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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

10
Mai15

Basta que prometas Amar! (imaginemos por segundos, que ouvíamos a voz de Deus...)

sentirailha

Ainda era madrugada e já tu estavas no campo de S. Francisco, pronta para fazer a volta de joelhos.

O Meu coração partiu-se ao ver tanto sofrimento.

Sei que o fizeste com sentido, com profundo sentido de agradecimento, porque os momentos de aflição foram duros, a morte espreitou a tua casa e tu agarraste ao que tinhas, o teu corpo. "Senhor, cura o meu filho, salva o meu pequenino da morte, que eu prometo-te, farei o campo de joelhos!"

Agora, aqui estás, porque és mulher de palavra, cumprindo o que prometeste.

E nada te vai impedir de o fazer.

Mas nem imaginas o quanto Eu te amo, não por estares aí a sofrer, mas por seres mulher de palavra. Podias não o ter feito, podias ter voltado costas como fizeram nove dos dez leprosos que foram curados e que nunca se lembraram de dizer, obrigada. Mas tu não, tu és mulher de palavra e cumpriste com a promessa que fizeste numa hora de desespero.

Podia dizer-te que não era preciso tanto.

Que te amo na mesma e que, se tivesses prometido continuar a amar o teu filho, cuidando da sua saúde, como sempre fizeste, estarias a fazer a vontade de Deus.

Mas o desespero falou-te mais alto, talvez tão alto, que não te deixou ouvir a Minha voz. Eu estava ali, ao pé de ti, ouvindo a tua prece, escutando a tua angústia de mãe, e foi esse teu Amor imenso que curou o teu filho.

Não julgues que não aceito a tua dádiva de sacrifício mas, acredita, o Amor com que te entregas aos outros é muito maior, é muito mais agradável aos olhos de Deus. Lembra-te do que aconteceu com Abraão. Deus reconheceu a força daquele pai, disposto a entregar o filho, mas rejeitou esse sacrifício na hora em que ele o ia consumar.

O mais importante é a entrega, é a disponibilidade para aceitar a vida e enfrentar as dificuldades com coragem, amando os outros, nas horas mais difíceis, sendo um refúgio seguro, nas horas de incerteza.

Deus não quer o sofrimento dos homens e das mulheres, mas apenas o seu Amor.

Mas ouve, tu fizeste o que o teu coração pedia.

Cumpriste a tua palavra e agora sentes-te em paz contigo, porque pagaste a promessa que tinhas feita numa hora de aflição.

Acredita! O teu amor é que te salva, é que salva os outros.

Esta foi a frase que mais vezes Repeti quando Vivi entre vós: vai, que o teu amor e a tua fé te salvou.

E hoje, Torno-te a dizer... vai, levanta-te, a tua fé te salvou e esse enorme amor com que te entregas na vida.

 

(texto lido durante a emissão em direto da Rádio Atlantida no Domingo do Sr. Santo Cristo com Rui Almeida e Graça Moniz, 10 Maio 2015)

18
Ago08

Promessas

sentirailha

Quantas promessas nascem de pedidos? “Se Deus, se tudo se resolver, eu mudo…”. Esperando passivamente que outros façam ou resolvam, dispõe-se a “pagar essa promessa” com sacrifícios e até mudar de vida; depois, só depois do “milagre” acontecer.

Promessas fazem outros, que apesar de conscientes das dificuldades que existem para resolver uma situação, iludem quem neles acredita. Fazem promessas para empatar. Mas “para a semana fica resolvido”.

Prometer só é válido na medida em que for comprometer, quando me envolver e envolver os outros na solução dos problemas. Em geral quem espera ver uma promessa cumprida, quer respostas concretas e é intolerante aos adiamentos sucessivos. Se a questão é económica, espera um aumento de recursos, quase imediato; se o problema for desentendimento familiar, por exemplo a eminência de um divórcio, é no entendimento e na reunião que vê a promessa cumprida.

Dificilmente alguém considera que a concretização de uma promessa possa não ser uma resposta positiva. Como pode a permanência de uma situação de carência ser resposta? Como ver no desentendimento de um casal uma oportunidade para o reencontro?

Uma promessa é antes de mais um contrato, um compromisso de intenções entre diferentes partes. Ninguém pode prometer sem envolver os outros, nem ninguém pode esperar ver uma promessa cumprida sem participar na sua concretização. Se a questão é financeira, familiar ou outra, é fundamental saber ler as causas e os entraves à sua resolução. Qual é a minha parte na alteração da situação? Que oportunidades não aproveitei ou que expectativas exageradas deposito nos outros? O que fazer quando não puder evitar ou alterar um problema?

Em campanha eleitoral fazem-se promessas, porque ninguém pode apresentar um programa ou um projecto político ao eleitorado, sem afirmar o que pretende concretizar numa legislatura; sem dizer que está disposto a pôr em prática essas ideias. Mas, os eleitores, quando confiam nas pessoas, quando votam, não podem desresponsabilizar-se da realização desse projecto. São parte integrante do sucesso dessas medidas. Votar favoravelmente um determinado projecto político é afirmar: podem contar comigo para a sua concretização.

Prometer mais habitação, melhor emprego ou mais educação, sem considerar a responsabilidade das famílias, a reorganização dos estilos de vida, a crença no esforço pessoal e a definição de metas, aspirações que representem investimentos no futuro, é fazer “falsas promessas”. É ser demagogo e estar à espera que o comodismo em que se instalam os descontentes os faça acreditar em discursos vazios. É pura demagogia chegar a épocas pré eleitorais e criticar o governo por não ter conseguido (ou prometer) combater a fome, a doença, o analfabetismo, o alcoolismo e a violência, como se estes problemas fossem pó que se pode varrer, nem que seja para debaixo do tapete.

Se queremos ser objectivos, realistas, olhemos estes flagelos a partir da realidade concreta da sociedade e da nossa própria vida, assumindo-os como problemas para os quais também contribuímos, quantas vezes aceites e dissimulados no quotidiano das pessoas.

A melhor forma de pagar ou cumprir uma promessa é dar de si, é dar-se, para que a mudança aconteça.

(publicado no Açoriano Oriental de 18 Agosto 2008)

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