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SentirAilha

Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

A terra

Cuidar da terra parece simples nos gestos e nos propósitos. Arrancar ervas, cavar ou simplesmente prender umas hastes que teimam em cair, não tem, aparentemente, qualquer ciência, mas exige sensibilidade e arte, porque significa cuidar da vida.

Não é por acaso que jardinar é, para muitas pessoas, uma forma de descomprimir, relaxar e sobretudo, repor energias.

Cuidar das plantas, das flores ou da horta é muito mais do que uma atividade física, representa uma experiência emocional e até pode ser uma aprendizagem não apenas sobre natureza, mas sobre o comportamento humano. Desde logo, tal como as pessoas, as plantas reagem ao toque, à emoção, à dedicação de quem as cuida.

Um jardineiro arranca ervas, plantas "daninhas" que crescem onde não foram plantadas e prejudicam as culturas. São como certas pessoas, insinuam-se e fazem-se passar por imprescindíveis, apesar de nada valerem. Encostam-se aos feijoeiros e deixam que estes se prendam nelas em busca de suporte, ou então, confundem-se com as plantações a proteger vivendo na sombra e à custa da sua energia.

Libertar uma plantação das invasoras que se alastram de forma rápida é um processo necessário para quem cuida de quintais ou de hortas. Fazê-lo é, sem dúvida, uma aprendizagem sobre a forma como organizamos o quotidiano. Nada nunca está concluído. Todos os dias é preciso fazer escolhas, decidir o sentido a dar ao que fazemos, evitando ir ao sabor do que os outros querem fazer de nós, para não correr o risco de perder força. Não é fácil! Há muitas dessas plantas invasoras que, apesar de não darem fruto, tem muita rama e são vistosas.

Temos de cuidar do que é genuíno, do que é nosso, libertando a natureza das invasoras, algumas trazidas por alguém que as achou bonitas numa qualquer parte do mundo.

Cuidar das plantas é fazer escolhas, entre o que vale a pena preservar e o que são meros interesses de ocasião, e isso pode significar ter de podar o que não interessa ou põe em risco o futuro da planta. Podar é uma escolha, que ajuda à concretização do sentido ou projeto de uma espécie. Afinal, retirar um galho que seca ou um ramo que se torna pesado demais é ajudar a árvore a crescer de forma equilibrada.

Fazer escolhas pode ser doloroso, mas é fundamental para termos consciência do que é essencial aos bons resultados.

Apesar da terra ser fonte de sabedoria, trabalhar no campo foi durante demasiado tempo visto como uma profissão pouco exigente, pouco valorizada socialmente. Mal pagos e pouco reconhecidos, muitos foram aqueles que voltaram costas à agricultura.

Felizmente hoje assiste-se ao reencontro com o valor da terra, por necessidade ou por consciência e, aos poucos, se vai retomando o gosto pela produção de hortícolas como profissão ou lazer.

Passou a ser moda ou desejável comer produtos frescos, sem químicos, de produtores que se conhecem.

Numa terra como a nossa, rica, fértil e amiga das plantas, reencontrar o valor do trabalho agrícola e revalorizar a produção de produtos locais pode ser extremamente importante para a nossa economia, a criação de emprego e, sobretudo, para dignificar a relação com a natureza que nos acolhe, tão necessária à sobrevivência como à afirmação da identidade insular.

Cuidar da terra é cuidar de nós...

(texto publicado no Açoriano Oriental de 14 Julho 2015).

Uma terra que dá tudo

O século XXI irá obrigar a humanidade a repensar o modelo de desenvolvimento assente no betão, que invade as terras de cultivo com construções em altura.

Se queremos viver mais tempo e melhor, há que moderar o fenómeno da motorização da mobilidade humana, investir na produção de alimentos frescos e reencontrar o equilíbrio entre a natureza e a acção humana, favorecendo uma maior qualidade ambiental, do ar e dos cursos de água, condição básica para termos uma vida saudável.

A terra, a natureza, não podem ser vistas como meros cenários de fotografia ou cartaz turístico.

Temos de preservar o seu valor como factor de produção de saúde, equilíbrio e, no caso das nossas ilhas, como elemento fundamental da nossa identidade.

Não podemos ser ilhas e querer viver, em cada uma delas, como se vive nas grandes cidades.

Para nós, a floresta, as ribeiras, os terrenos agrícolas e o mar são fontes de riqueza e traços que configuram a nossa história e o nosso modo de estar. Não queiramos imitar modelos que outros já abandonaram. Temos todas as condições para sermos diferentes, para viver melhor e de forma mais saudável e sustentável.

O século XXI coloca-nos um desafio ambiental, a busca do equilibro entre os recursos e a produção. É urgente valorizar a terra e o mar que nos circunda. Já fomos celeiro e pomar nos primeiros séculos do povoamento. Soubemos transformar o leite, a beterraba, o tabaco e o atum em indústrias, nos séculos XIX e XX. Soubemos reforçar e melhorar o sector dos serviços ao longo do séc. XX. Quais são os desafios que queremos atingir no século XXI?

O futuro está no equilíbrio e na qualidade. Temos de preservar os recursos naturais, diversificar a indústria e melhorar a qualidade dos serviços. Precisamos de planear o investimento, para que as gerações futuras não sofram com uma previsível escassez de alimentos e se vejam emparedadas num qualquer edifício, olhando as flores que murcham nos vasos da varanda.

Se queremos garantir o futuro, é fundamental revalorizar o trabalho da terra. Uma actividade cada vez mais exigente, no controlo ambiental, no aproveitamento de recursos, na investigação que permite adequar as produções às condições climatéricas e ao potencial dos solos.

A nossa terra dá tudo! Sempre deu! Dizem os mais antigos.

O que falta é mão-de-obra, referem os empresários agrícolas!

Mas se há terras subaproveitadas e necessidade de incrementar a actividade, por ventura o que falta é dignificar o trabalho agrícola, qualificar a mão-de-obra e melhorar os métodos de produção.

Faz algum sentido que a Região importe a grande maioria dos produtos hortícolas que consome? Faz algum sentido que não se venda leite “do dia” numa terra de lacticínios? Ou que nos hotéis não se promovam os produtos locais, desde o chá às compotas? Por que motivo ainda há restaurantes que não valorizam a qualidade da carne, do peixe e de tantos outros produtos locais?

As nossas terras não precisam de rega; podem produzir sem recurso a processos intensivos e, quando bem geridas, são rentáveis na produção de hortícolas, de todas as espécies, flores das mais variadas cores, vinho, cereais, frutas tropicais e até café.

A nossa terra dá tudo. Só precisa que em troca, lhe demos trabalho e respeito.

(publicado no Açoriano Oriental, 7 Junho 2010)

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