Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

12
Jan18

Que de hoje a um ano...

sentirailha

Este é o desejo de quase todos: que de hoje a um ano possamos erguer de novo a taça e brindar!

No entretanto, há um novo período de vida, quatro estações e muitos dias para preencher no calendário.

Viramos a página, começamos de novo, abrimos uma nova agenda e o contador do tempo foi posto a zero.

Um primeiro dia é sempre um motivo de esperança, para começar ou recomeçar, para renovar ou descobrir.

Não é que esses começos não possam estar associados a outras datas, o dia do aniversário, quando se festeja um acontecimento marcante, o dia do casamento ou do divórcio, o nascimento de um filho ou a entrada num emprego.

Não faltam marcas registadas na memória e é exatamente aí, nesse baú de recordações, que vamos buscar a energia para enfrentar o novo ano. Há experiências guardadas que nos servem para a vida inteira, lições que aprendemos com erros cometidos, sucessos que obtivemos, quantos não reconhecidos! E o tempo vai confirmando a justeza dessas aprendizagens e amadurecendo a sabedoria para lidar com a vida, as dificuldades e ser mais realista na definição de objetivos.

Um novo ano é sempre uma oportunidade para apontar metas, recolocar a fasquia, alimentar desejos e sonhos porque, como diz a canção, "o sonho comanda a vida".

Mas, dirão alguns, há quem tenha os sonhos enterrados e sente-se incapaz de desejar ou ambicionar. Como se encara o novo ano, quando a tristeza bateu à porta, a morte ceifou um dos nossos, a saúde está abalada ou as condições de vida não são as melhores?

Aos poucos e sem nos darmos conta, ficamos entulhados em sentimentos, bloqueados diante dos problemas, angustiados perante o dia de amanhã. Aparentemente, fica-se sem futuro, o tempo pesa como condenação, os outros incomodam e não apetece rir.

Um sorriso de uma criança pequena, a brincadeira do cão de família, a planta que floriu, a beleza do presépio montado na sala, a luz de uma vela, faz-nos parar e a esperança de conseguir, quase como por magia, parece querer renascer.

É no momento, no detalhe ou no pormenor que a vida se revela.

Há quem possa fazer grandes planos, outros nem por isso. Mas todos podemos nos concentrar nos pequenos pormenores e descobrir a beleza de uma flor, a vida que brota de uma semente deitada na terra escura. E, se levantarmos os olhos, há sempre quem nos sorria no café ou na padaria, quem nos diz "bom dia" e nos obriga a responder e a reconhecer a simpatia.

A vida recomeça aí, nesse instante! Temos de agarrar o momento, viver o segundo, aproveitar a brisa e sentir o perfume. A vida sente-se, passa, nesse instante único.

Os grandes planos concretizam-se quando acumulamos pequenas experiências, guardamos memórias que nos fazem sorrir e que, nas horas mais difíceis, recordamos, com saudade.

A saudade não é tristeza, é boa memória guardada.

É um facto, somos portugueses, talhados ao som do fado e dramáticos, nostálgicos do que já fomos. Não somos os melhores a pensar o futuro, porque nos habituamos a valorizar o passado, o que já fomos ou fizemos. Como dizia alguém, Portugal é o país do "já houve!"

Enfrentar um novo ano exige fazer do baú das memórias e do rol de saudades acumuladas, um poço de energia para enfrentar os desafios do dia de hoje, por ventura de amanhã e deixar acontecer, dia após dia, o novo ano que agora nasce.

E que, daqui a um ano, possamos estar de novo aqui, neste blog, partilhando ideias e emoções!

Bom 2018 para todos! 

(texto publicado no Açoriano Oriental de 9 Janeiro 2018)

 

27
Dez17

Dias de balanço

sentirailha

Era dia de balanço no armazém e o meu avô só chegava à hora do jantar. Nesse dia, 31, o inventário dos stocks tinha de ser feito, para se poder abrir um novo livro de contabilidade no ano seguinte.

Fazer o balanço era a principal tarefa, fosse no armazém ou nas nossas vidas, sobretudo durante a missa de Tedeum, que se rezava na capela de Santa Bárbara, atualmente integrada no Museu Carlos Machado.

Envoltos no cheiro a incenso e nos cânticos de Natal, sentia-se um misto de alegria e tristeza, de angústia e curiosidade.

Afinal, sempre que chegamos a esse dia que, sendo igual aos outros, encerra um ano, somos levados a pensar em tudo o que de mais significativo aconteceu, o que ganhamos e perdemos, o que fizemos ou deixamos por fazer.  

Pensar no novo ano traz um gosto agridoce à boca! Que bom, poder renovar os votos, reposicionar os objetivos! Mas, será que é desta que se irão concretizar? Estaremos todos cá para os ver acontecer?

A oração da serenidade, de Reinhold Niebuhr é um bom lema para enfrentar a angustia do novo ano: "Concedei-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras."

Se todos nós, em particular os dirigentes políticos, seguíssemos esta máxima, muitos conflitos e impasses seriam evitados.

Mas, falta serenidade, discernimento e, sobretudo, sabedoria.

Uma sabedoria que não vem nos livros, nem nos tratados, que não se confunde com "esperteza" ou "velhacaria", mas que é capaz de distinguir o que se pode mudar do que se deve respeitar, o que deve ser um objetivo imediato, daquele que exige tempo e distanciamento para se concretizar.

Dias de balanço, é tempo para pormos em cima da mesa o existente, o que ficou deste ano que termina, e o saldo que transportamos para o próximo.

Talvez seja melhor dar baixa do que está estragado e que não vale a pena aproveitar, limpar o lixo e deitar fora o supérfluo. Afinal, o que é mais importante? Que projetos vale a pena retomar ou começar?

Lembro uma história, que me contavam em criança, de uma jovem que estava sempre a começar novos trabalhos de mãos. Uma toalha bordada a ponto matiz foi posta de lado, para iniciar um naperon de renda, que também a aborreceu; logo depois iniciou um quadro a ponto de cruz, que teve a mesma sorte. Sempre que perdia o entusiasmo por um trabalho iniciado, abandonava-o. Aproximava-se o dia do casamento e amontoava-se um enxoval inacabado, que a mãe foi entregar a outros para que o terminassem.

Por vezes levamos a vida assim, num pega e larga, entre paixões e desilusões, entusiasmos e desinteresses.

Fazer o balanço é reconhecer o caminho trilhado e identificar os becos, que nos obrigaram a recuar e fizeram perder tempo. É retomar projetos válidos, que ficaram "na cesta" por falta de esforço e capacidade de sofrer. Nada se conclui, se apenas investimos quando nos dá prazer ou achamos a tarefa fácil. Os resultados vem, quando, passando essa fase de enamoramento, ultrapassamos dificuldades, barreiras e acreditamos no sentido que queremos dar à vida.

Dias de Balanço é também tempo para avaliar o que fomos capazes de fazer da pessoa que somos e de nada serve regozijarmo-nos por termos deixado tantos talentos enterrados à espera de melhores dias: "hoje não, amanhã? Talvez!!"

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas!

Quando erguermos o copo à meia-noite do dia 31, vale a pena desejar Serenidade, Coragem e Sabedoria para 2018!

(texto publicao no jornal Açoriano Oriental de 27 dezembro 2017)

Mais sobre mim

Visitantes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D