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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

04
Jul12

A saúde é um bem maior

sentirailha

Acima do dinheiro, do sucesso, da carreira ou da beleza, a saúde é sempre um bem maior, um valor primeiro.

Por isso, um governo que defenda um estado ou uma “região social” tem de colocar no centro das suas políticas a defesa da saúde como valor essencial, sem por em causa o desempenho do sistema, o estatuto dos profissionais de saúde e tendo como fim último, a otimização dos recursos disponíveis.

A saúde é um direito de cidadania, que garante a proteção das pessoas quando estão mais fragilizadas e vulneráveis. Poupar na saúde é necessário, gerir com rigor e eficiência é uma exigência, mas como particularmente neste domínio da responsabilidade do estado, há que ser, para além de eficiente na gestão financeira, equitativo, justo e responsável, em termos sociais. O que as pessoas esperam do estado é que as proteja e não as descrimine ou abandone.

Mais do que pugnar por um sistema de saúde pública “barato”, o desafio que se coloca a quem governa é o de tornar a saúde um bem acessível a todos, que minimize as desigualdades sociais. Ninguém pode ficar impedido de cuidados, por razões económicas, culturais ou simplesmente por viver em ilhas ou não ter um hospital próximo do seu local de residência.

Os Açores, dada a sua dispersão geográfica, têm de assumir um sistema de saúde muito mais caro do que por exemplo na Madeira, onde há maior concentração de recursos e de utentes.

A rede de cuidados de saúde na região, exige mobilidade dos utentes, quando se trata de cuidados especializados. Diariamente são asseguradas deslocações de doentes e seus acompanhantes de Santa Maria ao Corvo. Mas, como diz o povo, a saúde não tem preço e os açorianos quando se deslocam ao continente, é porque o sistema regional não lhes pode dar a melhor resposta, por exemplo em algumas situações oncológicas ou para a realização de intervenções cirúrgicas complexas. Não é um privilégio, é um direito que lhes assiste.  

Um direito, igual ao de qualquer outro português que se desloque do Alentejo ou de Trás os Montes a um hospital central, para o mesmo tipo de tratamentos. Então, por que motivo o atual governo da república reivindica o pagamento de 59 milhões de euros por cuidados prestados a doentes açorianos deslocados no continente, como se fossem estrangeiros?

É bom lembrar que o governo da República também deve 40 milhões de euros à região, em comparticipações da ADSE e dos seus subsistemas, nomeadamente da Polícia e dos militares. Se pagam essas comparticipações no continente, porque não pagam na região?

Apesar de todos os constrangimentos, os Açores têm evoluído favoravelmente, em termos de indicadores de saúde. Um bom indicador dessa melhoria é a redução da taxa de mortalidade infantil, que em 1997 era 10,6%o e hoje situa-se em 5,5%o. Até o atual ministro da saúde confirma esta tendência positiva quando, em resposta aos deputados do PSD na Assembleia da República, refere que “apesar das dificuldades inerentes a uma região periférica, com a população distribuída por nove ilhas, agravado pelo número baixo de nascimentos, a mortalidade infantil foi em média nos últimos cinco
anos, inferior à de oito países da Europa dos 27, em 2010". (cit.Of.1770/SEAPI-resposta à pergunta 2345/XII/1ª de 31 Janeiro 2012 dos deputados Mota Amaral, Joaquim Ponte e Lídia Bulcão (PSD).

A saúde é um bem, sem preço, mas de valor inestimável, que a todos cumpre defender.

A saúde é um direito de cidadania. Ao Estado compete cortar no desperdício, mas nunca deixar de garantir a proteção dos cidadãos, particularmente, quando mais carecem de apoio.

(publicado no Açoriano Oriental a 2 Julho 2012)

12
Abr09

Haja saúde!

sentirailha

Diz o povo que mais vale prevenir do que remediar. Só que em matéria de saúde, o mais frequente é esperar para ver e viver despreocupado até surgirem os sintomas da doença.

Há mesmo quem cuide melhor do automóvel do que de si mesmo.

Sempre atento às datas para mudar o óleo, preocupado com a manutenção do motor e o controlo da pressão dos pneus, desvaloriza a vigilância periódica do seu corpo e não parece preocupado quando surgem sinais de alerta nas análises clínicas ou nos valores da pressão arterial.

A saúde é um bem precioso, todos concordam, mas muitos preferem testar o grau de resistência do seu corpo e da sua mente, insistindo vezes sem conta em comportamentos de risco. Quem assim vive, apressa-se a dizer que conhece um velhote, que sempre fumou, bebeu e comeu o que quis e viveu até aos cem anos. Um velhote entre milhares, que entretanto já faleceram; um ser por ventura excepcional, que resistiu às agressões de uma alimentação desequilibrada e aos tóxicos do álcool ou do tabaco.

A saúde não se compra na farmácia. No entanto, não falta quem se vanglorie do número de comprimidos que toma por dia e se sinta de consciência tranquila por estar a cuidar da sua saúde. A saúde passa cada vez mais pela forma como comemos e os alimentos que escolhemos; depende do exercício físico que fazemos ou deixamos de fazer, pela qualidade do ar que respiramos e pela forma como gerimos o espaço onde vivemos.

Sempre que alguém faz compras num qualquer supermercado ou mercearia de bairro, o que escolhe? Se tiver dois euros para gastar, compra fruta ou bolachas; compra couves ou comida enlatada; compra feijão ou aperitivos? A saúde também depende das escolhas que fazemos quando, ao fim-de-semana, preferimos nos abandonar no sofá e adormecer com o comando de televisão na mão, em vez de aproveitar o sol, passeando à beira-mar ou num qualquer jardim público.

Podemos prevenir e não apenas remediar, mas tal como acontece com o automóvel, que nos apressamos a levar ao mecânico, também o nosso corpo depende do modo como o conduzimos. Uma má condução também danifica a viatura e mesmo fazendo uma vigilância cuidada, de pouco adiantarão as medidas de reparação, se entretanto tivermos danificado a estrutura da máquina.

Podemos ser mais saudáveis, mas isso depende mais do modo como decidimos viver do que dos remédios que tomamos. Não esqueçamos que a saúde é um estado de bem-estar e equilíbrio. Um bem-estar físico mas também psíquico. Um equilíbrio instável que exige uma atenção permanente.

Hoje em dia, não faltam livros que pretendem ensinar a viver com saúde. Abundam os títulos sobre como atingir o bem-estar, viver com optimismo, manter a saúde depois dos 50, viver sem stress e descobrir o segredo da felicidade. Todos ou quase, repetem o mesmo: procure o equilíbrio, evite os exageros; acredite em si e será feliz; acredite no amor e não sofra por antecipação; reconcilie-se com a natureza e viverá em paz. Frases feitas que pouco acrescentam à máxima tradicional, mais vale prevenir do que remediar; mais vale viver hoje com saúde do que arriscar adoecer amanhã.

(publicado no Açoriano Oriental de 6 de Abril 2009)

13
Abr08

Haja Saúde!

sentirailha

Assim se saudavam os antigos.

7 de Abril é o dia mundial da saúde. Um entre muitos que marcam o calendário e que, aparentemente servem, sobretudo, para desencadear eventos, sessões de esclarecimento, em geral dominadas pelo mote: não basta combater a doença, é preciso preveni-la.

Saúde! Bem tão desejado e tantas vezes posto em causa pela forma como comemos, pela ansiedade com que trabalhamos ou pelos riscos desnecessários que corremos.

Saúde! Bem escasso e frágil que exige de cada cidadão a busca do equilíbrio, no respeito por si, pelas suas limitações físicas, psíquicas e sociais e na interacção com o mundo que o rodeia. Como se pode ler nos compêndios de saúde, não basta dizer que não se é doente, para se ser um ser saudável. A saúde é um estado de bem-estar, e se o corpo não padece, mas a mente vive perturbada, esse equilíbrio é posto em causa.

A relação com os outros, o ambiente que nos rodeia, também são elementos que contribuem para o estado de saúde de cada pessoa. Se olharmos à evolução da esperança média de vida, podemos reconhecer que a ciência e o desenvolvimento sócio económico em muito contribuíram para que se viva mais tempo. No entanto, continua sendo válida a máxima de que, não basta acrescentar anos à vida, é preciso dar vida aos anos.

E, dar vida aos anos é apostar na prevenção, nomeadamente evitar doenças crónicas nos mais novos. Dar vida aos anos é reconhecer a importância da actividade física, da alimentação equilibrada, do combate à poluição e ao desperdício; é investir e apostar numa vigilância periódica, no despiste precoce e, sobretudo, implica cuidar do corpo e da mente, de forma a manter níveis adequados de saúde durante toda a vida.

A saúde é um bem supremo mas não é, como muitos no passado julgavam, uma simples dádiva, que em nada depende do ser humano. A doença nunca é um castigo ou uma punição divina, “que mal fiz eu a Deus!”. Em muitos casos, é um sinal, que nos deve fazer pensar: “que mal fiz eu a mim próprio!?”.

Na verdade, o dom da vida pode ser entendido como transcendente, mas a responsabilidade de a manter, de a preservar com qualidade, é sem dúvida uma competência e sobretudo um dever do ser humano.

Muitas das doenças do século XXI resultam do estilo de vida urbano, consumista, sedentário e por vezes ansioso, que marca o quotidiano das sociedades ditas desenvolvidas. A título de exemplo, e de acordo com a opinião de especialistas em endocrinologia, a diabetes do tipo dois, ou seja, a que resulta do estilo de vida das pessoas, começa a aparecer em crianças, apesar de ser uma patologia sobretudo de adultos. Este problema de saúde é em parte o lado perverso de um estilo alimentar incorrecto que contribui para um maior número de casos de obesidade infantil.

Somos todos responsáveis pela saúde que temos ou pela sua ausência. Não significa sermos culpados por estar doentes, mas a saúde é uma responsabilidade de cada indivíduo e da comunidade em geral. E, o modo como vivemos, nomeadamente a forma como organizamos o nosso quotidiano, desde a higiene pessoal, à higiene da casa, à comida, ao estilo de trabalho, à cadeira ou cadeirão onde nos enterramos para ver televisão, tudo contribui para a qualidade da saúde que temos.

No dia internacional da saúde, que tal pensarmos o que cada um de nós faz pela sua saúde!?

Em jeito de despedida, Haja saúde!

(artigo publicado no Açoriano Oriental a 7 Abril 2008)

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