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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

Da compaixão à solidariedade

Para percebermos o que se entende por compaixão e solidariedade, temos, antes de mais, de visitar a nossa área mais privada, o nosso interior, como pessoas.

A compaixão não se aprende, descobre-se, quando procuramos a essência do que é ser humano, ser uma pessoa “decente”; o que é a dignidade humana.

Falar de compaixão é falar da própria essência do amor humano.

A compaixão aprofunda a capacidade do ser humano de se colocar no lugar do outro; leva-nos a “sentir pelo outro”, a partilhar o seu sofrimento e compadecer-se da sua situação. Ser compassivo é entender a dor de outra pessoa e desejar diminuir/aliviar esse sofrimento.

A compaixão é por isso a capacidade para sentir o outro, por isso, humaniza o olhar quando toca as necessidades humanas mais urgentes e imediatas.

A compaixão cria unidade com o outro – por isso é uma pré-condição para a humanidade.

Mas se somos capazes de sentir compaixão por quem sofre, o que dizer de nós mesmos, será que somos compreensivos connosco próprios, em momentos de sofrimento, falha ou dificuldade, ou pelo contrário, somos extremamente autocríticos, não aceitamos as nossas imperfeições, como parte da nossa própria condição humana?

Será que somos capazes de olhar a nossa própria fragilidade com a mesma abertura com que olhamos a fragilidade do outro?

A compaixão gera vontade de agir e faz-nos colocar ao dispor do outro, de coração aberto. Mas é fundamental que coloquemos algum distanciamento, se queremos que a nossa ação seja transformadora.

Se agirmos no calor da compaixão, podemos correr o risco de ser precipitados na reação ao sofrimento do outro, demasiado envolvidos emocionalmente, sem capacidade para medir consequências.

A compaixão tem de se transformar em solidariedade, para que a ação seja eficaz.

Os gestos solidários não são motivados pelo imediatismo da compaixão que pode tolher o discernimento; exigem diagnóstico, avaliação de recursos e planeamento das ações, com objetivos definidos.

O que se pretende com os gestos de solidariedade é mudar, transformar, na concretização do bem comum e, sobretudo, reafirmando o reconhecimento e o valor da humanidade.

São esses os valores que motivam os atos solidários.

A solidariedade implica respeitar a individualidade de quem se defende ou ajuda, particularmente aqueles que sofrem.

Por isso, a solidariedade, sendo filha da compaixão, exige diálogo, respeito pela posição do outro e pelas suas decisões; agir nas carências e dar as ferramentas que faltam para que as pessoas ajudadas possam, em cooperação, resolver os seus problemas.

A solidariedade visa sempre a inclusão, trazer aqueles que estão afastados, marginalizados, sem voz para a praça pública, para o exercício pleno dos seus direitos.

Por ser uma prática coletiva, a solidariedade é mais eficaz quando é praticada em grupo, sejam comunidades locais, grupos de vizinhança, paróquias ou associações.

A solidariedade gratifica, não porque envolva um retorno financeiro, mas porque alimenta a conexão com os outros. Para além disso, aumenta o sentimento de autossatisfação e torna os cidadãos melhores pessoas.

Se fomos ou somos solidários, é porque sentimos compaixão pela condição difícil de outros. E, essa palavra certa, esse gesto de apoio eficaz, pensado, foi o suficiente para que alguém passasse a encarar de forma diferente a sua dificuldade.

A compaixão e a solidariedade são as únicas armas que podem combater o individualismo e o isolamento.

Se queremos ser felizes, sejamos pessoas de compaixão capazes de gestos solidários!

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 31 de outubro 2025).

O que fizeram da solidariedade?

O regime autonómico, que vigora desde 1976 nos Açores, responde aos desafios estruturais da sociedade açoriana. Desde o primeiro governo regional de Mota Amaral, foram definidos os eixos de governação, mesmo que, em 48 anos de autonomia, tenham sido interpretados em função da visão política dos vários executivos.  

O desenvolvimento de políticas sociais constitui um desses eixos de governação, dando corpo a pastas governativas. Entre 1976 e 1988 (Mota Amaral) e depois entre 2000 e 2008 (Carlos César), existiu uma secretaria regional dos “Assuntos sociais”. Pelo meio, foram feitas experiências de junção com a Saúde (1988-1996/Mota Amaral) e com a Educação (1996-2000/Carlos César) e até com o Trabalho (2008 e 2012/Carlos César), passando a designar-se Secretaria da Solidariedade Social entre 2012 e 2020 (Vasco Cordeiro). Em 2020, o governo da coligação deixou cair a Secretaria da Solidariedade e colocou as respetivas direções regionais, sob tutela da vice-presidência (2020-2024). Na orgânica agora proposta (2024), a Segurança Social regressa, associada à Saúde, mas a Habitação é agora colocada na tutela da Juventude e do Trabalho.

Assim se desmembra a intervenção governativa no domínio da solidariedade social. Apesar de estar mais do que provada a multidimensionalidade dos problemas sociais e a importância de uma intervenção política integrada, a coesão social da Região é relegada para segundo plano. Prova disso, foi desmantelar um departamento governamental e pôr na gaveta a “Estratégia de combate à pobreza 2018-2028”, que já estava a ser executada. Perdidos quatro anos de ação (2020-2024) surge agora um “Plano Regional para a Inclusão Social e a Cidadania” (2024-2028), com o objetivo de “diminuir a pobreza monetária em 50% na Região Autónoma dos Açores”.  Um objetivo pouco realista, se tivermos em conta que entre 2021 e 2022, a pobreza agravou-se nos Açores, passou de 21,9% para 25,1%; a taxa de sobrelotação das habitações aumentou (2020, 14%; 2022, 21,4%); a desigualdade dos rendimentos/índice de Gini cresceu (2020, 33; 2022, 34,8) e a percentagem de pessoas a viver em agregados onde há uma intensidade laboral muito reduzida, aumentou (2020, 5,5%; 2022, 8,9%).

A pobreza está longe de ser uma questão meramente monetária.  Por isso, a atribuição do Rendimento Social de Inserção, medida tão criticada e “diabolizada”, mais do que um apoio monetário, implica um contrato de inserção, compromisso de transformação da condição de vida dos mais pobres. Para a redução do número de beneficiários ser uma “bandeira” de sucesso, por exemplo, os adultos que saem da medida teriam entrado no mercado de emprego. Será? Onde estão os números que o atestam?

Como refere Robert Castel, as políticas sociais devem capacitar a sociedade para corrigir e combater os fatores que excluem, marginalizam e constroem desigualdades. Qualquer estratégia que vise combater a exclusão social, trazendo as periferias para o centro, não terá sucesso, porque recusa enfrentar ou contestar as dinâmicas, os discursos e as práticas, que afastam, discriminam e isolam uma parte dos cidadãos (xenofobia, racismo, discriminações são disso exemplo). O verdadeiro combate à pobreza tem de transformar a sociedade que a produz.

Como noutros governos anteriores, a atual orgânica espelha a visão política dos seus governantes. Por isso, se pergunta, o que fizeram da Solidariedade?

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 26 março 2024)

Voluntário/a precisa-se

A taxa de voluntariado está diretamente associada ao grau de desenvolvimento de um país ou região. Para além do produto interno bruto, défice ou lucro, o desenvolvimento mede-se por indicadores de natureza social, que avaliam o grau de participação e responsabilização dos cidadãos pelas opções políticas (que não se limitam ao voto), seja na defesa dos recursos naturais, culturais, da saúde, do desporto ou da proteção social. Estas são as principais áreas onde se desenvolvem ações de voluntariado organizado.

E como estamos em matéria de voluntariado?

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, Portugal registou em 2018 a taxa de voluntariado mais baixa da Europa (7,8%), sobretudo se compararmos com a Holanda (40,2%) ou a Dinamarca (38,1%). E é na região Açores que se encontra o valor mais baixo (5,5%), ainda menor do que em 2012 (8,8%). Os voluntários açorianos tem entre 25 e 44 anos (44,7%), estão empregados (67,1%) e é entre quem tem o ensino superior que se regista a taxa de voluntariado mais elevada (16,8%), o que aliás também acontece no país.

Voluntariado e solidariedade são duas faces da mesma moeda. De um lado, o rosto de quem se preocupa em cuidar dos outros, da humanidade; do outro, a capacidade para tornar essa sensibilidade em ação. Não há verdadeiro voluntariado sem solidariedade, tudo o resto são ajudas pontuais, momentos de confraternização e convívio, trabalho comunitário, que sempre fez parte da vida das famílias, das paróquias ou da organização de eventos coletivos.

O voluntariado implica disponibilidade para colaborar, sem esperar pagamento, numa resposta organizada a uma necessidade. O retorno é de outra natureza, sentimento de dever cumprido, experiência emocional e, sobretudo, satisfação de quem é ajudado.

O tempo a despender nessas ações pode ser muito ou pouco, semanal ou mensal, é sempre o que resulta do compromisso que o voluntário assume com a organização ou atividade.

O difícil é desligar esse tempo da máxima economicista do "tempo é dinheiro".

Não estamos habituados a dizer que "tempo é ajuda" ou "tempo é doação". E isso faz toda a diferença, se queremos que o voluntariado seja uma realidade e possa reforçar a solidariedade, necessária à integração e inclusão de todos na sociedade. Não basta dizer que precisamos de uma sociedade mais inclusiva e, depois, remeter a responsabilidade para o governo ou mesmo para organizações não governamentais, geridas por cidadãos, quase sempre os mesmos, que estão dispostos a colaborar, empenhando o seu nome e até a sua responsabilidade financeira.

"Voluntário/a - precisa-se" - Responderia a este anúncio?

Onde? Quando? Porque não pagam? E o tempo?

Talvez começasse por fazer estas ou outras perguntas, antes de dizer sim ou para justificar um não redondo, entregando a responsabilidade a outros, por falta de tempo. Apesar de, como revelam os dados, os que não estão empregados serem uma minoria entre os voluntários.

Razões não faltam, e até inventam-se, quando não queremos ser desinstalados. O mais importante está na consciência de cada um: se quer, se pode e/ou se sente o dever de contribuir e colaborar na mudança do mundo, que mais não seja, aquele onde reside.

(publicado no jornal Açoriano Oriental de 23 julho 2019)

A solidariedade dos pobres

Quando a necessidade aperta, a aflição atinge a casa do vizinho ou o trabalho exige mais braços, a solidariedade acontece nas aldeias, nos meios rurais, nas casas menos abastadas, nas relações daqueles que há muito se conhecem.

Quase nem é preciso pedir. Há sempre alguém que aparece para ajudar. Em troca, quando precisar de apoio ou porque faltam ovos para o almoço, outros virão retribuir essa ajuda, com a mesma disponibilidade.

De acordo com um estudo da comissão europeia, são os pobres deste país quem mais suporta a austeridade. Diz esse estudo que Portugal “é o único país com uma distribuição claramente regressiva, onde os pobres estão a pagar mais do que os ricos, quando se aplica a austeridade”. Para além dos sacrifícios estarem a ser pedidos de forma desigual a ricos e pobres, segundo refere o texto da união europeia, aumentou o risco de pobreza, particularmente entre idosos e jovens. (cit. C. Manhã de 4Jan12).

Depois de Portugal ter conseguido em cinco anos e com transferências sociais, baixar a taxa de risco de pobreza de
20% (2005) para 18% (2010), em seis meses, com as medidas adotadas pelo atual governo da República, o país voltou a registar uma taxa de pobreza de 20% e agravou a distância entre os que mais possuem e os que vivem abaixo de 60% do rendimento médio do país.

Responsáveis políticos enchem o peito de satisfação, porque agora sim, não vai haver quem se aproveite dos apoios sociais, como o rendimento social de inserção, para malandrar e vai ser possível “separar o trigo do joio”, como referiu o ministro Mota Soares. Agora sim, os “falsos pobres” que o sistema deixou passar, apesar de todos os comprovativos e processos de fiscalização, vão deixar de receber esses benefícios sociais. E, pasme-se, são esses carenciados que o sistema aceitou, que vão contribuir para aumentar as pensões mais baixas dos mais idosos.

Ser solidário sempre foi um comportamento que desinstala quem mais pode dar. Um estado não pode achar que é solidário porque tira a quem menos tem e que pediu ajuda, para compensar quem dela também precisa. Um estado não pode ser justo se não mexer em quem mais tem e deixar que esses fujam aos impostos ou não declarem rendimentos.

É pura hipocrisia, anunciar um aumento de 7 euros numa pensão de miséria e ao mesmo tempo agravar o preço dos transportes públicos, aumentar o custo da eletricidade e da água, taxar no máximo bens de consumo, aumentar o preço do pão e dificultar o acesso aos cuidados de saúde.

Entre os que menos têm sempre houve solidariedade em gestos diários, mas só quem deles beneficia pode confirmar. Aliás, é bíblica a história da dádiva silenciosa e anónima de uma viúva pobre que contrasta com a arrogância do rico, que mostra a todos a sua esmola.

Não basta partilhar refeições e vestuário. Se queremos mudar este país, há que ser capaz de incomodar corporações e grupos profissionais que não abdicam de privilégios, empresários que não respeitam os direitos dos trabalhadores ou funcionários que desperdiçam
os bens públicos.

Um governo que se envergonha de ajudar os mais pobres e recusa “novas oportunidades” a quem não concluiu a escolaridade obrigatória não é solidário e muito menos é justo.

Não é vergonha termos dificuldades. Vergonha sim é sermos o único país da Europa que protege os ricos e põe os que menos têm a suportar a crise.

(publicado no Açoriano Oriental, de 9 Janeiro 2012).

Solidariedade açoriana

Os açorianos sempre foram solidários. Nem poderia ser de outro modo. Dificilmente teríamos sobrevivido em ilhas ou em comunidades limitadas no território e com apenas algumas centenas de habitantes, sem entreajuda.

Mas quem ouça alguns comentadores e políticos falar da compensação salarial para os funcionários públicos, cujos salários brutos não ultrapassem 2000 euros e que por via das restrições para 2011 teriam um corte de 5%, confronta-se com acusações de falta de solidariedade, ingratidão e até desrespeito.

Tudo isto começou com uma infeliz resposta do Presidente da República que levanta dúvidas sobre esta medida. Logo se desencadeou uma onda de vozes críticas; porque “não podem existir excepções” “como podem os açorianos se auto-considerarem dotados de uma especificidade? Como se atrevem, com esta medida, a fazer tábua rasa dos sacrifícios que estão a ser pedidos a todos os portugueses!?”

Se o Governo Regional mantivesse a despesa de 4 milhões de euros numa obra qualquer, à semelhança dos milhões que a Madeira vai gastar num estádio, não levantaria dúvidas, nem esse gasto seria avaliado. Mas, porque a opção foi aplicar uma parte dos recursos da Região no reforço dos salários de uma classe de funcionários que possui um rendimento médio/baixo e dessa forma evitar que baixem ainda mais os seus níveis de consumo, chamam a isto falta de solidariedade?

As vozes críticas do continente, particularmente vindas do PSD, recorrem com frequência à classe média, para afirmar que, não são apenas os pobres quem sofre com a crise. Então porque criticam uma medida que visa minimizar o empobrecimento de algumas dessas famílias? Será que também não concordam com a suspensão que foi decidida pelo governo regional, ao não aplicar a nova tabela de comparticipação das famílias no custo das creches, jardins-de-infância e ATL’s públicos, que atingiria sobretudo o rendimento da classe média?

Infelizmente, os mesmos que apontam o dedo ao número de beneficiários do RSI, num discurso catastrófico sobre o empobrecimento, criticam agora a compensação salarial e fazem coro com quem julga a medida de ilegítima. Mas será que também vão por em causa outras iniciativas regionais, como o complemento à reforma ou ao abono de família, à compra de medicamentos ou até o salário mínimo regional, que visam minimizar as dificuldades por que passam os idosos e as famílias de mais baixos recursos na região?

Não tenhamos dúvidas. No continente ou nos Açores, vai ser ainda mais difícil viver no próximo ano. Estas medidas regionais não anulam o impacto da contenção de despesa que o país impôs a si mesmo. Todos temos de aprender a fazer opções e a definir prioridades nos gastos e nos investimentos.

Mas, dificilmente chegaremos a bom porto se, em vez de nos preocuparmos com o que cada um tem de fazer, na família, empresa ou num órgão executivo, nos preocuparmos em gastar tempo e energias a denegrir e a derrubar o que os outros estão fazendo.

Temos todos de levantar a cabeça, arregaçar as mangas e lutar para sair da tempestade. A justiça e a solidariedade não significam exigir ou dar o mesmo a todos, mas defender os direitos de todos e fazer com que cada um receba ou contribua, na medida das suas necessidades ou capacidades.

(publicado no Açoriano Oriental de 13 Dezembro 2010).

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