 Dezembro 2015).

O ano termina

Já tiramos a última folha ao calendário de 2014. Chegamos a Dezembro!

O ano termina, e se, para muitos, é sinal de tristeza, para outros, um alívio.

Tristeza para aqueles que viveram um ano bom, diferente, recheado de acontecimentos favoráveis e receiam que o próximo não seja igual. Alívio, para outros, para quem o ano foi difícil, carregado de problemas e sofrimentos, e nada como recomeçar um novo ano, na esperança de melhores dias.

Apesar de estarmos no fim do ano, o melhor é sempre encarar este fim como transitório. Um tempo de passagem e renovação que, aliás, muitos vivem de forma ruidosa e festiva!

Dezembro é um mês de emoções. As festas, as ofertas, os gestos de solidariedade, a família que se junta, os filhos que regressam de férias, os amigos que não se veem há muito tempo.

As pessoas parecem ficar ou estar diferentes; mais simpáticas, mais sensíveis, mais amigas e disponíveis para um sorriso, uma graça...

Sente-se uma onda de humanismo, de realismo, e as histórias de sofrimento e de abandono, tornam-se mais próximas, como se de repente o mundo se desse conta que levou o ano inteiro a passar, muitas vezes, ao lado da pobreza, ignorando os vizinhos, desconhecendo a dor e as dificuldades dos que trabalham na mesma instituição ou empresa, que estudam na mesma escola ou frequentam o mesmo ginásio.

Passaram ao lado, ignorando a realidade. Mas, chegados a dezembro, parece que a consciência começa a pesar. Talvez isso seja um sinal de alerta. Realmente é quando tomamos consciência que vemos mais e melhor; é quando deixamos cair o disfarce que reconhecemos a humanidade dos que nos rodeiam e dos que não cumprimentamos, a quem não costumamos dizer bom dia!

Natal é um tempo de maior proximidade ao transcendente, um tempo em que se exalta o amor, a fraternidade, a partilha. Crentes em Jesus ou não, todos somos tomados pela mensagem de simplicidade do presépio, onde contrasta a divindade com a pobreza do espaço, o brilho com a humildade dos personagens.

Dezembro é por isso o mês dos afetos. E por muitos anos que passem, 8 de Dezembro continua a ser um dia especial. Por ser o dia das montras, dirão alguns! Também! Ainda mantemos esta tradição de sair à rua e espreitar as prendas e sonhar com brinquedos!

Mas é também especial por ser ainda para muitos, entre os quais me incluo, o dia da mãe!

Um dia de agradecimento especial, que nada tem a ver com o espírito comercial que levou a mudar a data para Maio.

Este é o mês para fazermos o balanço. Do que fomos como filhos, do que somos como pais/mães, cidadãos, colegas! Vale a pena olhar para trás e pensar: o que fiz este ano que valeu a pena? O que podia ter feito, que deixei de lado, à espera que viesse a vontade e acabou por ficar esquecido a um canto!?

Este é também um tempo para pensar o que somos, de que somos feitos, em que acreditamos e o que nos move por dentro.

É mais um ano que termina, mas se algo ficou por fazer, há sempre possibilidade de transitar para o próximo, como fazem os contabilistas com os saldos!

Pode ser que seja tarde, mas se o que transitar for Amor, perdão, vontade de vencer, vai valer a pena começar o próximo ano, com todo esse património para gastar!

Neste final de 2014, permitam-me que vos deseje o que melhor se pode sentir no Natal... afetos.

Todos precisamos de sentir por dentro que somos amados, particularmente aqueles que vivem momentos mais difíceis...

No mais íntimo do ser humano, quando nada mais há do que disponibilidade, entrega e amor, tudo se renova, até a força para lutar!

(texto lido na rubrica "Sentir a ilha" no programa "Entre palavras" de Graça Moniz - R. Atlantida - 7 Dez.2014)

À procura do espírito de Natal

Percorro as ruas à procura do espírito de Natal e todos me dizem que é fácil encontrá-lo. Basta que preste atenção às canções que se ouvem nos altifalantes. Falam de pinheiros e de prendas, contam histórias de neve e de Pais natal que viajam em trenós de renas.

Mas, apesar dessa toada musical, pontuada pelo som dos sinos, não consigo sentir o espírito de Natal.

Há mais, dizem-me as vozes da rua, não desistas de encontrar. Procura as casas que brilham na noite, com luzes no telhado, nas paredes e nos jardins. Repara como, nesta altura, as pessoas andam numa azáfama; compram de tudo, carregam pacotes enfeitados. Umas mais do que outras aproveitam para vestir a família, decorar a casa e alegrar os mais novos.

Até parece que esse é o espírito de Natal, porque a dádiva e a troca são práticas de solidariedade que rompem com o espírito comercial, invertem os interesses que, na maioria dos casos, estão por detrás das transacções económicas. O Natal é um caso à parte. Compramos para dar, queremos mimar alguém com prendas, que julgamos irem agradar, porque foram compradas a pensar nessa pessoa. 

Não será que o espírito de Natal está aí presente nessas dádivas generosas? Mas, reparo que, no meio dessas compras todas, que deveriam ser gestos de amizade e de amor, há quem gaste pequenas fortunas, não porque o outro merece, mas para não ficar atrás, para parecer maior e se sobrepor ou ser comparável às prendas dos outros.

A boneca foi a maior, que é para a afilhada ficar com boa imagem da madrinha.

O equipamento de jogos foi o mais caro do mercado, para que o filho possa dizer na escola que tem o último modelo.

A televisão foi trocada, por uma com tantas funções que só de manual nas mãos.

Afinal, será que é esse o espírito de Natal, será que deve ser esse o significado das prendas?

Abandono as ruas, fecho as janelas às luzes e ao som dos altifalantes e procuro no sótão as caixas com os bonecos de presépio, embrulhados em papel de jornal, que me esperam há um ano, para que lhes dê vida.

Preparo o lugar do presépio, com musgão, pedras, ramos de cedro e paus que recolhi no campo. Recomeço o ritual de montagem deste espaço fora do espaço, onde se conta a história do nascimento de Jesus e se congregam os que o veneram, desde os pastores com as suas ovelhas, às mulheres que transportam cargas à cabeça até outras figuras, mais recentes, representando cenas tradicionais.

Acendo uma vela, coloco os pratos de ervilhaca e de trigo e deixo que a luz ilumine estas figuras de barro, que me contam histórias de outros natais e me fazem sentir criança.

Afinal, o espírito de Natal existe. Está presente ali, no silêncio daquelas imagens que transformam o recanto da minha sala num lugar de oração e renovam o mistério do nascimento de um Jesus, feito menino, que incarna os problemas mais graves da humanidade: a rejeição do homem da estalagem, que lhe oferece um estábulo para nascer; o frio de um lugar sem condições; a contradição de uma vida simples, de um reino de amor diante de um povo que esperava um Rei com armas e poder material.

Afinal o espírito de Natal existe, mas só se descobre na paz e no silêncio, no coração das pessoas e nos gestos de amor.

(publicado no Açoriano Oriental, 20 Dezembro 2010)

O Natal que eu não gosto

Nem tudo no Natal me agrada.

Desculpem, mas há uma pressão, uma insistência no brilho, um exagero de luzes, de enfeites e de consumo, que não me agradam no Natal.

O Natal que me faz vibrar é feito de coisas muito simples: um presépio, uma lamparina de azeite acesa, um menino deitado nas palhinhas e um cheiro a cedro de uma árvore enfeitada com bolas e fitas.

Há coisas no Natal que me incomodam. O excesso de luzes nas ruas, as músicas que se repetem e os pais natais que tanto atraem as crianças como as assustam.

Na minha memória no Natal não pode faltar os pratos de ervilhaca, de trigo e de alpista, transformando o presépio numa paisagem natural, miniatura da ilha verde, rica da fartura que se espera.

Não cabem no meu Natal as compras avultadas, os brinquedos que são desejos de adulto e que as crianças abandonam, para se deixarem cativar por um brinquedo simples com o qual fazem de conta que são reis e senhores, ou então fantasiam uma cena doméstica, onde brincam aos pais e às mães, aos comerciantes e aos clientes.

No Natal é preciso tão pouco para sentir a união, o aconchego e a partilha. É preciso tão pouco e tudo à nossa volta parece ser tão exagerado. Alguns parecem viver este tempo como um concurso onde cada um tenta iluminar a sua casa mais do que a do vizinho. É ver os veados a saltar, os pais Natal pendurados em varandas e nos telhados. Um concurso que por vezes se estende às prendas, que se querem maiores e mais caras.

No meu Natal, aquele que me faz sentir criança de novo, há velas acesas, lamparinas de azeite que brilham no escuro do quarto, onde um menino Jesus aguarda a oração da família.

No meu Natal até podia não haver uma árvore, mas não faltaria o presépio.

Porque o Natal deveria ser um tempo de verdade, de sincera solidariedade, de tomada de consciência e sobretudo de encontro. Um tempo para despir máscaras, abandonar o brilho das aparências, deixar-se de falsos sorrisos e hipocrisias e procurar dentro de si os sentimentos mais profundos.

Neste tempo de balanço de um ano que termina, é sempre hora para deitar fora as raivas e abraçar os afectos mais positivos, aqueles que nos reaproximam de amigos afastados, nos leva a visitar familiares sozinhos e nos anima a dizer, “boas festas e um bom ano”, convictos desses votos, porque ditos com o coração.

O Natal da minha memória é partilha, simplicidade e não combina com excessos e acumulação. Faltam poucos dias para a festa e este é o tempo da preparação, não apenas para fazer as limpezas gerais, mudar as cortinas ou as colchas da cama. Este é o tempo para lembrar os que amamos, os amigos e aqueles a quem há muito não falamos. Uma palavra, um telefonema podem ser suficientes para fazer deste Natal um tempo diferente. Mas, se ainda não recebeu essa mensagem amiga, aqui ficam algumas palavras de calor.

 Neste Natal não me esqueci de si, sobretudo se está sozinho, doente ou longe dos que mais ama. Há um lugar diante do presépio também para si!

No meio das luzes e dos enfeites, são para si os sorrisos das crianças e a magia daquela vela acesa que ilumina o rosto do Menino Jesus. Afinal é do aniversário dele que se trata; pode sempre lhe cantar parabéns!

(publicado no Açoriano Oriental de 15 Dezembro 2008)

Mais sobre mim

imagem de perfil

Visitantes

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D