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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

2022, em Portugal

Foi assim, no final das Jornadas Mundiais da Juventude no Panamá. O Papa Francisco anunciou as próximas em Portugal, a 2022.

Que importância tem o anúncio destas Jornadas?

Mais turismo? Grupos internacionais de jovens católicos a rumarem à capital do país? Mais negócio para empresas de construção civil e outros serviços? A certeza de encher pousadas, hostels e alojamentos locais na zona do “parque das nações”? Ou até, uma oportunidade para o Presidente da República se colar à iniciativa e “prenunciar" uma recandidatura?

Essas não são certamente as principais e mais importantes consequências deste evento, criado em 1986 por João Paulo II, que movimenta milhões de jovens em todo o mundo.

O mais importante destas Jornadas é que apelam para a atualidade e a juventude da mensagem cristã. A Bíblia pode ter dois mil anos, os textos que congrega estão datados no tempo e nas suas circunstâncias. Mas, o que a torna atual não está nesses contextos, mas na força espiritual da mensagem e na capacidade de desassossegar, desinstalar e desafiar o ser humano ao radicalismo do amor. Todos os povos o reconhecem, mesmo os que não são cristãos, que é no amor que o ser humano consegue aproximar-se da perfeição e da paz.

E os jovens precisam de modelos radicais.

Mergulhados numa sociedade tecnológica, perdidos no meio de tantas solicitações, sentem-se divididos entre sucesso material e felicidade interior. No mais profundo de si mesmos, procuram um sentido coerente em todas as escolhas que tem de fazer.

Se há jovens que reagem contra os abusos de poder, outros parecem desejar o regresso do autoritarismo! Talvez porque, apesar de terem nascido em sociedades livres, não reconhecem nos adultos exemplos a seguir, em termos de uso da liberdade.

São ambiciosos, ao apostarem na formação qualificada, quando outros se acomodam com pouco, indiferentes ao esforço e ao sacrifício de quem luta por ideais.

Ambivalências, dúvidas, sempre foram características da juventude. Mas, no fundo, em todos os tempos e gerações, os jovens precisam de metas, objetivos, pelos quais faça sentido viver. Precisam de modelos, ideais, que inspirem a construção de uma sociedade melhor.

O Papa Francisco no Panamá trouxe o tema das redes sociais para o discurso. Afinal, é aí que muitos jovens navegam, comunicam, procuram amigos ou alguém que os escute. Nem sempre correspondidos, decepcionados com as “amizades” das redes sociais, são influenciados e influenciáveis. E Francisco reconhece esse fenómeno, quando apela para que, em vez de influenciados, os jovens passem a influenciar pela positiva. Porque, as ferramentas nunca foram um problema para a humanidade, mas sim o uso que delas fazemos. Procurar afeto e companhia, de forma solitária, partilhando mensagens ou fotografias, pode levar a que se evitem os contactos face a face, fundamentais nas relações humanas.

Não basta ter centenas de amigos virtuais, para não estar sozinho. É preciso mais do que dois cliques num écran para chegar ao outro. O encontro, o diálogo e a partilha de emoções, ao vivo, são essenciais para se fazer comunidade.

Em 2022, Lisboa ficará mais jovem ao acolher as Jornadas Mundiais.

(texto publicao no jornal Açoriano Oriental de 5 fevereiro)

 

O Papa do sorriso

Francisco, o Papa do sorriso, veio a Fátima mostrar como o amor verdadeiro é sempre pessoal, toca a cada um de forma especial, no mais íntimo da pessoa, para curar as suas feridas e fazer vislumbrar novos caminhos.

O Papa da misericórdia, da humildade, conseguiu em poucas palavras ser doce e firme ao falar da fé, essa trave mestra que segura o edifício da vida das pessoas, crentes ou não em Deus, que carregam vidas mais ou menos difíceis, que sofrem ou estão angustiadas sem saber o que decidir, nas encruzilhadas do quotidiano.

Francisco fala de forma direta, mas com suavidade. As suas palavras tocam o essencial, fazem apelo à ternura e à humildade e não à revolta ou à força.

O mundo assiste a profundas mudanças e alguns, perante a dúvida, acham que é varrendo as pessoas indesejadas, maltratando os insubmissos, que se consolida uma sociedade melhor. Esquecem-se, como refere o Papa, que a força é a arma dos fracos. Os fortes, "não precisam de maltratar os outros para se sentirem importantes".

Neste ponto, o olhar do Papa, tal como o olhar de Deus, volta-se para "os deserdados e infelizes a quem roubaram o presente, ou os excluídos e abandonados a quem negam o futuro" e diz-lhes para se (re)erguerem.

O mundo precisa deles. Mas, para que este milagre aconteça, para que todos os que se sentem fracos se ergam, os infelizes voltem a acreditar em si e os excluídos procurem lutar pelo lugar, que lhes é negado, é preciso não ter "qualquer forma de medo ou temor".

A todos os que contribuem para a infelicidade dos outros, que esquecem os mais pobres ou mais frágeis, que abusam e esquecem o seu compromisso de bem-fazer, seja na família ou na empresa, na escola ou em qualquer outro lugar, o Papa lembra que estão sempre a tempo de mudar. Recorda que o orgulho pode distrair os corações e esconder as pessoas "detrás das suas ambições e interesses".

A humildade e a ternura, pelo contrário, fazem baixar o olhar para os outros, sobretudo para os mais pequenos, a quem este Papa faz questão de tocar, abençoar, num sinal de ternura evidente.

O Papa Francisco fala com simplicidade, mas com realismo e veracidade. Ele não maquilha os discursos, nem incensa as palavras. Desinstala o poder eclesial e abana os cristãos, sobretudo os que vivem agarrados a rotinas religiosas, alienados do mundo que os rodeia. O Papa recorda que Maria, que se venera em Fátima, é a mesma que acolheu Jesus e chorou diante da sua morte. Maria é uma figura central, exemplo de disponibilidade ao amor; mulher coragem, que acolhe e entrega, protege sem se apoderar, ama sem cobrar.

Por isso, o Papa alerta para o erro daqueles que se dirigem a Maria, para "negociar" favores "a baixo preço". Ter fé não é ter um cartão de crédito ilimitado, um salvo-conduto para benefícios, uma entrada prioritária no reino do bem ou da graça. A fé fortalece, humaniza, mas não isenta os crentes do sofrimento ou da dificuldade. Não seria humana se tal acontecesse.

A fé qualifica a humanidade, ao fortalecer a vontade e o empenho na construção de um mundo melhor, de paz e alegria.

Sem utopias irrealistas, o Papa Francisco mostra-nos como um simples sorriso pode ser sinal dessa abertura à alegria, que quebra os muros da indiferença ou da violência.

Nas suas palavras o medo e o temor não se coadunam com o amor. Quem ama não tem medo, quem quer ser amado não pode recear a força do perdão.

Diante de atentados contra a dignidade humana, contra a violência, os discursos xenófobos e o desrespeito dos direitos humanos, a fé fortalece quem escolhe o Amor como linguagem de poder, aliando a firmeza à força da alegria, da humildade e da ternura.

Francisco, o Papa do sorriso convida-nos a eleger o Amor como força maior e a construir a Paz, de forma artesanal, com gestos diários.

(texto publicado no Açoriano Oriental de 16 Maio 2017)

 

 

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