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Viva! Este é um espaço de encontro, interconhecimento e partilha. Sentir a ilha que cada um é, no mar de liberdade que todos une e separa... Piedade Lalanda

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Uma horta faz bem!

Está provado: ter uma horta faz bem!

Desde logo, faz bem à saúde alimentar. Os nutricionistas são unânimes em afirmar que é necessário comer mais produtos hortícolas e frutas, preferencialmente, de produção biológica, sem aditivos.

Mas uma horta faz bem por muitas outras razões.

Aproxima da natureza, faz descobrir o ciclo de crescimento das plantas, desde a sementeira à colheita, passando pelas pragas que as prejudicam. Algumas dessas pragas, tal como acontece com as pessoas, não são externas, mas verdadeiros parasitas que atacam a raiz e retiram-lhe o vigor, como acontece com a Orobanche, que o povo designa por "gigante" ou "rabo de raposa", que mata as faveiras.

Muitas outras pragas e infestantes atacam as hortas, mas isso não faz desistir quem delas cuida. Todos os dias monda, arranca e sacha, para dar espaço e revitalizar as culturas. Aliás, tal como na vida em sociedade, dificilmente podemos evitar todos os contratempos ou mesmo as relações que parecem destinadas a dificultar a concretização do que consideramos fundamental. Sejam relações familiares ou de trabalho, há que estar atento e prevenir, antes que um simples mal-entendido se transforme num conflito.

Mas a horta tem muito mais para nos ensinar. Há plantas que estão no catálogo das infestantes, elementos negativos num campo de cultivo que, afinal, podem ser transformadas em produtos eficazes. Veja-se o caso das beldroegas, cujas folhas são apreciadas nas saladas ou nas sopas. Quem as vê no campo, até fica enfurecido. Crescem no meio das culturas e possuem uma raiz profunda que prejudica o terreno, mas afinal, depois de arrancadas podem ser cozinhadas. Um outro exemplo, são as urtigas, que afastam até ao toque, provocando reações na pele. Há quem as utilize, também na sopa, mas se forem deixadas a fermentar, produzem um chorume que, devidamente diluído em água, serve para combater pragas e doenças.

O difícil na vida não é reconhecermos os erros, é transformá-los em razões de mudança e reorientação de percursos.

Numa horta, aprendemos a ser humildes na vida, porque a natureza é quem nos ensina, nós, somos apenas seus protetores, cuidadores, eternos aprendizes perante a riqueza de informação que, todos os dias, cada planta, um simples pé de salsa ou manjericão, nos ensina.

Alguns dirão nesta altura, que nem todos podemos ter uma horta! É certo!, mas todos podemos ter um vaso, mesmo no parapeito da janela, onde podemos semear, salsa, quem sabe umas alfaces ou até uns pé de couve.

Não são precisos hectares de terreno para se fazer a descoberta da natureza.

É preciso compaixão, no sentido de se deixar apaixonar, ou como diria o Pequeno Príncipe de Saint Exupery, deixar-se seduzir pelas plantas e aprender com elas.

A nossa terra é fértil, rica de sol e chuva mas, infelizmente, fomos esquecendo, abandonando os terrenos de "pão", outrora destinados ao cultivo alimentar. As hortas, os pomares, os jardins, são tão importantes para o equilíbrio da vida, como os espaços de habitação, as estradas ou mesmo as pastagens.

Tudo tem de ser cuidado, mas talvez haja uma diferença quando se tratam as plantas, é que aprendemos com elas, tal como aprendemos com as pessoas.

As hortas e quintas destas ilhas podiam, e deviam, ser de novo espaços de criação de emprego qualificado, tecnicamente evoluído, capaz de devolver a beleza de uma paisagem colorida e de fazer crescer a produção de legumes, frutas e flores, cujos aromas se perderam, mas que a memória registou.

A fruta da nossa terra sabe e cheira e os legumes tem outro sabor. Vale a pena ter uma horta!

(texto publicado no jornal Açoriano Oriental de 7 fevereiro 2017)

 

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